Opinião

Mobbing ou Assédio moral: quando o trabalho é perigoso!

Uma crónica de Isabel de Almeida.

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Poderia, à partida, pensar-se que a banalização crescente do teletrabalho seria uma possibilidade de atenuar ou evitar conflitos no trabalho e de estarmos mais protegidos relativamente a atitudes tóxicas e persecutórias em ambientes ou locais de trabalho, mas não, desengane-se quem pensa que à distância de um clique não pode haver mobbing ou assédio moral no trabalho.

De uma forma simples, o mobbing ou assédio moral no local de trabalho corresponde a todos os comportamentos por acção ou omissão que sejam passíveis de intencionalmente prejudicar um profissional no desempenho da sua actividade laboral e de lhe causar danos psicológicos ou físicos. São situações de que, por vezes, as vítimas deste tipo de comportamentos abusivos por parte de superiores hierárquicos, supervisores ou colegas de trabalho nem sempre identificam como um padrão comportamental, ao menos num primeiro momento, mas que a prática reiterada e o aumento do nível de toxicidade e hostilidade vai revelando que o problema existe e é grave.

Imagine o leitor que está no seu local de trabalho, ou encontra-se em sua casa ligado através de um sistema de videoconferência à sua entidade patronal, ou equiparada, e de repente começa a aperceber-se de comportamentos como: hostilidade, imposição de regras excessivas, despropositadas, ameaças mais ou menos veladas de punições futuras caso não adopte determinada postura (sem que seja justificável tal punição), ambiente tóxico onde se sente desconfortável para sequer expor educada e adequadamente as suas ideias ou dúvidas ou pedidos de ajuda na execução de tarefas, são-lhe atribuídas tarefas não contempladas nas suas funções e que podem mesmo sair do alcance do respectivo contrato de trabalho, as suas opiniões são desvalorizadas e criticadas destrutivamente mesmo na presença de outros colegas ou clientes, são impostas normas de vigilância e controle permanentes da sua actividade que não se justificam e têm por único intuito intimidá-lo, causar-lhe ansiedade e/ou desautorizá-lo e menorizar as suas funções perante terceiros (clientes e/ou outros colegas).

Naturalmente, este tipo de situações pode apresentar um grau maior ou menor de intensidade, frequência e gravidade, mas um sinal nítido de alarme é se, desde logo, se sentir desconfortável perante o contexto, se notar que começa a ter medo de agir como sempre agiu e como era esperado, se receia que qualquer decisão sua ou acto possa servir de pretexto para uma crítica destrutiva, para uma humilhação, para um ataque à sua honra e bom nome profissionais, ou se detectar atitudes intrusivas, por exemplo até na sua conduta na vida pessoal e familiar (imagine que é recriminado porque o seu filho de oito anos, em ensino à distância entrou de repente na sala onde o leitor se encontra em teletrabalho e aborda-o , ou suponha o leitor que tudo o que escreva ou partilhe nas suas redes socias é ostensivamente alvo de escrutínio ou mesmo reprovação por colega de trabalho, coordenador ou superior hierárquico).

O desconforto, a ansiedade e o medo muitos acentuados em especial nas vésperas do regresso ao trabalho após uma pausa para férias, fim de semana ou feriado são os mais evidentes sinais de alarme de que pode estar a ser vítima de assédio moral.

Como resolver? Não existem golpes de magia, mas aqui ficam algumas sugestões: comece por registar num bloco de notas tudo aquilo que o incomoda, tente apreciar se denota um padrão reiterado de situações tóxicas das quais se sinta vítima; fale com familiares, amigos e pessoas da sua confiança e peça opinião sobre as várias situações; dirija-se sempre por escrito às pessoas que adoptem para consigo comportamentos abusivos e tenha registos de toda a correspondência electrónica que trocar; peça para confirmar instruções ambíguas; confirme datas e horários para tarefas e eventuais reuniões; tenha especial cautela com o uso de material cedido pela entidade patronal ou seja, garanta que não faz, em situação alguma, uso pessoal de equipamentos desta, como computadores ou telemóveis, não insira registos de contas pessoais de email nos equipamentos cedidos, não faça chamadas particulares nem envie mensagens privadas a partir destes equipamentos, caso seja imprescindível receber chamadas externas pessoais combine com a pessoa códigos cifrados para fazer passar mensagens sem que possam ser aproveitadas para o atingir com novos comportamentos abusivos.

Por fim, faça um uso racional das redes sociais, bloqueie quem seja intrusivo, ou crie uma conta alternativa apenas para uso pessoal onde apenas aceite pessoas da sua confiança e registe-a preferencialmente sob um nome menos comum dos seus apelidos e nomes próprios, restringindo do público determinadas partilhas.

E se dúvidas não subsistirem de que é vítima de assédio moral denuncie junto das entidades competentes e actue em conformidade, não se permita ser mais uma vítima silenciosa, e procure o apoio de familiares e amigos, mesmo ao nível financeiro caso venha a necessitar desse tipo de ajuda. Nenhum trabalho merece a nossa paz de espírito ou o nosso livre arbítrio enquanto seres humanos. Acima de tudo, nunca permita que um sonho se transforme num pesadelo!

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