Europa Brexitada

Um artigo de opinião de João Casaca, presidente da Comissão Politica Concelhia do CDS-PP Sesimbra.

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Esta semana, um artigo de opinião de João Casaca, presidente da Comissão Politica Concelhia do CDS-PP Sesimbra.

Recentemente tive a oportunidade de estar presente numa acção de formação política sobre a Europa e as suas peculiaridades onde naturalmente o Brexit, a “operetta” europeia do momento, foi alvo de um painel de debate.

A organização mostrou alguma ousadia no painel ao convidar dois representantes – um francês e um irlandês – de países cujas relações com o Reino Unido são periclitantes, no caso francês, desde 1066, e no caso irlandês desde 1169, isto sim foi ousar! E ousadia pode bem ser uma palavra que defina ou pelo menos possa ajudar a explicar toda a composição desta “operetta”!

Depois de tudo o que tenho ouvido e lido sobre o Reino Unido nestas últimas semanas quase que me sinto no papel de fazer de Advogado do Diabo e defensor da Velha Albion.

Considero que existe um pouco de arrogância generalizada presente em todos aqueles que têm comentado e se debruçado sobre este tema. Estando nós a falar de uma das mais antigas democracias do mundo, que exportou o liberalismo para a Europa e para o mundo, isso exige de nós algum respeito mesmo que eles não o tenham por eles próprios.

Falamos de um país que apesar de estar geograficamente na Europa nunca se considerou ou quis considerar parte da Europa, assumindo-se como se fosse parte de outro continente e exprimindo essa dimensão extra-continental muito para além da Europa. Será que pudemos falar de saída de um país que nunca esteve verdadeiramente dentro da “Europa”?

A própria complexidade territorial do Reino Unido é enorme e tem sido completamente ignorada por muitos comentadores que misturam o Reino Unido (Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda do Norte) com as Dependências da Coroa (Ilhas do Canal e Ilha de Man) e ainda os Territórios Britânicos Ultramarinos (que incluem Gibraltar e outros territórios espalhados um pouco por todo o mundo) tudo na mesma equação e perante os quais se apresentam várias dificuldades de negociação pois alguns destes territórios apesar de estarem ligados ao Reino Unido não fazem parte da União Europeia, dai que talvez o melhor será deixar sair os britânicos e convidar o Ducado da Normandia a integrar a União sob a forma das Ilhas do Canal!

Depois e perante toda a dificuldade e indefinição de todo este processo, inverto a questão que coloquei em cima: será que Reino Unido vai mesmo sair da UE? Será que o deixam sair?

Independentemente da resposta a estas questões, a pergunta que se coloca sobre o futuro da Europa e qual a Europa que teremos depois do Brexit só pode ter uma resposta: teremos e falaremos de uma Europa do medo, onde será fácil entrar mas quase impossível sair, uma Europa assustada, talvez assustada e amedrontada sejam adjectivos demasiado fortes, mas teremos certamente uma Europa receosa de si própria.

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