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Na TIME, Lula critica Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi capa da última edição da revista Time. A prestigiosa publicação norte-americana dá-lhe como um vencedor certo das próximas eleições.

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O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva criticou o presidente ucraniano Volodymir Zelensky pelo “espetáculo” do qual é protagonista, acusando-o de não ter negociado o suficiente. Mas ele também aponta o dedo para os Estados Unidos e a União Europeia, que acusa de fomentar o conflito.

A Time colocou na capa uma foto do ex-sindicalista e ex-metalúrgico, vestido com paletó escuro e uma gravata nas cores do Brasil, acompanhada da manchete “Segundo Ato de Lula”, apresentando o líder de esquerda, o favorito para vencer as eleições presidenciais brasileiras deste ano, como o mais popular do Brasil.

Na entrevista, Lula respondeu perguntas sobre como seria sua gestão da política externa e sua relação com outros países após 2023 em caso de vitória nas eleições de outubro, em um mundo fragmentado.

Não conheço pessoalmente o presidente da Ucrânia. Mas seu comportamento é um pouco estranho. Parece fazer parte do show. Está na televisão de manhã, ao meio-dia e à noite. Ele está no parlamento do Reino Unido, no parlamento alemão, no parlamento francês, no parlamento italiano, como se estivesse engajado em uma campanha política. Ele deveria estar na mesa de negociações”, repreendeu Lula em entrevista ao ‘Time’.

Lula criticou particularmente Zelensky, a quem acusou de querer a guerra, porque senão, disse ele, “teria negociado um pouco mais”. O ex-presidente brasileiro lembrou que “foram poucas conversas” e que “se você quer paz tem que ter paciência”.

Eles podiam ficar dez, quinze, vinte dias, um mês inteiro sentados à mesa de negociações, tentando encontrar uma solução. Acredito que o diálogo só funciona quando é levado a sério, ressaltou Lula. Nesse sentido, Lula denuncia que “ninguém” está ajudando a acabar com o conflito.

Desde o início do conflito, Lula se opôs à decisão de Putin de atacar sua vizinha Ucrânia. O ex-presidente, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, atribuiu a inflação global às sanções que os EUA e a UE impuseram à Rússia pela invasão e criticou a falta de clareza sobre a expansão da OTAN, aliança militar liderada por Washington, para fronteiras russas.

Os Estados Unidos e a UE deveriam ter assegurado a Putin que a Ucrânia não entraria na Otan, disse Lula, que segundo a Time comparou a situação à crise dos mísseis soviéticos em Cuba em 1962, após a qual os Estados Unidos e a ex-União Soviética decidiram eliminar a implantação de mísseis em países terceiros.

As sanções ocidentais à Rússia impactaram injustamente as economias de outras regiões, acrescentou.

A guerra não é uma solução. E agora vamos ter que pagar a conta da guerra na Ucrânia. Argentina, Bolívia também terão que pagar. Você não está punindo Putin, você está punindo muitos países diferentes, você está punindo a humanidade.

Zelensky “é tão responsável” quanto o presidente russo Vladimir PutinNão há um único culpado na guerra“, disse ele. “Saddam Hussein era tão culpado quanto Bush porque Saddam Hussein poderia ter dito: ‘Você pode vir aqui e verificar e eu vou provar que você não tem armas de destruição em massa’, mas ele mentiu para seu povo. disseram: “Vamos, vamos parar de falar sobre essa questão da OTAN, da adesão à UE por um tempo. Vamos conversar um pouco mais primeiro’”.

O fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), que neste sábado (7) lançará sua candidatura às eleições presidenciais de 2 de outubro com um ato em São Paulo, criticou a atitude do presidente norte-americano, Joe Biden, de não negociar com Putin.

Os Estados Unidos têm muita influência política. E Biden poderia ter evitado [a guerra], não incitado. Ele poderia ter se envolvido mais. Biden poderia ter tomado um avião para Moscou para conversar com Putin. Essa é a atitude que se espera de um líder, garantiu Lula.

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Em outro despacho, a Time publicou que Lula se recusou a condenar o governo venezuelano do presidente Nicolás Maduro e expressou estar “muito preocupado” quando os EUA e seus aliados reconheceram o deputado Juan Guaidó como presidente e líder da oposição.

Em chave regional, Lula se opôs à política energética do candidato favorito para vencer as eleições presidenciais deste mês na Colômbia, o líder de esquerda Gustavo Petro, que prometeu abandonar a exploração de petróleo.

O Petro tem o direito de propor o que quiser. Mas no caso do Brasil, isso não é real. No caso do mundo, não é real. Poderia parar a exploração de novas jazidas de petróleo enquanto extrai o petróleo que o Brasil já descobriu? Não, enquanto você não tiver energia alternativa, você vai continuar usando a energia que tem, disse.


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