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Grande Entrevista David Xavier: “2020 foi um ano atípico para mim e para grande parte da população”

David Xavier foi um dos nomes mais falados de 2020 no campo empresarial nos distritos de Setúbal e de Lisboa.

David Xavier
David Xavier é nova cara da Alfaparf Milano em Portugal

Com 34 anos, o cabeleireiro liderou na sinalização de problemas no setor da beleza durante o confinamento, apontou soluções aos colegas e população em geral através dos diretos feitos nas redes sociais, abriu pós quarentena obrigatória um novo salão em pleno coração de Lisboa, mas nem tudo correu de feição como quem segue o percurso de David Xavier possa pensar.


O Diário do Distrito esteve à conversa com o almadense sobre como correu este ano que agora encerra a nível pessoal e profissional e como vê o futuro perante uma anunciada crise mundial provocada pela pandemia da Covid-19.

Cauteloso, o responsável pelos visuais de Pedro Fernandes e Sofia Ribeiro desabafa sobre este ano excecional que vivemos todos e aponta para um futuro melhor em 2021.

David Xavier no Atelier Chiado Hair salon

David, o ano está quase a terminar. Foi um 2020 em cheio para si.

[Risos] De facto. Foi um ano cheio mesmo, de altos e baixos, de felicidade e tristeza, de esperança e angústia.

2020 foi um ano atípico para mim como para grande parte da população mundial.

Então, vamos começar pela parte mais positiva. Começamos pela sua nomeação como “um dos cabeleireiros para influentes de Portugal”. Como foi receber este prémio?

[Risos]. Foi uma surpresa. Nem sabia que estava “nomeado” para esta distinção.

Soube que tinha sido eleito um dos 12 cabeleireiros mais influentes de Portugal através de uma notificação de Facebook e fiquei super espantado, porque não percebi de onde vinha, quem me tinha nomeado e o porquê de estar naquela lista.

Consegui perceber, passados uns minutos, que se tratava de uma nomeação por parte de ‘O Pente’, uma plataforma digital portuguesa dedicada ao mundo dos cabelos, dirigida pela Tânia Roulin.

A Tânia, juntamente com o marido, criou, há cerca de um ano, esta plataforma que pretende dar, de forma completamente independente, a todos os profissionais de cabeleireiro, as ferramentas essenciais para existirem boas-práticas profissionais no meu setor de trabalho.

Aproveitando a sua deixa, vamos já falar então de algumas partes negativas do ano. As suas denúncias sobre os kits de cor com material de uso exclusivo profissional, que poderiam colocar em risco a saúde de quem os usou, podem ter ajudado a receber este prémio? Pelo que sei, o David foi o único cabeleireiro com exposição pública que lutou contra esta forma de negócio.

Acredito que sim, pode ter tido influência, mas não foi decisivo. Mas não é verdade que tenha sido o único.

A minha querida Anabela Pereira, uma cabeleireira de “mão-cheia”, também fez questão de se demostrar contra esta forma ilegal, perigosa e pouco ética de negócio através dos diretos que fazia nas suas plataformas digitais.

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Creio que a Anabela partilha da mesma opinião que eu – os produtos profissionais têm químicas que requerem não só conhecimento e experiência para serem manuseados, sob pena de acontecer reações químicas que coloquem em causa, não só a saúde dos cabelos, como também a saúde em geral das pessoas. Para além disso, é muito pouco ético ver colegas de profissão a fazer tutoriais em vídeo com técnicas exclusivas da nossa profissão, passadas ao “cliente-final”. Não é bonito e é moralmente condenável.

Mas parece que estava errado era eu.

As marcas mais reconhecidas repudiaram esses atos de forma pública – o Diário do Distrito chegou a noticiar a posição da maioria delas – contudo, não penalizaram quem o fez e que aparentemente lesou a qualidade dos produtos profissionais.

David Xavier com Diogo Rosa no Atelier Chiado

Voltando à sua eleição como um dos cabeleireiros mais influentes…

Sobre a eleição de um dos mais influentes cabeleireiros portugueses, o meu nome, como o dos outros, chegou através de um inquérito passado a vários colegas durante o verão deste ano e ao que parece, eles sugeriram o meu nome ou melhor, o meu trabalho, como uma grande influência para a vida profissional de cada um deles.

