F. 11 ANOS IMPEDIDA DE IR À ESCOLA

Publicamos hoje uma carta aberta partilhada pelo blogue Quadripolaridades acerca da situação de uma jovem que nasceu com Spina Bífida e com uma bexiga neurogénica, e está impedida de frequentar o 5.º ano de escolariedade na Escola Pedro Eanes Lobato, no Seixal, por falta de condições para garantir o seu bem-estar.

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Publicamos hoje uma carta aberta partilhada pelo blogue Quadripolaridades acerca da situação de uma jovem que nasceu com Spina Bífida e com uma bexiga neurogénica, e está impedida de frequentar o 5.º ano de escolariedade na Escola Pedro Eanes Lobato, no Seixal, por falta de condições para garantir o seu bem-estar.

 

A F. é uma miúda de 11 anos. Vaidosa, coquete, bem disposta, meiga, divertida e que nasceu com Spina Bífida e com uma bexiga neurogénica.

O facto da bexiga da F. não funcionar na sua plenitude obriga-a a ter que fazer um procedimento clínico de esvaziamento vesical via algaliação de três em três horas.

Durante o primeiro ciclo este procedimento foi assegurado – e bem- pelo Centro de Saúde. Tentou-se, durante estes quatro anos, capacitar a F. para fazer o procedimento de forma autónoma mas ela tem algumas dificuldades a nível psicomotor e também de maturidade que dificultam a tarefa, pelo que, levará mais tempo até o conseguir.

A F. transitou este ano para o 5º ano e foi acolhida com sete pedras na mão. Ou melhor, não foi acolhida.

O Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato no Seixal impede-a de frequentar as aulas afirmando que o corpo docente e não docente não tem responsabilidades na realização deste procedimento.

O Centro de Saúde do Seixal afirma que não consegue assegurar este procedimento por falta de recursos humanos e por não ser da sua competência, sem terem orientado e encaminhado a situação antecipadamente de modo a prevenir a vergonha que se está a viver agora e a garantir a dignidade desta criança.

A escola começou vai para três semanas e a F. não conheceu novos professores, não reviu os colegas e tem ido todos os dias, às costas da mãe para o trabalho desta (porque tem marcha claudicante e anda com dificuldades) , para não ficar sozinha em casa e colocando em risco o posto de trabalho da progenitora e cujo salário é o ganha-pão de toda a família,

Neste jogo de empurra responsabilidades é garantido que o superior interesse da F. não está assegurado nem do ponto de vista da Saúde nem da Educação, estando privada de cuidados fundamentais a todas as crianças. A todos os seres humanos.

É da responsabilidade do Estado que somos todos nós proteger as crianças. É da minha responsabilidade contar-vos cheia de raiva e exasperada que a mãe da F. liga-me há vários dias à noite a chorar, com uma tristeza profunda pela discriminação com que a filha é vetada pelos serviços de educação e saúde porque nasceu com uma deficiência.

A F. um dia aprenderá a auto-algaliar-se, estou certa. É um procedimento delicado e respeitaremos o seu ritmo de aprendizagem e a sua maturidade para o fazer.

Mas, até lá, alguém dos serviços de Saúde deste país tem que o garantir sob pena da menina perder a sua função renal a curto/médio-prazo. Sob pena de não poder voltar à instituição “Escola”, a mesma que denuncia pais à CPCJ em caso de absentismo prolongado dos alunos mas que relativamente à F. faz questão da a empurrar para esta situação de discriminação profunda.

Mas, até lá, alguém dos serviços de Educação deste país tem que garantir que a F. vai à escola, como qualquer aluno da sua idade o faz há três semanas.

A F. tem 11 anos. Vaidosa, coquete, bem disposta, meiga, divertida … até quando?

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