Política

Maioria dos partidos com ‘contas certas’, PS e CDS-PP em ‘falência técnica’

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A ECFP – Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), entidade responsável pela supervisão financeira dos partidos políticos, tornou públicas no dia 17 de Julho, as contas dos partidos políticos referentes a 2019.

DR – Jornal Eco

O resultado destas é um PSD, PCP, BE, PAN, Os Verdes, Chega e Iniciativa Liberal com as contas em ordem, e um PS e CDS em falência técnica e dependendo dos seus credores para sobreviver, segundo a análise pelo jornal Eco.

O PSD é o que tem atualmente a melhor situação financeira, seguindo-se o PCP, enquanto o PS e o CDS continuam em falência técnica, sendo que também os partidos mais pequenos têm uma situação saudável, proporcional à sua dimensão.

O PSD é o partido com mais capitais próprios, 19,8 milhões positivos, segue-se o PCP com 16,7 milhões de euros e o BE com 2,6 milhões de euros, o PAN com 248 mil euros, o PEV com 174 mil euros, o Chega com 37 mil euros e a Iniciativa Liberal com 32 mil euros, sendo que o Livre não está na análise por ter uma deputada desvinculada do partido.

Nos antípodas, o PS apresenta 3,8 milhões de euros de capitais próprios negativos, assim como o CDS, que tem capitais próprios negativos de 841 mil euros.

No entanto, a situação financeira actual do PSD nem sempre foi assim, e destaca-se a melhoria com a gestão de Rui Rio, que assumiu a contenção nos gastos e a registar resultados líquidos positivos, abatendo no passivo, que passou de 14,4 milhões para 8,5 milhões de euros em três anos.

Ao mesmo tempo, ocorreu uma reavaliação do património do partido, que levou os ativos tangíveis de cinco milhões para cerca de 25 milhões de euros, e que permitiu ao PSD ultrapassar o PCP como o partido que tem contas mais sólidas, do ponto de vista dos capitais próprios.

O PCP era até há pouco tempo o partido com as contas mais sólidas e estas assim continuam com capitais próprios de 16,7 milhões de euros, apesar de ter registado prejuízos de 439,7 mil euros no ano passado.

Aqui há que ter em conta que uma fatia dos salários dos eleitos vai para o partido e em 2019, esse montante ficou acima de um milhão de euros, a que se acrescem as quotas e angariação de fundos: 3,4 milhões e 2,9 milhões em 2019, respetivamente, sendo o partido com maior receita nestes campos.

Em terceiro lugar das contas consolidadas, está o BE, apear de ter tido um prejuízo de 360,9 mil euros em 2019, uma vez que os gastos nas legislativas e nas europeias, foram quase o dobro da subvenção de campanha que viriam a receber mais tarde e que depende dos votos que cada partido recebe.

Também no BE os eleitos contribuem para o partido, mas o valor é muito inferior ao do PCP: 156,8 mil euros e em quotas, apenas encaixou 77 mil euros.

Na listagem segue-se o PAN, cujo passivo cresceu, mantendo-se assim saudável a nível financeira, tendo em conta que elegeu quatro deputados na Assembleia da República, o que lhe permitiu fechar o ano com capitais próprios de 246,5 mil euros e um resultado líquido positivo de 71,5 mil euros.

O PEV continua com uma situação saudável em proporção da sua dimensão: 174 mil euros de capitais próprios.

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Nos partidos com apenas um deputado eleito, o Chega havia feito previsões de valores elevados em donativos e angariação de fundos, que não se concretizaram e por isso acabou por gastar apenas 24,4 mil euros na campanha eleitoral para o Parlamento, bem abaixo dos 150 mil euros que previa inicialmente.

Já no caso da Iniciativa Liberal, a sua fonte de financiamento foi maioritariamente através de donativos: 96,8 mil euros, um valor superior ao que receberam PCP, CDS, BE ou outros partidos em donativos e cerca de metade do que receberam PSD e PS.

Com saldos negativos está o PS, tenha vindo a melhorar desde que negociou a sua dívida com a banca, e os capitais próprios passaram de seis milhões de euros negativos em 2016 para 3,8 milhões negativos em 2019, mas o partido continua a ter o maior passivo (19,8 milhões de euros).

As quotas também ajudaram um pouco, sendo o PS o terceiro partido que mais recebe através de quotas: 806,6 mil euros.

Outro partido na mesma situação é o CDS-PP, em falência técnica mas ao contrário do PS, tem vindo a piorar drasticamente, em parte devido aos maus resultados eleitorais nos últimos anos.

Se em 2016 o partido tinha capitais próprios negativos na ordem dos 98 mil euros, em 2019 estes aumentaram para os 841,2 mil euros, uma deterioração muito significativa da situação financeira do CDS. Só no ano passado, o partido teve um prejuízo de 227,8 mil euros.

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