Opinião

Máscaras há muitas…

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Em face das desafortunadas circunstâncias que assolam todo o mundo, parece que as máscaras tomaram conta das nossas vidas.

Paradoxalmente, em relação ao ano que passou…se em 2020 ainda pudemos brincar ao Carnaval, este ano o “Covid” também essa alegria nos levou.

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Foi-se o Carnaval mas as máscaras, de todo o tipo, vieram para ficar, não como peça ocasional da nossa fantasia sazonal, mas antes como elemento conformador da nossa vivência real.

Máscaras temos hoje de facto muitas e para todos os gostos ou desgostos…para todas as utilidades ou palermices.

Pessoalmente, tal como porventura a maioria das pessoas, sempre olhei para o Carnaval como uma brincadeira, como um convívio, com música, dança e fantasia…como momento de descontração, em que saímos por instantes da rotina e colocamos a máscara, nos imaginamos num mundo colorido, nos tornamos irreconhecíveis, fazendo o que habitualmente não nos é tolerado.

E, apesar da minha dificuldade em levitar da realidade…com meu estado de espírito normalmente sempre estampado no careto…sempre valorizei o bom pretexto festivo subjacente ao Carnaval e sempre me esforcei por não desengraçar.

Tudo isso, não obstante alguns baldes de água fria que me fizeram acordar para mais uma retardada descoberta…a perceção da banal realidade de que afinal para muitas, cada vez mais pessoas, o disfarce foi o que sempre nos tiveram para oferecer…atrás duma máscara que tardou em cair neste entrudo da vida.

Agora que, apesar de não podermos brincar ao Carnaval, andamos todos forçadamente mascarados, continuamos sem saber, muitas das vezes, quem permanece verdadeiramente de máscara na “quarta feira de cinzas”.

Quando observo o que vem acontecendo nos últimos anos na minha terra, em Alcochete, quando olho para o modo como os assuntos públicos municipais são tratados pela “rapaziada dos calções e das meias azuis”, é espantosa a semelhança com o mundo virtual que vulgarmente nos é oferecido pelo Carnaval.

Não desfilam baterias ou grupos de samba, nem carros alegóricos ou matrafonas, mas são impingidas brincadeiras de bem menor gosto como as do “irrepreensível providencial da caridadezinha”, mascarado de “abdominoso Pai Natal” que oferece “trem de mentirinha”…

Ninguém pode ficar melindrado que se escreva a verdade tal, até porque “no Carnaval ninguém leva a mal”…

E tudo isto ao longo de três penosos anos em que a pobreza recrudesceu e nenhum problema social se resolveu, sobretudo ao nível da habitação, do emprego e da saúde.

Tudo isto num contexto de realidade mascarada pela propaganda sem fim, para olvidar que nenhuma infraestrutura ou equipamento foram construídos de novo ou de raiz…

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Enfim…tudo para mascarar e esconder como o concelho estagnou, devido à incúria política dos atuais (des)governantes municipais, que nem souberam estar à altura do que se impunha para evitar que o concelho menos populoso da região alcançasse um dos mais elevados níveis de infeção e letalidade pandémicas do país.

Entretanto já se vislumbra como este tipo de “carnaval partidário e eleiçoeiro” vai ainda produzir muitos disfarces e ilusões.

Cabendo agora aos cidadãos a necessária clarividência para poder perceber quem usa efetivamente que mascarilha, para que possamos ultrapassar este triste estado de coisas e regressar rapidamente ao futuro.

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