Acredito que, mais do que a minha posição sobre os kits de cor, os meus diretos semanais com truques e dicas sobre cabelos nos sites de redes sociais da revista Nova Gente foram também a pólvora para essa nomeação. Fui, juntamente com o grupo Impala, pioneiro a nível nacional com esta modalidade online.

Os diretos, ao princípio, estavam vocacionados mais para o público em geral, mas rapidamente se tornou um híbrido de público com profissionais a assistir e a tirar dúvidas, assim como pessoas fora da área. Senti que fui um grande apoio para estas pessoas durante os tempos incertos do confinamento.

Chegámos a atingir, numa hora, 20 mil pessoas, o que é muita gente para um tema de beleza e ainda por cima em plataformas com audiências tão heterogéneas como são as redes digitais das revistas Nova Gente e VIP.

São importantes estas distinções?

[Risos] Ainda não parei de rir com as suas perguntas. Será bom sinal? [risos]

Mas bem, se são importantes estas distinções? Enchem o ego, mas não alteram a minha maneira de estar na vida e na profissão. Vou continuar a ser o David Xavier, que nasceu em Lisboa, mas que cresceu na Margem Sul, entre Almada, Cova de Piedade, Laranjeiro, Miratejo e Marisol e que aprendeu tudo o que sabe como “princípios de cabeleireiro” com a mãe Júlia e com a cabeleireira Cidália Costa no Centro Comercial Santo Amaro, que ficava num bairro de gente de trabalho, de gente com poucos recursos económicos, mas que tinham valores pessoais que levo para a vida.

Vou continuar a ser o David Xavier que lutou para ter um salão no Centro Comercial M. Bica, em Almada, um dos locais mais cobiçados na altura para se estar e que tinha, mesmo ao lado, a concorrência feroz de grandes cadeias de salões de cabeleireiro.

Vou seguir com o mesmo empenho quando abri o Dx Master, numa das principais vias almadenses.

Mas vou, sobretudo, perseguir a vontade e o empenho de quando me aventurei, completamente sem rede, para Lisboa e abri o “pequenino” Atelier Chiado ou quando, em pleno confinamento geral, decidi apostar no Atelier Chiado Hair Salon.

Mas bom, vá, com tudo isto, o que quero dizer é que é agradável estar no mesmo lote de nomes como André Neto Oliveira, Susana Bravo, Karlos Cruz, Susana Lopes ou Ana Vasconcelos.

São todos muito considerados na área e que eu também admiro.

Diogo Rosa, Luana Vieira e Jean da Silva, colaboradores do Atelier Chiado Hair Salon

Já não é a primeira vez que o entrevistamos e o David, em todas as entrevistas, não tem qualquer problema em verbalizar nomes de colegas seus, que são, na maioria das vezes, sua concorrência direta…

Até podem ser concorrência direta, mas se fazem um trabalho que admiro, porque não dizê-lo se me perguntam indireta ou diretamente sobre o que eles fazem na sua atividade profissional?

Eles são bons.

Eu gosto de forma geral do trabalho deles. Eu não me importo de dizer que eles são bons.

Se todos os profissionais de cabelo, que têm a oportunidade como eu de estar a expor-me perante um público mais lato, fizerem o mesmo que eu, ou seja, valorizar os colegas de profissão que admiram, isso significa que a nossa classe, o grupo dos cabeleireiros, começa a ser mais considerada por todos, pela sociedade em geral.

E quem são eles, já agora?

Por exemplo, a nível editorial, de produção de moda em revistas, admiro muito o trabalho do Claúdio Pacheco, Vasco Freitas e do André Neto Oliveira. São eles que lideram as grandes produções nacionais e algumas internacionais, e isso deve ser valorizado e promovido. É uma forma de orgulho nacional e da classe de cabeleireiros.

Ao nível televisivo, considero muito o trabalho feito pela Nucha nas produções da SP Televisão.

