MontijoReportagem

Mercadona, covid19 e contas na reunião camarária do Montijo

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Na reunião camarária do Montijo que decorreu na tarde desta quarta-feira no Auditório do Cineteatro Joaquim de Almeida, José Manuel Santos tomou posse oficialmente como vereador, a substituir Ricardo Bernardes, que no dia 30 de outubro 2020 apresentou uma carta de renúncia ao mandato autárquico como vereador da Câmara Municipal do Montijo.

“José Manuel Santos ocupava o lugar imediatamente a seguir na lista do PS apresentada nas últimas eleições autárquicas”, explicou o presidente.

Como vem sendo hábito, Nuno Canta voltou a apresentar uma declaração sobre a pandemia de covid19 com as medidas de apoio da autarquia, referindo que no caso do concelho do Montijo “e segundo as autoridades de saúde, o número de novos casos cresceu ligeiramente, estando agora em cerca de 80 casos, cuja origem está no contexto de infeções familiares” e acrescentou que “também não houve um agravamento dos óbitos”.

Admitindo que o concelho não apresenta o aumento de casos “que justifique integrar a lista de municípios com risco elevado”, Nuno Canta considerou que a medida se deve “ao facto de estarmos na continuidade territorial da AML, e perto de concelhos vizinhos onde os números têm vindo a aumentar exponencialmente”.

A vereadora Maria Clara Silva (PS) dirigiu duas críticas, sobre dois assuntos distintos, uma para o representante do BE “que tem vindo a público dizer que o executivo não cumpriu o apoio aos alunos do 1.º ciclo do ensino básico para compra de material escolar, aprovado em Assembleia Municipal no âmbito do Orçamento para 2020.

Segundo este eleito, a Câmara Municipal não alargou o apoio aos alunos do 2.º e 3.º ciclos, ignorando que esses apoios têm de ser atribuídos pelo Estado e não pela autarquia, e que isso não fez parte do que foi aprovado na Assembleia Municipal.”

A segunda crítica foi para “um pseudo candidato que publicamente dirigiu críticas ao executivo por não estar a acompanhar os casos de covid19 nas escolas do concelho, usando para isso uma lista da FENPROF que dava conta de casos na EB Integrada do Esteval, sem sequer se dar ao trabalho de verificar o que afirmava”.

A vereadora avançou ainda que “na Escola Poeta Joaquim Serra, onde todo o pessoal docente e não docente foi testado, não há casos positivos”.

Na sua intervenção, a vereadora Sara Ferreira explicou as alterações e cancelamentos de espetáculos nos equipamentos municipais, deixou um agradecimento aos trabalhadores pela capacidade de adaptação, e uma palavra de reconhecimento “pelo esforço e dedicação” às associações.

O vereador Carlos Almeida (CDU) informou o executivo que “amanhã iremos entregar uma proposta para ser referendada, de forma a que reuniões públicas do executivo passem a ser transmitidas em directo, e possam assim ser seguidas por mais munícipes”.

Nuno Canta admite ‘percepção errada’ sobre Mercadona mas reafirma interesse da empresa

A crítica do eleito comunista foi depois para o posicionamento do executivo PS “a lançar inverdades na comunicação social local, como as afirmações do presidente de que a empresa Mercadona viria para o concelho, que já havia negociações e até um pedido de Informação Prévia (PIP) para compra de um terreno.

Ora foi a própria empresa que desmentiu isso noutro órgão de comunicação social, e soubemos de fonte segura que a empresa já tem onde se instalar noutro concelho. Isto é algo típico desta gestão socialista, de lançar informação que não se comprova.”

Em resposta, Nuno Canta admitiu que “no processo houve um entendimento errado da nossa parte, porque ao receber o Pedido de Informação Prévia, assumimos que seria para a compra do terreno. Mas também o informo de que, numa conversa posterior com responsáveis da Mercadona, nos foi dito que a possibilidade de virem para o Montijo não está colocada de parte e o certo é que existe uma situação de pré-contrato de compra, decorrendo na Câmara Municipal o Pedido de Informação Prévia.

Em relação ao posicionamento do executivo PS, estamos de consciência tranquila sobre o que fizemos a mais e a menos, e teremos todas as condições para o explicar perante os montijenses.”

Sobre o tema dos investimentos, Carlos Almeida referiu o futuro aeroporto no Montijo e o posicionamento da CDU, o que gerou longa discussão sobre o assunto.

