Mobilidade – construir a casa pelo telhado

Esta semana um artigo de opinião de Tiago Sousa Santos, presidente da JSD Distrital de Setúbal.

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Esta semana um artigo de opinião de Tiago Sousa Santos, presidente da JSD Distrital de Setúbal.

O comboio sobre os carris, o autocarro a aquecer o asfalto, o barco a navegar no rio, o metro de superfície a deambular entre os carros. Em qualquer região que se queira desenvolvida, como se quer o Distrito de Setúbal, a mobilidade é fundamental para o progresso e aqui a mobilidade está cada vez pior.

Vivemos numa região que faz da sua proximidade a Lisboa uma das suas principais vantagens. Uma região que vê dezenas de milhares dos seus habitantes atravessar o rio diariamente para ir trabalhar ou estudar na capital, recorrendo em grande número aos transportes coletivos existentes para a travessia.

É o comboio da ponte com o símbolo da Fertagus colado, é o catamaran do rio com a Soflusa ou a Transtejo desenhadas, é o autocarro da Carris ou da TST. E é o autocarro dos TCB até ao terminal ou até à estação, é o comboio da CP entre estações que se ligam umas às outras e é o Metro Sul do Tejo pelo meio da cidade.

É uma rede de transportes que liga a Península de Setúbal entre si e que a liga a Lisboa, fazendo parte do quotidiano de todos aqueles que usam algum destes transportes ou até a maioria deles numa só viagem.

Mas se temos esta rede de transportes, também temos um serviço cada vez pior e cada vez mais dificuldades para quem só quer chegar ao seu emprego ou às suas aulas todos os dias. Uma rede de transportes desenvolvida tem de ser confiável, tem de ter qualidade, tem de ligar os pontos com rapidez e tem de garantir as condições de conforto dignas para os seus utilizadores. E a rede de transportes no distrito de Setúbal é cada vez menos confiável, tem cada vez menos conforto e qualidade e o tempo que demora a ligar um ponto ao outro varia consoante os atrasos cada vez mais frequentes.

Claro que os problemas existentes não foram criados do dia para a noite, mas a verdade é que nos últimos dois anos eles têm sido cada vez maiores e isso apesar das inúmeras promessas de António Costa e deste Governo quanto a mais investimento nos transportes.

As promessas foram feitas e continuam a ser replicadas, mas os problemas continuam a agudizar-se cada vez mais e a vida das pessoas continua a ficar em suspenso todos os dias em que saem de casa e não sabem a que horas conseguirão chegar ao seu local de trabalho.

E se os problemas já se vêm a sentir com mais impacto nos últimos dois anos, nos últimos meses tudo piorou. O aumento do número de utilizadores que resultou da diminuição do preço dos passes sociais só veio agravar o que por si só já estava mau.

A medida em si é muito positiva. Todos defendemos que os transporte coletivos devem ser a primeira opção de mobilidade (desde logo porque diminuem a pegada ambiental que deixamos) nas cidades desenvolvidas e que devem ser acessíveis para que todos possam usufruir dos serviços.

O problema é só um: não se constrói uma casa pelo telhado.

António Costa quis lançar esta medida o mais rapidamente possível porque existem eleições em Outubro deste ano, para as quais António Costa precisa dos votos dos mais de 700.000 habitantes da Península de Setúbal. E lançou a medida sem garantir que as operadoras dos transportes tinham condições para dar resposta ao aumento significativo do número de utilizadores.

Resultado? O caos na Soflusa por falta de investimento em recursos humanos, o caos na CP que continua com as supressões que já caracterizavam a empresa, o caos nos autocarros que circulam sempre a abarrotar em hora de ponta, o caos na Fertagus com pessoas a ficar fora do comboio por não caber mais ninguém.

Numa região que se quer desenvolvida, como se quer o Distrito de Setúbal, a mobilidade é fundamental para o progresso e aqui a mobilidade está cada vez pior.

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