Ao nível artístico, acho que quem não conhece os trabalhos da minha amiga Raquel Raposo e do meu amigo Pedro Ribeiro não sabe o que estão a perder. Eles são mesmo muito bons. Com o Pedro nunca tive oportunidade de trabalhar lado a lado, mas já estive com ele em alguns projetos e é engraçado, eu não sabia quem eram os artistas que ele tinha penteado, mas mal eles apareciam em palco, eu sabia quem tinha o cabelo feito pelo Pedro. Ele tem assinatura. Já a Raquel, ela é uma companheira de longa data. Para ser sincero, foi ela que me introduziu no mundo artístico e me apresentou o Arcanjo Ratibo, produtor da Move It Entretainement. Foi ela a responsável por eu me apaixonar pelo mundo do espetáculo, da cultura, das artes e do teatro. E é nesse mundo que adoro estar, porque nos dão espaço para criar penteados dentro do conceito do projeto em causa. É à Raquel Raposo que devo isso. E ninguém faz ondas a dedo como ela.

Ao nível cinematográfico, o Miguel Teixeira tem provado que sabe o que faz. Grande parte das produções de época é ele que está na linha da frente nas conceções clássicas.

Ao nível de corte, a Susana Bravo, o Carlos Almeida, o Luís Marques e o João Rocha têm dado provas que são os melhores no território português e aqui não faço distinção entre o corte de mulher ou de homem.

Ao nível da cor, o Eddy Prestes, a Patrícia Ferreira, a Cátia Monteiro, a Bruna Santana, o Berto Viana e a Anabela Pereira têm mostrado que não importa o produto que eles têm por trás, eles dominam a técnica de coloração. As páginas digitais deles são prova disso.

A nível das extensões, a Mafalda Perfeito. A Mafalda faz “tricot” com o as extensões. São trabalhos de arte. Divido algumas clientes com ela, e é fantástico mexer em cabeças preparadas por ela. Estão sempre perfeitas.

Ao nível da ciência capilar, o Cláudio Peixoto é, provavelmente, o mais competente cabeleireiro tricologista do país, o que mais sabe da área, o que mais estuda sobre o assunto.

Ao nível empresarial, a Marina Cruz, a Lúcia Piloto e a Isabel Queiroz do Vale são as minhas referências pelos impérios que conquistaram e que ainda conquistam. Para além disso, são as três figuras históricas do mundo da beleza. É graças a elas, e também ao Eduardo Beauté, que devemos a valorização da nossa área perante o grande público e não apenas no nosso segmento de mercado. É graças a elas as três e ao Eduardo que começámos a ver o mundo dos cabelos a surgir na imprensa, na televisão e a sermos todos valorizados como parte integrante e essencial deste século XXI.

Depois, tenho outras pessoas que admiro muito por tudo aquilo que são e por toda a força que têm enquanto profissionais. São elas a Liliana Alves, a Paula Biscaia, a Ana Sofia Freitas, a Ana Rita Santana, a Christine Silva, a Cristina Rodrigues, a Sandra Fidalgo, a Elisabete Teixeira ou a Sónia Ferraz.

Mas eu não admiro só trabalho de colegas nacionais.

A nível internacional, tenho vários que admiro e tenho a honra de ser, de muito deles, amigo. O meu grande exemplo e também mentor é o Eliabe Moreira. Ele é o diretor criativo da Alfaparf Milano no Brasil e foi ele, quando aos 20 anos integrei esta empresa como Cabeleireiro Estilista, me deu todas as bases de corte e estilismo e foi ele também que me ensinou que um “bom corte pode ser estragado por um mau styling” e que por isso, “nunca devemos deixar ninguém fazer styling depois de nós, os cabeleireiros, termos feito o corte”.

O Eliabe Moreira é um modelo de cabeleireiro a seguir e eu baseio-me nele pelo profissionalismo, pela técnica, pela busca pela perfeição, pelo conhecimento infinito e constante formação, pela postura, pela classe e pela elegância, pela cultura, pela humildade, pela partilha despreocupada de saberes e por falar várias línguas.

Do grupo de cultura italiana ou latina, como é o Eliabe, admiro também o trabalho do espanhol Ramiro Mata, que tem uma academia de renome em San Sebastian, e com quem já tive o gosto de partilhar palco em eventos internacionais. A Maria Fernández Grimaldos e a Yolanda Mestres Angles também grandes referências para mim, tendo já trabalhado com elas em vários momentos quer em Portugal, Espanha ou Itália. Também sigo com bastante atenção o trabalho de Kenny Scorrano, um cabeleireiro de Milão que é muito multifacetado.

