Cantinho da Bicharada

Morreu ‘Mandela’ o cão que dividiu a sociedade portuguesa

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«É com muita tristeza que informamos que perdemos anteontem mais um membro da família ANIMAL. O Mandela (carinhosamente tratado por Mandy) já não está entre nós. Foram 7 anos de uma vida feliz e confortável. (Ele fez 16 anos em Junho). Obrigada a todas as pessoas que nos apoiaram no dificílimo processo.»

O pitt bull Mandela ficou conhecido em Portugal como Zico, o cão que alegadamente teria causado a morte de uma criança em 2013, e dividiu a sociedade portuguesa na defesa da sua vida.

Diniz Janeiro, o bebé de 18 meses morreu em Beja, após o que teria sido um ataque do cão na casa da avó, Jacinta Pinto, no dia 6 de Janeiro de de 2013. A criança teria caminhado até à cozinha e caiu sobre o Zico, que o abocanhou.

A mãe, Vanessa das Neves, correu ao Hospital José Joaquim Fernandes, a 600 metros de casa, para onde levou a criança em braços, e onde este deu entrada com ferimentos muitos graves, já em coma, devido a “lesão por mordedura de cão”, como consta do relatório hospitalar.

Perante o perigo de vida, Dinis Janeiro foi transportado de helicóptero para a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde foi operado, mas não resistiu e viria a óbito no dia 7 de janeiro.

A descrição do óbito de Diniz Janeiro referia que a causa da morte, classificada como “violenta”, foi devida a “lesões traumáticas crânio-meningo-encefálicas que denotam terem sido produzidas por ação de natureza perfurocontudente, ou atuando como tal, como o que pode ter sido a mordedura de um cão”.

Na altura do acidente foi o próprio avô do menino que garantia que o animal, pertença do filho, nunca tinha sido agressivo, e era muito meigo para com os dois netos, embora tivesse as orelhas cortadas (prática proibida), não estava registado na Junta de Freguesia nem possuía seguro de responsabilidade civil, não estava esterilizado e, das obrigações legais, apenas cumpria uma: usava chip eletrónico.

Não foi a família que apresentou queixa, mas sim a PSP através de participação ao Ministério Público, que abriu um inquérito criminal e mandou recolher o animal ao Canil Municipal de Beja.

Linda Rosa Ferreira, veterinária municipal de Beja, acompanhou a apreensão e anunciou que o cão seria abatido.

E foi aqui que se deu início a um dos mais longos processos, senão o mais longo, com intervenientes animais e iria dividir para sempre a opinião sobre os direitos dos animais no nosso país, protagonizado por Rita Silva, dirigente da ANIMAL.

Foi lançada na internet a petição ‘Contra o abate do Pitbull Zico e de todos os outros Zicos!’, que somou mais de 15 mil assinaturas, na primeira semana e chegou aos 85.422 signatários, e a foto de um animal assustado dentro de uma jaula causou indignação geral.

O caso fez correr rios de tinta, em petições, artigos de opinião pró e contra o abate do então Zico, reportagens, etc, que envolveram até figuras públicas como o actor Ruy de Carvalho pela vida do cão e o comentador político Daniel Oliveira, na defesa da sua morte.

O longo processo judicial teria a defesa probono da advogada Rita Henriques, de Montemor-o-Novo, e o Zico foi entregue a Rita Silva, a 5 de agosto de 2014.

O animal foi reabilitado pela treinadora Cláudia Estanislau e passou a chamar-se Mandela, em homenagem ao líder sul africano. Os tribunais absolveram a família e nenhum adulto foi responsabilizado pelo que aconteceu à criança.

Sete anos depois da sua convivência com Rita Silva, Mandela apresentava alguns problemas de saúde, e partiu para o lado de lá do arco-íris dos cães, sem saber que a sua simples existência causou tanto furor e serviu até para muitas das alterações legislativas relativas aos direitos dos animais.

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