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Maria das Dores Meira: “prevê-se que a tarifa da água venha a descer e haja uma grande qualidade no serviço”

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Maria das Dores Meira está no terceiro e último mandato na Câmara Municipal de Setúbal , em 2017, nas eleições autárquicas reuniu 37,07%  das intenções de voto pelo PCP-PEV. E agora numa grande entrevista ao Diário do Distrito, dividida em três partes, faz um balanço sobre o seu percurso enquanto Presidente da Câmara Municipal de Setúbal e um olhar para o futuro. 

A autarca da capital de distrito abre assim esta série especial de entrevistas com todos os Presidentes de Câmara da Península de Setúbal que pode acompanhar aqui no seu jornal.

O preço da água em Setúbal também é dos mais elevados. Com o contrato de concessão à Águas do Sado a terminar em 2022, o que vai mudar?

Acaba a concessão e as águas vêm para a Câmara Municipal, sendo uma gestão pública, o que se prevê é que a tarifa da água venha a descer e haja uma grande qualidade no serviço. 

 “[Gastámos] 1 milhão e tal de euros. Continuámos a apoiar o Movimento Associativo como se não houvesse pandemia.”

Como é que tem gerido a situação da vacinação e a testagem da população a nível financeiro e de recursos?

A vacinação não é paga, mas os locais para a vacinação normalmente é a Câmara que faz a manutenção, as obras para implementar os centros, e depois a higiene e limpeza e a colocação de pessoal para gerir as pessoas. Ninguém nos dá um tostão. Por isso é que eu dizia há pouco que se não fossem as despesas da pandemia, nós hoje estávamos com uma situação financeira melhor.

“O pequeno comércio e restauração é que teve assim um grande impacto, mas mesmo assim vamos dando uma vista de olhos.”

Estamos a abrir na próxima semana mais um centro de vacinação em Azeitão, um centro de testagem, que foi feito no IEFP. O IEFP cedeu as instalações, mas foi a Câmara, mais uma vez que fez as obras. Portanto, mais custos para a Câmara. 

Tem noção desses custos mensais?

Não tenho. Mas são custos. A vacinação no nosso município está a andar muito bem. Já foram vacinadas mais de 15 mil pessoas. As coisas estão a correr muito bem. Já vacinamos mais de 1000 pessoas por dia. Na próxima semana estes números vão aumentar com o centro de Azeitão e a vinda de mais vacinas. Há mais de 15 dias que não há um óbito no município e há dias com 0 infetados. 

Qual o impacto da pandemia nas pequenas e médias empresas da região?

Foi mau, muito mau. No entanto, ainda não temos assim números muito exatos do fechamento de microempresas. As grandes empresas não tiveram grandes impactos. Já fizemos uma visita e não houve grandes impactos. Estiveram a trabalhar em espelho. O que foi possível em teletrabalho também fizeram. Está tudo a regressar aos horários normais. As médias também. Não tivemos nenhuma empresa fechada. Pequeno comércio e restauração é que teve assim um grande impacto, mas mesmo assim vamos dando uma vista de olhos. A zona ribeirinha está toda a funcionar, aqui no centro histórico está quase tudo também.

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Que medidas foram tomadas para ajudar quem mais sofreu com este impacto da pandemia?

Comprámos medicamentos. As máscaras e outro tipo de proteção. Foi as alimentações, as isenções da publicidade, das esplanadas, o estacionamento. 

Tem valores relativamente aos impactos nas contas do município?

1 milhão e tal de euros. Continuámos a apoiar o Movimento Associativo como se não houvesse pandemia. E depois um apoio suplementar às IPSS, dependendo da dimensão de cada uma para fazer face a despesas suplementares que tiveram. 

Com base no legado que deixa, acredita que André Martins tem capacidade para vencer nas autárquicas de 2021?

Tem. Não é só com base no legado que eu vou deixar, porque também foi construído por ele. Ele foi vereador nesta casa quando eu entrei em 2001. E portanto, ele não está como vereador só nestes quatro anos. Está com presidente da Assembleia Municipal, quer dizer que continua nesta casa a construir e a trabalhar para os munícipes de Setúbal. Porque a Assembleia também foi eleita com maioria absoluta.