Depois, numa cultura mais germânica, admiro muito a Lesley Jennison e o Tyler Johnston, assim como o grupo criativo ibérico X-Pression, que até podem vir de Espanha, mas a escola deles é do norte da Europa.

David Xavier com o ator João Batista no Atelier Chiado Hair Salon

E o David, onde fica no meio disto tudo?

Eu? Eu fico no meio [risos]. Faço de tudo um pouco e acho que o que faço, faço-o bem-feito. Apesar disso, onde me sinto mais como “a minha praia”, é no corte, de homem ou de mulher; nas colorações naturais, sobretudo nos louros, e nos brancos; nas extensões de cabelo com aspeto natural e nos peteados artísticos, ou como agora se diz, no ‘styling’.

Eu sou um misto de culturas de cabeleireiro.

As minhas bases foram dadas pela minha mãe, a Júlia Xavier, num pequeno salão de cabeleireiro que ela tinha no Centro Comercial Santo Amaro no Laranjeiro e pela Cidália Costa, que era uma cabeleireira que trabalhava num salão concorrente no mesmo shopping.

Mas, na altura, não havia concorrência como existe agora.

Eramos todos amigos e era um motivo de orgulho ver o filho da Júlia, ou seja, eu, a roubar as chaves do salão da mãe com apenas 15 anos de idade e ir experimentar com os amigos e as amigas as técnicas que aprendia com elas, muitas vezes, só por observação. Eu costumo dizer que, com elas as duas, aprendi por observação ou com elas a liderar as “aulas informais” as bases, o clássico, o que é essencial para se ser um bom profissional.

Digo muitas vezes – e uso sempre esta metáfora da dança – que com a minha mãe e com a Cidália aprendi o “Ballet Clássico dos Cabelos”, e quero com isto dizer que aprendi todas as técnicas de corte, coloração, de serviços técnicos, como se aprendia antigamente, na “escola antiga”. Em suma, aprendi a fazer “omeletas sem ovos”, como elas muitas vezes tinham de fazer.

Pouca gente com a minha idade sabe fazer uma laca com produtos caseiros, tirar amarelos dos cabelos com recurso a ingredientes não profissionais. Eu sei, e só o sei porque elas me ensinaram, porque na época delas não existiam os produtos que hoje existem e elas tinham de fazer os mesmos efeitos que hoje determinados produtos fazem num abrir e fechar de olhos.

Depois da “escola” da minha mãe e da Cidália, fui fazer vários cursos nas associações de cabeleireiro e clubes artísticos nacionais e foi, num desses momentos formativos, que fui “raptado” pelo Dimitri Mazzolini para a Alfaparf Milano e fui integrado na equipa de estilistas da marca.

A minha formação certificada vem daí, da Alfaparf Milano.

Foi esta empresa que, há 15 anos, decidiu apostar em mim, dando-me a oportunidade de estudar nas melhores escolas de cabeleireiro da Europa.

É graças a esta marca e ao Dimitri que iniciei o meu percurso profissional de forma totalmente diferente do comum em Portugal.

Nunca cheguei a tirar a Carteira Profissional de Cabeleireiro, porque fiz módulos idênticos, iguais e até mais exigentes nas várias academias que eles têm espalhados no Velho Continente.

De Madrid, a Barcelona, a Sevilha, a Valencia, a Milão, a Bréxia, a Roma, a Veneza, foram várias as escolas profissionais de cabeleireiro que frequentei durante os nove anos em que estive ligado à Alfaparf Milano.

Mas os cursos que mais gostei de fazer, e que me foram proporcionados pelo Dimitri, foram os que fiz na Mahogany, em Londres. Mesmo quando já não fazia parte da empresa, mantive contacto com a academia britânica e para fazer alguns upgrades à minha formação.

Depois disso, estive com a Schwarzkopf Professional e com eles também tive a oportunidade de percorrer algumas escolas de renome internacional como foi o caso de aprender a colorir com os Xpression, que são um grupo de criativos espanhóis de influência alemã, tal como já disse.

Fora isto tudo, aprendi muito também com a experiência em campo.

No salão, com as minhas equipas e com os meus clientes, nas produções que fiz para revistas, espetáculos, teatros, televisão, cinema e publicidade.

