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João Gouveia negou praxe na noite em que morreram seis jovens no Meco

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O ex-`dux´ da Universidade Lusófona João Miguel Gouveia, único sobrevivente da tragédia que vitimou seis jovens na praia do Meco, em Sesimbra, afirmou hoje no Tribunal de Setúbal que não havia nenhuma praxe quando ocorreu a morte dos colegas.

João Miguel Gouveia respondia a perguntas do advogado das famílias das vítimas, na primeira audiência de julgamento do processo cível na qual os familiares dos seis jovens que morreram na praia do Meco, em 15 de dezembro de 2013, reclamam indemnizações no valor global de 1,3 milhões de euros.

João Miguel Gouveia negou sempre que a ida à praia do Meco tivesse sido uma atividade de praxe, alegando ter sido um passeio sugerido por Tiago e por Ana Catarina, dois dos seis jovens falecidos, e negou também que os colegas tenham sido obrigados a ingerir bebidas alcoólicas, após ter sido confrontado pelo advogado Vítor Parente Ribeiro com as mensagens de telemóvel que enviou a alguns colegas, nomeadamente uma mensagem em que perguntava se os jovens já teriam bebido um `penalti´.

O réu afirmou que sobreviveu aos colegas porque se conseguiu livrar da capa do traje académico quando foi arrastado para o mar e garantiu que ainda conseguiu tocar a mão de Ana Catarina, mas não a conseguiu puxar para fora mar, tendo também ouvido um pedido de socorro de Joana, outra das jovens que perdeu a vida.

As respostas de João Miguel Gouveia não convenceram o advogado das famílias, que disse não ter dúvidas de que o fim de semana em que os sete jovens se reuniram numa casa alugada em Aiana de Cima, Sesimbra, foi um fim de semana de praxe, organizada pelo réu, e também quem definiu as atividades.

Vítor Parente Ribeiro reconheceu, contudo, que «é muito difícil contraditar aquela que é a única versão» dos acontecimentos, mas sublinhou alegadas contradições nas declarações que João Gouveia prestou ao procurador da República e o que disse hoje no Tribunal de Setúbal.

«O réu disse ao procurador que a Ana Catarina pediu autorização para levar o telemóvel e ao tribunal disse que cada um levava o que queria. E que só levaram alguns telemóveis para a praia [por razões de segurança] porque eram os mais baratos.»

Outras contradições nos depoimentos de João Miguel Gouveia passam pela forma como terá conseguido sobreviver e sair do mar, depois de ter sido arrastado pela mesma onda que vitimou seis alunos da Universidade Lusófona.

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