Opinião

IGUALDADE DE GÉNERO OU A DESCONSTRUÇÃO DO GÉNERO?

Uma crónica de Nuno Gonçalves.

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É pacífico nos dias de hoje, ou devia ser pelo menos, que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos” (art.º 1º da declaração universal dos direitos humanos) desta premissa resulta que “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual” (art.º 13º da constituição da república portuguesa)

Ou seja, quando se fala em igualdade faz-se referencia naturalmente à idêntica posição de todos os indivíduos perante a sociedade, ao respeito pela diferença e não à sua diluição.

A questão complica-se porém quando se procura concretizar os conceitos universais acima enunciados, quanto à igualdade de género.

O que é afinal a igualdade de género? É garantir que mulheres e homens têm os mesmos direitos efectivos e sobretudo as mesmas oportunidades reais? 

Mas que direitos e que oportunidades? Mulheres e Homens são diferentes, cada género tem a sua identidade biológica, psíquica e cultural, sendo esta ultima objecto de algumas variações ao longo da história da humanidade. Portanto não são iguais. Mas são equivalentes, são duas partes do mesmo todo.

É por isso importante reflectir se a concretização do desígnio da igualdade em direitos e oportunidades para ambos os géneros tem implícita a ideia da supressão das diferenças biológicas, psíquicas e culturais entre homens e mulheres. Porque se assim for, em nome de um combate justo estaremos a apenas a desumanizar o individuo despindo-o da sua identidade, promovendo um igualitarismo empobrecedor.

Mulheres e homens são diferentes e ainda bem, essa diferença é um traço fundamental da nossa humanidade. O que essas diferenças não podem é ser pretexto para discriminar, para subjugar uma parte da humanidade pela outra.

A questão é que muitas das ideias sobre a igualdade de género baseiam-se na verdade em sinistras doutrinas da desconstrução da identidade de género, que procuram eliminar as diferenças, alegando que só assim se alcançará a igualdade.

Estas doutrinas tantas vezes propaladas com as melhores intenções, escondem o seu verdadeiro propósito consciente ou inconsciente de eugenização do pensamento e da desconstrução da dialéctica entre géneros que constitui afinal a nossa riqueza enquanto espécie.

Não somos anjos nem andróginos, somos mulheres e homens, não somos máquinas, somos animais, embora dotados de consciência e razão.

Do que necessitamos verdadeiramente é de equidade, de equilíbrio no respeito pelas diferenças de cada género, valorizando-as ao invés de discriminar, assegurando a liberdade de qualquer individuo, homem ou mulher, realizar os seus sonhos, tendo como único limite o mérito e a sua vontade.

Outra grande mistificação que graça por aí é da confusão entre identidade de género e orientação sexual, como se a desconstrução do género legitimasse as escolhas sexuais do individuo. Ora, nada mais errado, porquanto a escolha sexual de cada um é uma expressão de liberdade e de autodeterminação. É portanto, neste sentido, um direito humano, mas nada tem a ver com género.

É por isso na afirmação do respeito pela diferença entre géneros como factor de valorização do individuo que reside a verdadeira igualdade e não na sua destruição.

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A destruição do género, relativizando-o e homogeneizando-o, promove a diluição do individuo preparando o caminho, por exemplo, para a era da inteligência artificial, que convoca a servidão obediente e serena de todos (?) os seres humanos.

Portanto, tenhamos orgulho em ser mulher ou em ser homem valorizando as diferenças promovendo a equidade perante a lei e perante a sociedade. Libertemos-mos do preconceito, mas preservemos a nossa humanidade.

Para ilustrar o que acima fica dito, uma mulher pode ser uma excelente mecânica de automóveis, dependendo do seu mérito, se essa for a sua vontade, sem discriminação em relação aos homens, não pode nem deve é deixar de ser mulher por causa dessa escolha, porque é no respeito pela diferença que encontramos a igualdade. Da mesma sorte que um homem pode ser um excelente “manicura”, dependendo do seu mérito, se essa for a sua vontade, não pode nem deve é deixar de ser homem por causa dessa escolha.

Ou ainda que um homem se pode sentir mulher e vice-versa sem com isso por em causa a identidade de cada género.

A questão é civilizacional e merece um debate sério de mente aberta e despido de preconceito, o que é cada vez mais difícil no ambiente de crispação ideológica e de intolerância em que vivemos.

Ainda assim é um debate que tem de ser feito sob pena de acordarmos escravos.

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