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Maradona: ‘El Pibe’ partilha génio, polémicas e data da morte com George Best

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O génio do ex-futebolista Diego Armando Maradona desapareceu hoje, quando se cumprem 15 anos da morte do norte-irlandês George Best, que também sobressaiu nos relvados e teve uma vida social recheada de polémica.

O avançado celebrizado nos anos 60 pelos ingleses do Manchester United morreu em 25 de novembro de 2005, num hospital de Londres, acossado pelo alcoolismo, que já o tinha levado a passar o Natal de 1984 na prisão e acelerou um transplante hepático em 2002.

George Best tinha 59 anos e viveu os últimos dias ao lado da família e do amigo e companheiro de profissão Denis Law, tendo autorizado que a imprensa fotografasse o seu rosto moribundo numa cama do hospital, em jeito de alerta às novas gerações.

Além dos problemas de fígado, a deterioração dos rins resultou num homem dominado pela fraqueza física e com tonalidade amarelada, que assistiu à falência múltipla de órgãos cinco dias depois do derradeiro retrato de uma figura do futebol mundial.

George Best nasceu em 22 de maio de 1946, em Belfast, e cultivou desde cedo uma relação habilidosa com a bola, que o levou a ser detetado aos 15 anos pelo Manchester United, no qual se estreou a nível sénior em 1963, e celebrizado além-fronteiras.

Sob o comando de Matt Busby, o dianteiro ‘driblou’ a intimidação alheia e eternizou um trio com o inglês Bobby Charlton e o escocês Denis Law, coroado com cinco títulos e a Taça dos Campeões Europeus de 1967/68 diante do Benfica (4-1 após prolongamento).

George Best venceu a Bola de Ouro aos 22 anos e continuou a devastar defesas, como expressam 179 golos em 470 jogos pelos ‘red devils’, enquanto secava a imaginação da imprensa, à procura de renovar a adjetivação subjacente a cada nova grande exibição.

O norte-irlandês até foi comparado à lenda brasileira Garrincha pelo desempenho no campo, mas ficou mais conhecido como ‘O Quinto Beatle’ pelo comportamento social excêntrico, pois costumava dispersar-se entre bebidas, mulheres e automóveis de topo.

Esse perfil boémio rendeu frases polémicas, episódios de indisciplina e aparições nos tablóides, culminando em problemas insanáveis no seio do clube de Manchester para o homem de cabelos longos e esvoaçantes, desapoiado desde a saída de Busby.

George Best abandonou Old Trafford em 1971, num ano em que o United desceu de divisão, e partiu para uma década de profunda decadência, entre 15 clubes e seis países, até à despedida em 1983/1984, ao serviço dos norte-irlandeses do Tobermore United.

O avanço dos anos fez sobrepor os efeitos​provocados pelo vício do álcool ao legado futebolístico, até porque o dianteiro desperdiçou fortunas, arruinou os seus casamentos e fez capa da imprensa sensacionalista britânica em 2003 por agredir a sua companheira.

Dois anos depois, em outubro de 2005, George Best foi hospitalizado de emergência por insuficiência renal, ficou internado e acabou por morrer a partir de uma infeção no pulmão, num acontecimento sentido por toda a comunidade futebolística mundial.

Não foi por acaso que na Irlanda do Norte, os fãs do ‘Belfast Boy’ popularizaram o famoso adágio “Maradona foi bom, Pelé melhor, George ‘O’ melhor”, em paralelo com dois sul-americanos que integram o lote de executantes mais consagrados da história.​​​​​​​

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Se o ex-avançado brasileiro Pelé, epíteto de Edson Arantes do Nascimento, resiste aos 80 anos, o antigo médio Diego Armando Maradona sofreu hoje uma paragem cardíaca fatal na sua vivenda em Tigre, na província de Buenos Aires, na Argentina, aos 60 anos.

À imagem de George Best, a primeira ‘rock star’ do futebol, ‘El Pibe’ oscilou uma aptidão inigualável para controlar todas as variáveis em campo, sobretudo pela Argentina e pelos italianos do Nápoles, com a deterioração social associada ao consumo de drogas.​​​​​​​

“George inspirou-me quando era pequeno. Ele era peculiar, excitante e capaz de inspirar os seus companheiros de equipa. Acho que éramos jogadores muito parecidos, dribladores que criavam a magia”, lembrou Maradona, aquando da morte de Best.

O princípio do fim do ‘astro’ argentino, dono de 358 golos em 692 partidas, remonta ao Mundial1994, com um controlo antidoping positivo, que lhe valeu a expulsão da prova logo após o triunfo frente à Nigéria (2-1) e um castigo de um ano aplicado pela FIFA.

A inquietação não era inédita, até porque Maradona admitiu ter começado a consumir drogas durante a passagem pelo FC Barcelona (1982-1984) e já tinha sido detido em sua casa em abril de 1991, com mais dois amigos, devido a posse de estupefacientes.

O médio saiu em liberdade, sob o compromisso de fazer tratamento de reabilitação, mas a carreira, manchada nesse ano pela saída atribulada de Nápoles, onde foi suspenso e condenado a 14 meses de prisão com pena suspensa, não voltaria a ser a mesma.

Maradona acabou a carreira em outubro de 1997, com 37 anos, pelo Boca Juniors, e atravessou vários tratamentos de desintoxicação, o mais famoso em 2000, quando conheceu Fidel Castro, que morreu há quatro anos, também no dia 25 de novembro.

Alternando momentos de lucidez com recaídas quase fatais, viu o corpo a deformar-se e esteve internado em várias ocasiões por crises cardíacas, hepáticas e respiratórias, num pecúlio mediático mais longo, sofrido e simbólico do que George Best.

O modesto percurso como treinador camuflou a morte lenta de ‘El Pibe’, a quem “os argentinos tudo perdoam”, incluindo o mesmo fim infeliz do craque norte-irlandês, um exemplo na forma como o ajudou a evoluir dos subúrbios de Buenos Aires ao estrelato.

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