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‘Monstro do Barreiro’ voltou a ameaçar mulheres

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O alerta foi dado nas redes sociais para mais ataques a pelo menos duas mulheres, através de telefonemas e mensagens ameaçadoras, daquele que ficou conhecido como ‘Monstro do Barreiro’, Bruno Miguel Castelinho Santo Costa.

Ao Diário do Distrito uma das vítimas explicou que “tudo começou em Janeiro deste ano, quando recebi vários telefonemas de três números diferentes, sempre ao fim da noite, mas quando atendia ninguém falava.

Já em Fevereiro, recebi uma chamada de manhã, de uma pessoa que se identificou como ‘Miguel’, e me perguntou se era fulana, dizendo o meu nome, ao que eu respondi afirmativamente, porque nem sequer desconfiava do que podia ser.”

Do outro lado da linha começou então uma conversa em que Bruno Miguel Costa afirmava ter o contacto desta vítima desde 2014. “Disse que encontrou o meu número num telefone antigo, e que queria verificar quem era, porque queria apenas ser meu amigo, e ia-me perguntando se eu vivia no Barreiro, dizendo que ele morava agora no Alentejo mas tinha uma tia a viver em Setúbal.

Desconfiei da conversa e disse-lhe que não lhe dava mais dados sobre mim e que apagasse o meu número, acabando por desligar a chamada.”

Mas a perseguição estava prestes a tornar-se mais perigosa e já em Março, nova chamada, onde Bruno Miguel Costa repete que «apenas quer ser amigo».

“Só que nesse dia não estava sozinha e passei o telefone à pessoa que estava comigo, e ele ao ouvir uma voz masculina ficou super-exaltado, desatou aos gritos, a dizer que não estava a fazer nada de mal, que se tinha enganado no número porque não era comigo que queria falar, mas depois já dizia que só queria ser meu amigo.”

A chamada acabou por ser desligada, para dias depois Bruno Miguel voltar a insistir.

“Apanhou-me no meu horário de trabalho, e desatou a gritar, a perguntar se o meu ‘amigo’ estava comigo, que não admitia ameaças, e que quando se cruzasse connosco na rua nos ‘tirava a vida a ambos’.

Como é óbvio fiquei assustada, e ele sempre a perguntar-me coisas, entre as ameaças, se tinha filhos, se vivia no Barreiro, até que desliguei e não tornei a atender.”

Quando deixou de ver as suas chamadas atendidas, Bruno Costa passou às ameaças escritas, “e esta semana enviou-me várias mensagens de assédio e com ameaças claras, e foi com esse número que consegui aceder à conta do whatsapp e vi a foto dele. Perguntei se o conheciam e os comentários não tardaram com toda a gente a dizer que se tratava do ‘Monstro do Barreiro’ e com outras pessoas a dizerem que nos últimos meses também tinham sido alvo de telefonemas e ameaças.”

Foi com essas mensagens que a vítima apresentou este sábado queixa nas autoridades da sua área de residência, “onde me disseram que sabiam deste caso mas que pouco podem fazer, porque ele é detido e libertado de imediato. E eu agora tenho receio porque não sei se ele me vai fazer alguma espera entre o trajecto de casa para o trabalho…”

Anos de perseguições e agressões

O ‘Monstro do Barreiro’ é conhecido há vários anos no concelho, e tem vindo a atacar mulheres quer física quer através de mensagens que envia através das redes sociais, sobretudo o whatsapp, embora até hoje não seja claro de que forma consegue obter esses contactos.

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Cerca de sessenta queixas, manifestações pelo seu internamento, marcha pela defesa das vítimas, uma petição ao Ministério Público do Barreiro entregue em 2018 e até a formação de uma Associação que reúne várias vítimas e familiares, resultaram em internamentos na ala psiquiátrica do Hospital do Barreiro, mas apenas em 2018 a Polícia Judiciária de Setúbal recebeu delegação da investigação do Ministério Público e prendeu Bruno Costa.

No entanto, quando presente a tribunal do Barreiro, uma juíza optou por soltá-lo com a proibição de voltar ao concelho e ao da Moita, onde também tinha agredido mulheres, situação que se veio a comprovar não ser cumprida por este, através de vários alertas que foram sendo feitos, de ameaças e avistamento deste nos referidos concelhos.

Remetido à casa de uma avó em Fronteira, Portalegre, o instinto agressivo de Bruno Costa levou-o a atacar a idosa de 95 anos à cajadada, bem como outro familiar com deficiência mental, acabando detido e sujeito a prisão preventiva.

O Diário do Distrito contactou o Ministério Público de Portalegre e do Barreiro para saber se e porquê Bruno Costa foi libertado e que medidas judiciais ou policiais estão a ser tomadas para evitar novas agressões e perseguições por parte deste homem, bem como sobre o julgamento que devia ter tido início a 30 de Abril de 2020.

Da parte do Ministério Público de Fronteira obtivemos como resposta que «foi deduzida acusação pelo Exmº Senhor Magistrado a desempenhar funções contra Bruno Miguel Castelinho Santo Costa, no âmbito do Processo 32/20.2GGPTG, pelo que o caso está entregue ao Juiz titular».

Também já procurámos saber o motivo para que tenham sido arquivadas três das queixas de agressões e duas outras não tenham ainda obtido resposta por parte do Ministério Público do Barreiro, estando em risco de prescreverem.

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