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Federação Portuguesa de Autismo critica termo ‘autista’ usado por Camilo Lourenço em artigo

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O presidente do Conselho Executivo da FPDA – Federação Portuguesa de Autismo, Fernando Campilho, criticou o título e frases usadas pelo comentador Camilo Lourenço num artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios

Numa nota publicada na página da Federação, Fernando Campilho afirma ter ficado «estupefacto ao tomar conhecimento da publicação de 27 de janeiro de Camilo Lourenço no ‘Jornal de Negócios’, em que este afirma, referindo-se à Ministra da Saúde, que ‘só um autista do pior é capaz de dizer uma estupidez destas’».

O presidente da Federação considera esta «uma afirmação insultuosa para todas as Pessoas com Autismo e suas famílias, discriminatória das pessoas com deficiência e revela uma grande insensibilidade e ignorância.

Uma Pessoa com Autismo é direta, verdadeira e não é capaz de fazer afirmações incorretas.»

Fernando Campilho relembra ainda um comentário de Marta Temido a 29 de setembro de 2020, «infeliz e desajustado, dizendo que ‘a governação não é autista’.

Da altura lembro o excelente artigo no jornal Público de Sara Rocha, uma jovem com autismo, que afirmava ‘A Ministra da Saúde diz que a governação não é autista – mas eu sou’.»

Recorda também que nessa altura a Federação Portuguesa de Autismo nessa data enviou uma carta à Ministra «a insurgir-se contra a sua afirmação uma vez que ela pediu imediatamente desculpa pela mesma».

Agora perante o que Camilo Lourenço escreveu no dia 26 de Janeiro, «não aceitamos a afirmação de Camilo Lourenço, nomeadamente quando diz ‘um autista do pior’, como se ser ‘autista’ pudesse ser do pior ou do melhor!

Esta é uma expressão em si contraditória, uma vez que uma Pessoa com Autismo não é do melhor ou do pior, é só um cidadão que tem direitos reconhecidos pela Convenção das Nações Unidas dos Direitos para as Pessoas com Deficiência, e pela nossa Constituição.»

Fernando Campilho termina considerando que «a nossa sociedade tem que ser inclusiva e não podemos permitir que a expressão ‘autista’ reentre no nosso léxico como uma forma de insulto, como foi corrente nos fins do século passado.

Neste ano, em que Portugal comemora 50 anos da criação da primeira Associação em Lisboa que visou a defesa de Pessoas com Autismo, não podemos deixar passar em claro a afirmação de Camilo Lourenço.»

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