E com tudo isto, o que quero dizer é que eu sou um sumula de todas estas experiências.

Sou uma espoja que absorve vários estilos, várias culturas, várias formas de trabalhar, e que adapta constantemente cada uma delas à minha maneira de ser e de trabalhar com vista a um trabalho final de excelência, quer esteja em salão ou em bastidores.

Já falou do Atelier Chiado Hair Salon. É um projeto de sucesso?

O Atelier Chiado Hair Salon é ainda um projeto.

Ainda não assentou. E porquê? Porque surge renovado após desconfinamento.

É um projeto ambicioso que deveria ter crescido mais do que cresceu se não fosse o surgimento da pandemia. Houve muitos projetos dentro do projeto Atelier Chiado que foram adiados e alguns mesmo cancelados.

Se é um sucesso?

Não sou eu que o tenho de dizer. Que trabalho todos os dias para que seja, isso sim, é verdade. E espero que seja realmente, de forma consolidada, num futuro próximo. Quando tudo o que está a acontecer, a nível de saúde pública, passe.

É difícil segurar o “barco” quando se trabalha de forma completamente independente.

Não tive apoio exteriores como grande parte das pessoas.

Nenhuma marca me montou o salão ou projetou o salão. Foi tudo da minha cabeça e da minha equipa.

Passei por alguns momentos de aflição e de pânico, mas tudo se resolveu. Tive grande apoio de alguns membros da minha família e dos meus amigos.

Aliás, acredito que parte do sucesso e da boa exposição que o Atelier Chiado e eu tivemos desde maio se deve, sobretudo, à amizade que as pessoas têm por mim.

Os meus amigos e os meus clientes fizeram e fazem questão de publicitar o meu espaço e o meu trabalho de forma pública e quase constantemente. Sou grato a todos eles.

Sei que tenho alguns amigos e clientes com uma exposição pública muito forte e que isso me ajudou muito.

Para além dos amigos e clientes anónimos, que muito estimo e que muito agradeço o apoio constante ao longo de quase 20 anos de carreira, neste momento, nestes últimos meses, e até durante o confinamento, os mais conhecidos nunca me deixaram na mão.

Cada um deles, à sua maneira, e atendendo ao público que os segue, inventou iniciativas públicas comigo só para me dar visibilidade e promover-me.

Estou inteiramente grato a todos eles, em especial à Sofia Ribeiro, ao Pedro Fernandes, à Jessica Athayde, à Mariana Monteiro, ao Rodrigo Castelhano, à Iolanda Laranjeiro, ao Marcantónio Del Carlo, à Rita Ribeiro, à Maria João Luís, à Sandra José, à Maria Ribeiro, ao João Mota, ao Leonardo Vieira, à Suzy, à Sandra Botelho, à Beatriz Costa, ao Miguel Tira-Picos, à Mónica Alves, ao Arcanjo Ratibo, ao João Batista, ao João Santos, ao Marco Capela ou até mesmo ao Kevin Richardson dos BackStreet Boys.

Cada um deles, à sua maneira e da melhor forma que sabem, colocaram-me numa posição de destaque, enaltecendo o meu trabalho, chamando, por consequência novas pessoas para conhecer o meu ofício.

Então, o sucesso do Atelier Chiado e do David não se deve apenas a si?

Não. Nunca. Deve-se a um conjunto de circunstâncias, de oportunidades, de pessoas.

Deve-se a tudo o que já referi e deve-se às equipas com que trabalho, tanto no Atelier Chiado como no Dx Concept Master em Almada.

Eu sou o resultado de várias interações, de várias dinâmicas, de várias experiências.

Eu não sou nada nem ninguém sem as pessoas e os ensaios sociais que se cruzam comigo diariamente.

O que espera para 2021?

Espero um ano melhor que 2020. Mas sem grandes expetativas.

2020 era o ano em que tudo ia acontecer e pouco ou nada do que estava previsto aconteceu. Há muita coisa em cima da mesa que ainda tem de ser estudada e programada.

Atualmente, e face às incertezas nas áreas da saúde, das finanças e da economia, a nível nacional e internacional, é difícil dar como certo tudo o que está previsto eu fazer.

