Opinião

Levantar ou não as patentes das vacinas

Uma crónica de Miguel Saraiva.

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Recentemente ouvimos falar com frequência na comunicação social da polémica sobre se dever-se-iam ou não levantar as patentes das vacinas que nos estão a dar a esperança de um regresso á nossa vida “normal” sem as limitações impostas pelo vírus.

Uma das vantagens, seria a possibilidade de mais laboratórios conseguirem legalmente obter a autorização para produzirem as tão desejadas vacinas, aumentando assim a capacidade mundial de produção e distribuição das mesmas.

Os países mais carenciados, não teriam mesmo assim capacidade de produção das vacinas, sendo obrigados a recorrer à importação para imunizar as suas populações.

Deveriam ou não as farmacêuticas abdicar das suas patentes, quando para as conseguir tiveram que investir quantias na ordem de milhões recorrendo por vezes a capitais de risco sem garantias de retorno.

Foi a perspetiva de um negócio envolvendo toda a população mundial, que originou que um elevado número de farmacêuticas investissem fortemente na busca por uma vacina. O que significou o aparecimento de diversas vacinas em tempo recorde acima das melhores expectativas anunciadas pelos especialistas.

O levantamento das patentes poderá ter implicações negativas em futuras pandemias, já que sem garantias de um retorno financeiro elevado as farmacêuticas poderiam não investir os seus recursos da mesma forma, aumentando assim o período de tempo sem a existência de um novo tratamento.

Já agora uma curiosidade:

Albert Bruce Sabin renunciou aos direitos da patente da vacina que criou para o combate contra o vírus da Poliomielite, de modo que todas as farmacêuticas a pudessem produzir, e oferece-la por um valor reduzido.

Muitos insistiram que eu patenteasse a vacina, mas eu não quis. Este é o meu presente para todas as crianças do mundo (Albert Bruce Sabin)


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