Nas notas prévias à sua intervenção, o vereador João Afonso (PSD/CDS-PP) saudou o novo vereador José Manuel Santos, mas relembrou que “sendo também responsável pela Comissão de Festas de S. Pedro, cujas contas são opacas e lamento que chegue a este órgão com esse ‘peso’ sobre si. Espero que agora possa esclarecer com propriedade essas contas e não continue a apresentar números vagos.”

José Manuel Santos ripostou e advertiu o vereador social-democrata: “não lhe admito que levante qualquer questão sobre o trabalho e os elementos desta Comissão, que trabalha em prol da sua cidade, algo que o senhor nunca conseguiu fazer em nome dos seus eleitores. Poderia ter colocado as suas questões ou até solicitando a vinda dos elementos da Comissão a estas reuniões para esclarecimentos, e não ter este tipo de posicionamento.

A sua formação académica pode ser o que for, mas a sua formação pessoal é de má educação.

As contas da Comissão são mais do que transparentes e pode consultar os serviços da Câmara Municipal, mas isso dá trabalho e prefere andar a apanhar coisinhas para fazer política. Relativamente a mim e a ofensas começou muito mal.”

João Afonso criticou depois o presidente sobre o assunto da Mercadona. “Li com atenção o artigo do jornal onde o presidente é citado, a dizer que foi comprado um terreno junto à circular externa, mas se não tinha sobre esta informação, porque avançou com ela? Não se especula sobre a compra de um terreno.

O presidente da Câmara Municipal, com as suas trapalhadas e negligência, enganou os montijenses, a menos que o jornal não tenha reproduzido bem as suas declarações.”

O vereador apresentou depois algumas queixas recebidas de munícipes, como a falta de limpeza das sarjetas e caleiras, e inquiriu sobre a possível falta de certificação dos nadadores-salvadores nas piscinas municipais, e ainda referiu “uma coima que foi apresentada a uma munícipe por atraso no pagamento das refeições escolares de um filho menor, quando esta família vive uma situação económica muito complicada, que os levaram mesmo a ter de ir viver com familiares”.

Nuno Canta explicou que “fizemos mais uma vez a limpeza de sumidoros na cidade, que é feita anualmente, mas poderá haver algum local onde ainda faltará, o que saberia se seguisse a página do município”, e Maria Clara Silva esclareceu que “este ano lectivo não enviámos qualquer ofício de dívida a nenhum encarregado de educação, até porque podemos não ter toda a documentação destes com os respectivos rendimentos este ano, devido também à situação de pandemia.”

Sara Ferreira explicou que “houve uma alteração legislativa e as piscinas podem ter nadadores-salvadores com curso de suporte básico de vida e curso de nadadores-salvadores, e este ano houve uma prorrogação para os certificados da época 2020-2021. E estou em condições de assegurar que a piscina cumpre todas as normas de segurança e que a vigilância é feita através de um protocolo com os Bombeiros Voluntários do Montijo.”

No período da Ordem do Dia foram aprovados apoios a entidades, entre eles para a compra de uma carrinha de caixa aberta para a Junta de Freguesia de Sarilhos Grandes, que ficou danificada num acidente; à União das Freguesias da Atalaia e Alto Estanqueiro, para intervenções em vários parques infantis e ainda à Junta de Freguesia de Canha para recuperação do edifício do antigo matadouro para parqueamento de viaturas municipais.

Foram também aprovadas prorrogação da redução de rendas dos contratos de concessão municipais, tendo em conta a situação pandémica.

Passadeiras e abastecimento de água

No período aberto à população participou Fernando Eusébio, a solicitar maior atenção para as passadeiras na Avenida Jorge Peixinho, para garantir a segurança dos alunos da escola, e uma intervenção no polidesportivo do Bairro da Liberdade.

Paulo Chaves interveio em representação de 14 moradores de Foros do Trapo, Palmela, para saber do processo de abastecimento de água “uma vez que em reuniões com técnicos da autarquia de Palmela, nos dizem que há um acordo entre as duas câmaras para esse abastecimento”.

Nuno Canta esclareceu que “tivemos um acordo para construção de um sistema de abastecimento em parceria com a Câmara Municipal de Palmela, mas esta recusou-se a participar nessa intervenção e optou por fazer furos por iniciativa própria.

Temos um problema porque não pode haver abastecimento em alta dos municípios para outros concelhos, e a única possibilidade é que os munícipes se transformem em clientes dos SMAS do Montijo mas para tal é necessária autorização da autarquia de Palmela, através de um acordo entre ambos os municípios. Da nossa parte já transmitimos esse entendimento
à Câmara Municipal de Palmela, e estamos dispostos a receber os moradores de Foros do Trapo, mas da parte deles há um impasse.”

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