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Instituições cheias vs colos vazios

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Muitas vezes sou questionada, na qualidade de psicoterapeuta que atua na área da adopção, sobre a morosidade destes processos, nomeadamente os tempos de espera até à colocação da criança na nova família. São também muitas as dúvidas e interrogações sobre as crianças que residem em instituições de acolhimento e a possibilidade de adoptar as mesmas.

Na realidade, residir em uma instituição não significa que se tem a adopção como projecto de vida. Em Portugal, tal só se verifica quando se considera que estão esgotadas todas as possibilidades de um regresso à família biológica. Tal, infelizmente para a criança, pode demorar anos. Esta demora constituirá a violação de um dos direitos fundamentais da criança: o de crescer no seio de uma família.

O Estado português continuará assim a decretar a primazia dos laços de sangue e a desistir destas crianças em prole dos direitos dos adultos.

As instituições em Portugal estarão repletas de crianças que, na sua maioria, não podem ser adoptadas.

As instiuições permanecem cheias e vazios os colos dos candidatos à adopção.

Para além destas políticas, existe também um desencontro entre o perfil de criança a adoptar, por parte dos candidatos, e as crianças que podem, de facto, ser adoptadas. A maioria dos candidatos pretenderá crianças até aos 2 anos, caucasianas e saudáveis. A maioria das que esperam uma família são mais crescidas, de várias etnias e com problemas de saúde.

Urge mudar políticas e mentalidades! Para que se preencham os colos e se esvaziem as instituições!


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