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“Não perdi a vida porque fugi”… o relato de Julião, o padeiro dos Moinhos

O padeiro perdeu a sua moto que está toda destruída na serra quando tentava fugir à fúria das chamas

Julião já é uma cara conhecida de todos aqueles que fazem as suas caminhadas ou pedaladas pela Serra do Louro, todos os dias ao fim do dia, o padeiro de serviço da Padaria Julião lá vai vendendo o seu pão caseiro, cozido a forno de lenha.

Julião foi um dos que esteve no meio do “inferno” na passada quarta-feira, 13 de julho, o Diário do Distrito falou com o conhecido padeiro que lamenta tudo o que se passou e que dizer ter imagens para a sua vida inteira, mas diz não baixar braços e irá lutar. A padaria Julião foi a única instalação que não sofreu com o incêndio, a padaria anexa a uma moradia que faz parte de dois moinhos, esta que ficou totalmente destruída e que espera arranjos, mas esses vão tardar, porque agora é preciso fazer contas à vida.


No caso da Padaria Julião, a única coisa que ficou danificada foi a luz, no entanto já restabelecida e alguns danos numa janela de tijolo de vidro que derreteu parte com o aumento do calor. Julião lembra o dia de quarta-feira: “Estávamos todos aqui a olhar para o incêndio que se localizava ali junto à encosta do Castelo, mas pensamos que aquilo chegava ali e ficava por lá, pois é uma zona sensível e onde os bombeiros iriam combater por tratar-se da mata do Castelo, mas em segundos começamos a sentir vento cruzado e fagulhas a cair-nos por cima“, olhos rasos de água, Julião prossegue “Só tivemos tempo de salvar algumas pessoas e procurarmos outras, que viemos a saber que estão hospitalizadas. Eu fui um dos últimos a sair, mandei sair daqui a Rute [mulher de Pedro Lima] e quando peguei na moto coloquei-me em fuga pela serra acima, no meio já estava o carro do Pedro empanado e outro atrás que é daquele vizinho“.

“Tentei fugir com todas as forças que tinha”

Tentei passar com a moto por um trilho que há naquele local, mas as chamas já estavam ao meu lado, tive tempo de largar a moto e fugir, nunca pensei que me iria acontecer um dia isto, fugi pela encosta abaixo, cai, levantei-me…rebolei, eu chorava e ria ao mesmo tempo, um culminar de emoções que nunca mais deixarei de parte“, adianta Julião, depois de fugir das chamas e ter abandonado a moto a meio do caminho, chegou são e salvo à Estrada Nacional 379, junto do Restaurante Dona Isilda, na freguesia de Quinta do Anjo.

Lembra ainda que “tentei fugir com todas as forças que tinha, deixei a moto para trás, mas estou vivo“, este é um dos relatos que deixou tudo para trás e só pensava na sua família e em sair daquele lugar com vida. Julião está de volta e recomeça já amanhã na sua padaria que irá continuar a vender o maravilhoso pão dos Moinhos da Serra do Louro, sim, porque Moinhos só mesmo o nome do conhecido pão da Padaria Julião.


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