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Eucaliptos por medronheiros: Quercus e Acréscimo denunciam ilegalidades em Pedrógão Grande

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A QUERCUS e a ACRÉSCIMO denunciam a falta de ações públicas para o reflorestamento e reordenamento da floresta em Pedrogão Grande, após o incêndio que destruiu a região em 2017.

Num comunicado conjunto, dão conta de que têm visitado regularmente a região e detectado a falta de replantação da floresta, «nomeadamente com espécies autóctones», e que «a omissão do Estado gerou a oportunidade para a intervenção das celuloses».

«No início de junho, a associação da indústria papeleira (CELPA) anunciou, através de um vídeo, estar a promover o projeto demonstrativo ‘ReNascer Pedrógão’, apresentando-o como uma ‘iniciativa emblemática no país’, de ‘gestão florestal exemplar’, baseado num processo ‘rigoroso’ e com ‘apoio técnico continuado’, que pretenderia ‘contribuir para a reposição dos serviços do ecossistema’.

Todavia, a realidade difere do anunciado» acusam as organizações.

As entidades referem que «na parcela aprovada pelo ICNF, em setembro de 2020, para a instalação de medronheiro, foi confirmada a presença de uma plantação de eucalipto» e que «neste e em núcleos adjacentes, a QUERCUS e a ACRÉSCIMO constataram que, na anunciada intervenção na construção e beneficiação de caminhos e aceiros, tendo em vista uma ‘maior resiliência aos incêndios’, os eucaliptos só não se visualizam nas faixas de rodagem.

Foram plantados até aos limites de caminhos e aceiros.»

Outra denuncia é relativa aos «fortes impactos decorrentes da extrema mobilização dos solos, com a construção de terraços em plena margem direita do rio Zêzere, que gerou um enorme volume de carbono emitido para a atmosfera, bem como produz um significativo acréscimo do risco de erosão.

Esta injustificável mobilização do solo ocorreu em plena Reserva Ecológica Nacional (REN) e no enquadramento do Plano de Ordenamento das Albufeiras de Cabril, Bouçã e Santa Luzia (POAC).»

Para a QUERCUS e a ACRÉSCIMO «esta insistência no eucalipto revela falta de visão estratégica e compromete o futuro do território pela maior vulnerabilidade aos incêndios e pela perda de serviços dos ecossistemas.

A aposta em espécies mais resilientes ao fogo, como é o caso do medronheiro e a de muitas outras plantas da nossa floresta nativa é essencial para uma resposta estrutural aos problemas que enfrentamos.»

A QUERCUS e a ACRÉSCIMO desafiam também a CELPA – Associação da Indústria Papeleira «a comprovar a inexistência de mais ilegalidades noutros projetos da sua responsabilidade ou por si promovidos, bem como pelas suas associadas» e denunciam «a incapacidade do Estado, nomeadamente do ICNF, na fiscalização das ações de arborização e rearborização que autoriza. Essa incapacidade converte-se num prémio à especulação e à infração, com a consequente expansão da área de eucalipto».

Por último, a QUERCUS e a ACRÉSCIMO exigem ao ICNF que acione os mecanismos previsto em lei para a reposição da legalidade na parcela prevista para a instalação de medronheiro, a par de outras em que sejam identificadas situações de adulteração de projeto. Exigem ainda que o Instituto comprove a situação de rearborização com eucalipto na área global de intervenção do projeto demonstrativo.


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