Opinião

Montijo | Motorização, Sinistralidade e Mobilidade

Uma crónica de Virgílio Oliveira

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Eis aqui alguns dados interessantes que estão ser usados para melhorar o conceito de cidade, nomeadamente o da cidade de Montijo, para que valha a pena aqui viver ! Montijo é um presente com futuro, mas um presente que precisa de ser devidamente acautelado sob o risco de se isso não acontecer , poder-mos retroceder no tempo e no espaço , não havendo sequer futuro .

No que à motorização diz respeito, há dados que merecem alguma atenção pelo efeito colateral que os mesmo podem representar para o contexto sócio-económico da população do Concelho de Montijo .

Assim e, sobre a população do Montijo os níveis de motorização dos agregados familiares registados , são aproximadamente os seguintes :

Sem motorização , cerca 25% da população

Com 1 veículo , cerca de 60% da população

Com 2 ou + veículos , cerca 15% da população

Neste contexto específico, do aumento acentuado da procura de meios de transporte próprios , essenciais para as deslocações diárias num contexto de mobilidade metropolitana pendular, e face à insuficiente resposta dos operadores públicos/privados de transportes colectivos, onde pontuam as empresas TST e TT, tem havido nas últimas décadas um acréscimo significativo dos níveis de motorização dos agregados familiares do Concelho de Montijo, assim como do número médio de viagens diárias com recurso ao automóvel particular realizadas .

Neste âmbito importará salientar o facto de no Concelho de Montijo registaram-se percentagens elevadas de famílias com dupla motorização . Quanto à contabilização do número médio de viagens realizadas por dia, as estatísticas apresentam um panorama bastante interessante, sendo que Montijo apresenta um número médio de 3,8 viagens por dia, o que não deixa de ser significativo .

Face a um inevitável acréscimo de veículos automóveis na cidade de Montijo, as políticas públicas de reabilitação das zonas urbanas mais afectadas têm tido alguma atenção para combater os já elevados índices de poluição e de ruído que se registam actualmente em algumas das vias da cidade, já que, a manterem-se os padrões actuais de circulação automóvel, é expectável que o número de veículos a circular no anel urbano [ bairros ] e no centro da cidade até, atinja valores acima do tolerável e crie necessariamente ainda mais conflitos entre peões e veículos, bem como poderão incrementar uma nova taxa de sinistralidade pedonal.

Face a um elevado índice de motorização da população residente no Concelho de Montijo , será de salientar uma primeira tendência que se tem vindo a acentuar nas últimas décadas ao nível das deslocações dos residentes na cidade, a diminuição de viagens realizadas com recurso aos transportes públicos , por manifesta falta de implementação dos mesmos, seguida de muito perto pela duplicação dos utilizadores de transportes individuais .

Um aspecto que deve ser considerado é ainda o facto de alguma área urbana da cidade de Montijo apresentar características únicas , que se identificam pelos baixos índices de atropelamentos , a que se associa inevitavelmente o baixo índice de circulação pedonal também, contrastando com o elevado volume da circulação automóvel .

A sinistralidade urbana , tem maior significado nas vias estruturais da cidade, nomeadamente nos anéis periféricos e de interior, onde as velocidades são mais elevadas já que nas zonas ditas urbanas as passagens para peões ( passadeiras )  são o principal risco para acidentes com peões , motivado por três factores indissociáveis : a confiança do peão por estar numa zona julgada, por ele, segura , a circulação ofensiva do condutor que não calcula a velocidade com o tempo de paragem necessário e ainda a distração na condução .

Entretanto os maiores conflitos registados , na zona urbana, são aqueles que estão na origem da falta de mobilidade dos peões, quando sistematicamente confrontados com estacionamentos irregulares de toda a ordem , nos espaços a si reservados .

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