“O Bairro das Fontaínhas, está a ser todo reabilitado, aquilo podia ser uma coisa muito bonita sem o viaduto e ainda vou com esta tristeza no coração, mas acredito que o André Martins ainda o vai fazer.”

Neste sentido, a Assembleia foi eleita pelo povo de Setúbal. É de Azeitão, finalmente Azeitão tem um presidente. Foi um homem que ajudou a construir tudo o que cá está. O legado não é só meu. É de todas as pessoas que trabalharam comigo. Eu sou a cabeça de lista, mas ninguém caminha sozinho. Sou talvez a mais refilona e a mais exigente. Essa exigência que imprimi fez com que se conseguisse que toda a equipa estivesse comigo. Os trabalhadores foram excecionais, na motivação, na proximidade e empenho que tiveram. Isto foi uma grande onda, mas o André Martins estava na onda. 

Acredita na vitória da CDU nas autárquicas?

Claro que sim. 

O que deixa por fazer em Setúbal?

Tanta coisa. Uma cidade nunca está acabada. Mas gostaria muito que já tivessem feito as casas sociais a que nos estamos agora a candidatar. Mas só agora é que houve oportunidade financeira, as habitações sociais são da responsabilidade do Governo. Gostaria de sair daqui com os bairros todos reabilitados. Eles já estão bonitos, mas melhores como vão ficar. Gostaria de sair daqui com casas para toda a gente. Para as pessoas que estão à espera e alguns há tantos anos. Seria de facto o ponto máximo.

“Está um bocado maltratado. Aquele Ginjal, Cacilhas têm um potencial de outro mundo e eu tenho garra para fazer as alterações.”

Depois, gostaria que estivesse reabilitada toda a frente ribeirinha com a marina feita. Gostava que o viaduto já tivesse sido deitado abaixo. Já tínhamos dinheiro para isso, mas era preciso que estivesse feita a passagem da linha férrea, que estivesse mais atrás, como já está feito o projeto para a Cachofarra, mas estamos a falar de uma obra de quase seis milhões de euros. Aquele bairro é lindíssimo, o Bairro das Fontaínhas, está a ser todo reabilitado, aquilo podia ser uma coisa muito bonita sem o viaduto e ainda vou com esta tristeza no coração, mas acredito que o André Martins ainda o vai fazer. 

Parte para Almada para ganhar? Acredita na Vitória?

Claro, se não também não ia. 

O que a motiva?

Esta experiência deu-me conhecimento novo, uma visão nova das cidades. Quando tinha 17 anos formei uma Comissão de Moradores em Almada e ficou lá a vontade de limpar e arrumar as coisas. Uma cidade tem de ser como a minha casa. Apresentável e limpinha. Quando me fazem este desafio, mudaram a minha vida radicalmente. Portanto, tenho alguma dificuldade em ver-me fazer outra coisa que não seja transformar cidades para melhorar. Para dar qualidade de vida às pessoas. Dá-me um gozo muito grande. Portanto, isto transformou-me e abriu-me outra perspetiva de estar na vida. Fiquei com outro olhar e acho que ainda posso dar muito. Acho que ainda estou com muita vontade de fazer isso e porque não perto de casa?

Moro em Almada há 52 anos e Almada está a precisar assim de uma pessoa que tenha esta garra e motivação que eu reconheço que tenho. E olhar para aquilo e dizer “Meu Deus, aquele Tejo tapado ali, com uma vista tão maltratada”. Porque é que não se vê bem Lisboa? Está um bocado maltratado. Aquele Ginjal, Cacilhas têm um potencial de outro mundo e eu tenho garra para fazer as alterações. Alterações que têm de se verificar do outro lado das praias. Aquilo tem de ser rentabilizado de outra forma, do ponto de vista turístico e das pessoas que ali moram. Temos de dar brilho àquela Almada. 

Clique aqui para ler a primeira parte da entrevista.

Acompanhe aqui a segunda parte da entrevista.


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