Feliz Dia das Mães? 

Um artigo de opinião por Rita Cássia, (Arte Educadora e Antropóloga) sobre o Dia da Mãe que não o é para todas as mães.

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Um artigo de opinião por Rita Cássia, (Arte Educadora e Antropóloga) sobre o Dia da Mãe que não o é para todas as mães.

Há Mães que não podem celebrar este dia simbólico, dado que foram assassinadas. Há mães que não podem celebrar com seus filhos e filhas a alegria de estarem em suas companhias, alegria de todos os dias, visto que seus filhos e filhas estão a viver um grande embuste: o da residência alternada entre mães e progenitores agressores disfarçados de bons pais que estão a ser acobertados pelos Tribunais e afins.

O Estado lucra: não é necessário pagar as pensões de alimentos às famílias monoparentais cujos “pais/agressores/bonzinhos” descreveram em processos iniciais de regulamentações parentais de que não vão pagar pensões de alimentos porque as mães irão utilizar tais valores em seus benefícios próprios. O que estes mesmos “pais/agressores/bonzinhos” não sabem é que em tal regime de guarda de crianças, eles poderão ter de pagar as pensões de alimentos na mesma.

A mãe portuguesa que tentou proteger a sua filha pequenina que tinha problemas de saúde, ambas vítimas de violências domésticas, mãe que foi acusada pela assistência social de colocar a sua filha em perigo, sem que tenham tido nenhum conhecimento sobre o estado de saúde da criança, retirando-lhe a sua filha violentamente e entregando-a ao pai agressor, e que agora a criança é obrigada a viver em regime de residência alternada entre mãe vítima e pai agressor?

A mãe brasileira a quem queriam obrigar a fazer mediação familiar com o seu agressor, a quem nunca quiseram compreender quais os problemas psiquiátricos que ele tem e que podem ser prejudiciais ao desenvolvimento saudável do próprio filho, e que por isto tem que conviver com o seu filho em residência alternada com tal pai agressor?

A mãe brasileira a quem disseram-lhe que tinha problemas psicológicos profundos porque tentou proteger o filho de um pai com comportamentos sexuais inadequados e agora a criança que tentou se suicidar aos nove anos de idade tem de crescer em regime de residência alternada? A mãe avó luso-brasileira que tem que conviver com a falta de sua filha luso-brasileira, que foi obrigada a conviver com o seu neto em regime de residência alternada com um algoz, e como tal, foi assassinada por ele?

Muitas mães têm sofrido violências por parte do Estado português, uma vez que insistem em desvalorizar as vozes das vítimas de violências domésticas, arquivando processos-crimes, transferindo os problemas familiares para as regulamentações parentais e tornando mães e crianças reféns de seus algozes, sejam eles homens pais patológicos e/ou agressores machistas que de nada têm de “bonzinhos” e que necessitam de uma justiça restaurativa não romanceadora da família feliz.

A presunção jurídica de residência alternada não é solução adequada para a construção de uma sociedade igualitária entre homens, mulheres e crianças. Não há famílias iguais, portanto não há histórias de vidas iguais. Cada uma tem a sua história de vida, e deveriam ser analisadas individualmente aquando de processos cíveis, e/ou criminais. No entanto, como preferem continuar a invisibilizar as violências domésticas e institucionais que estão a ser perpetradas contra mulheres e crianças e que são estruturais em Portugal, o melhor mesmo talvez será as mulheres começarem a despertar e passarem a não engravidar.

Ser mãe nos tempos que correm pode ser extremamente perigoso para a futura saúde psíquica da mãe, bem como para o desenvolvimento saudável da criança, se estiverem inseridas em contextos de violências domésticas, entre outras situações de vulnerabilidades sociais. Caminhamos socialmente entre abismos enquanto adultos, sem ouvirmos as gerações de crianças de hoje, sujeitos detentores de direitos, que apenas o são, formalmente.

1 COMENTÁRIO

  1. E quando entregam os filhos ás mães porque são mães e acontece como no caso das meninas afogadas em Caxias, pela mãe? E outras situações semelhantes que ocorreram antes e depois, com as crianças exclusivamente à guarda da mãe?
    E outros casos de agressores namorados da mãe, e que potenciam essas agressões porque o pai nem tem voto nem presença porque foi afastado para ser substituído pelos novos pais?
    Nem sempre são os pais os agressores e as mães as vítimas. E até muitas vezes os pais passam a ser vistos como agressores porque foram denunciados falsamente ou até provocados para serem agressivos e afastados.
    A residência alternada não é justificação para o não pagamento de pensões de alimentos, pois que maioritariamente o dia a dia com os filhos têm mais custos que uma pensão média. E pensões acima do custo mensal é sim, a exploração e a exigência de mais que o devido, já que muitos pagam pensão até nos meses de férias e fins de semana que estão com os filhos, duplicando os seus gastos.

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