Mas há novidades quanto à sua carreira, certo?

Sim, há, bastantes. Mas está tudo ainda muito no ar.

Já temos uma “folha de trabalho”, mas nada em concreto que possa anunciar de forma clara e taxativa.

Mas o que é que nos pode dizer sobre o seu futuro, a sua carreira, os seus projetos, para 2021?

Tal como já disse, não posso adiantar muito sobre o tema.

Ainda estou em negociações, a definir objetivos e a analisar propostas.

Mas, os mais atentos à minha comunicação pública, já se aperceberam de uma reaproximação a uma empresa que me diz muito e que já a referi ao longo desta entrevista.

Quer dizer que está de volta a uma das antigas empresas para quem já trabalhou?

Sim, Alfaparf Milano.

Porque está de volta à Alfaparf?

Não estou de volta à Alfaparf. Estou de volta a casa. A perspetiva é diferente. [risos]

A Alfaparf é a “minha mãe profissional”. A Alfaparf investiu “forte e feio” na minha formação durante quase 10 anos, no início e consolidação da minha carreira profissional.

Após o meu statement sobre os kits de cor, recebi algumas palavras de elogio por parte de “gente importante” da Alfaparf, em que me diziam que o que eu estava a fazer era quase um serviço público, já que, em Itália, de onde é originária a marca, muitos dos contágios de Covid-19, foram provocados por parte de comportamentos pouco seguros de cabeleireiros. E o que eu estava a fazer, com aquele texto, era alertar as pessoas para o perigo do manuseamento de produtos profissionais bem como para o perigo do atendimento presencial de pessoas em salão sem haver qualquer tipo de indicação das autoridades competentes.

Desde daí que a minha relação com as direções da marca líder do setor cosmético em Itália voltou a estreitar-se.

Em setembro, e a propósito do lançamento da nova linha de caracóis e pelos 40 anos da marca, recebi uma prenda e uma mensagem especial.

Afinal, há 10 anos, aquando dos 30 anos, tinha sido eu uma das figuras principais apresentadas na CosmoProf, uma das maiores feiras mundiais do setor de cabelo, que acontece todos os anos em Itália.

Desde daí que temos estado em contacto, mas sem grandes aproximações. Até que no último mês, tudo mudou.

Mas surgiu uma proposta da parte da Alfaparf entretanto?

Sim. Uma proposta ainda em aberto, mas que, nas suas bases, tem tudo a ver comigo e com a minha maneira de estar no mundo dos cabelos.

Ainda é muito cedo para dizer que papel vou assumir.

Sei que será um papel interventivo e participativo em vários ramos da marca. Mas sei que, sobretudo, será benéfico, para mim, ao nível de carreira.

A Alfaparf Milano conhece-me bem.

Desde o polo português, ao espanhol, ao italiano ou até ao brasileiro, todos eles me conhecem e sabem como gosto de trabalhar. Tenho na Alfaparf gente que me viu crescer, como é o caso da Paula Gonçalves, da Christine Silva ou do Dimitri Mazolini.

Apesar de ter saído da marca há quase oito anos, continuei sempre a acompanhar a sua evolução. Conheço quase todos os produtos, desde os técnicos ao cuidado capilar. Há uma ligação sentimental à marca, para além do reconhecimento do produto de excelência que é.

Quando será feito o anúncio oficial que está de regresso à Alfaparf?

O anúncio oficial será feito pela Alfaparf Milano em janeiro com o cargo que foi assumir e com tudo em detalhe. Mas não serão lançadas as novidades todas de uma vez. As negociações estão a ser lideradas pelo diretor geral da marca em Portugal, o Miguel Ângelo, sob o olhar atento do Dimitri Mazolini, a pessoa que mais confio naquela empresa.

Eu conheço ainda pouco o Miguel Ângelo. O Miguel assumiu a liderança da sucursal portuguesa da Alfaparf na fase em que já estava de saída. Conheço o percurso dele feito no mundo da cosmética e sei que ele tem trazido ideias inovadoras para a marca em Portugal. Acho que vai tudo correr bem entre nós.

A comunicação de tudo o que iremos fazer em conjunto está a cargo do gabinete de marketing da Alfaparf e da minha assessoria. Tudo a seu tempo se saberá.


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