Liderança em tempos de crise

Esta semana um artigo de opinião de Diogo Prates.

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Tempo de Leitura: 2 minutos

“Não me demito, não abandono o meu país”. Tenho-me lembrado muito desta frase na última semana. Foi de forma clara, decidida e honesta que Pedro Passos Coelho enfrentou a crise que quase acabou com o seu governo, o que deitaria por terra todo o esforço que tinha sido feito pelo país para sair do programa de resgate.

Perante a “irrevogável” demissão de Paulo Portas, o então primeiro-ministro manteve a clarividência e o sangue frio, chamou a si a responsabilidade e numa declaração ao país, encostou Portas à parede, ou se chegava a um entendimento no seio do governo que permitiria terminar o mandato ou iriamos para eleições pondo em causa tudo o que já tinha sido atingido, e o responsável por essa crise estava identificado: Portas. Se nessa altura, o país tivesse ido para eleições, provavelmente a derrocada do CDS seria pior que nas últimas eleições.

Costa já enfrentou uma grave crise no seu governo. Não foi uma crise económica, mas uma crise ambiental e social. Entre os dias 17 e 24 de Junho de 2017, Portugal foi assolado por incêndios de enormes proporções, morreram mais de 100 pessoas, o país estava em choque e de luto, perante isto António Costa decide não adiar as férias e ruma a Espanha na primeira quinzena de Julho.

Num momento em que o país precisava de um referencial de estabilidade emocional e de respostas, o primeiro-ministro considera que as suas férias são mais importantes que as explicações que devia aos portugueses, não só aos que perderam familiares, amigos, a casa ou o trabalho, mas a todos nós.

A Covid-19 é a segunda grave crise que António Costa terá que enfrentar, mas desta vez é diferente. Agora o vírus “poupará” as áreas isoladas (o Alentejo ainda não tem casos identificados) e as consequências serão piores quanto maior forem os aglomerados populacionais. Desta vez o problema não será lá longe em Pedrogão Grande ou em Mação, agora o problema é aqui ao lado e Costa não terá por onde fugir.

Os tempos que vivemos requerem uma liderança à altura, exige-se que os governantes ponham de lado os “focus groups” que orientam a maioria da sua actuação e tomem medidas excepcionais, mesmo que sejam impopulares. Quais devem ser as características de uma liderança nestas circunstâncias?

– Verdadeira. Pior do que ter um país impreparado, hospitais sem camas para doentes críticos, médicos e enfermeiros sem máscaras, doentes sem ventiladores, pior que tudo isto é a sensação que não estão a dizer toda a verdade. Os portugueses já provaram que toleram muito, espero que não tolerem a mentira.

– Competente. A linha SNS 24 não funciona. O melhor é assumir e tentar alterar alguma coisa, o pior é demitir quem o diz, como aconteceu ao Dr. Henrique Martins para o substituir por um “boy” Goes Pinheiro, ex-secretário de Estado.

– Corajosa. As medidas agora foram divulgadas podem ter vindo demasiado tarde. Basta olhar para o lado para ver o estado de colapso em que a Itália mergulhou, onde os médicos têm que escolher que doentes colocar no ventilador, porque simplesmente não existem aparelhos para todos. É preciso aprender com os erros dos outros e perceber que todos os recursos neste momento têm que estar direccionados para a saúde e para a manutenção de emprego.

Tempos excepcionais requerem medidas excepcionais. E líderes à altura.

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