Estilhaços do 6 de Outubro

Esta semana um artigo de opinião de Pedro Guerreiro Cavaco.

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As eleições trouxeram-nos um teatro nunca antes visto e em tão pouco tempo já se fizeram sentir os estilhaços dos números eleitorais.

À esquerda, o Bloco, ainda que mantendo o mesmo número de deputados, perdeu mais de 60.000 votos o que, ainda que os sorrisos o tenham procurado disfarçar, foi um mau resultado, uma derrota.

O PCP foi, a par do CDS, o grande derrotado da noite eleitoral. Perderam um enorme número de deputados e será hora, penso, de se questionarem das razões. Serão de facto exógenas? Mas será mesmo? Não parece.

Voltarão às ruas, não duvido, com a CGTP na busca de uma ideia política que a geringonça, por meio de um romantismo de esquerda, lhes retirou.

A simpatia e a postura institucional de Jerónimo de Sousa, não bastam. E os elogios (merecidos) de Costa de partido fiável, não chegam. Terão de mostrar muito mais que a ladainha costumeira. A Intersindical Nacional poderá dar uma ajuda.

O Livre que antes era um partido com uma liderança moderada perdeu, ele próprio, protagonismo para a deputada eleita, Joacine Katar Moreira, que defende exclusivamente causas (poucas), como sejam o feminismo, a o racismo e os direitos LGBT. E daqui não sai. Há uma limitação evidente. E como símbolo destas manifestações, o seu assessor foi, também ele, protagonista, ao levar saias para a Assembleia da República. O que é o Livre ao fim e ao cabo? Uma feira de vaidades individuais? Quem é quem e o quê? Só se vêem protagonismos individuais. É isto o Livre?

Mas o que escrevi acima sobre o Livre, escrevo sobre a Iniciativa Liberal. Não foi o acaso – tenho certeza – que motivou a saída de Carlos Guimarães Pinto. Aliás, o seu comunicado tem tanto conteúdo nas entrelinhas que se pode especular sobre o que aconteceu dentro da IL. E logo a seguir, ainda o cadáver de CGP estava quente, e já João Cotrim Figueiredo admitia a possibilidade de liderar a IL. Juntando as peças… não será difícil adivinhar as movimentações políticas.

Sobre o CDS nada se sabe. Não têm muitas soluções. Externamente, o antigo líder Manuel Monteiro (que espera pacientemente a decisão para regressar ao partido) pisca o olho ao partido afirmando que “pode dar um contributo” para o seu crescimento.

Manuel Monteiro teve o seu tempo. Saiu, fundou a Nova Democracia. O seu tempo ficou lá atrás. Sem embargo, se contribuir para o crescimento do CDS não implicar liderança, tenho certeza que os contributos serão válidos.

Não vislumbro muitas saídas ao CDS. O rosto que galvanizaria o partido pode rumar à IL (futurologia minha) e chama-se Adolfo Mesquita Nunes. Ninguém melhor que ele para o momento actual. Por todas as razões.

Aqueles que são, neste momento, candidatos a candidatos ou putativos candidatos não têm, a meu ver, carisma algum e o partido, de novo em táxi, poderá acabar em carros de cesto.

Mais à direita, o CHEGA não deslustrou. Todos sabemos ao que vem e André Ventura disse que estava no Parlamento para ir ao encontro dos mais de 60.000 votos obtidos, e não para fazer amigos. E não os fará. Mas os seus discursos iniciais, impactantes, não contrariaram as expectativas de quem votou CHEGA.

Mas há dúvidas sobre o CHEGA. Por exemplo, haverá partido além do seu líder? Outra, será o CHEGA um partido do momento ou terá futuro? O que Ventura fizer terá, para o bem e para o mal, consequências nos actos eleitorais imediatos. A questão é o “além Ventura”. O que será o CHEGA sem ele?

Deixei para último o PS e o PSD. E vou focar-me no debate ocorrida na AR. Caiu mal as questiúnculas entre Costa e Rio. Na Assembleia, os deputados perguntam e o governo responde. Se assim não for, para que servem os debates senão para esgrimir futilidades que nada interessam ao país?

Por exemplo, ninguém até hoje percebeu a razão do tamanho do governo.

Por que são tantos Ministros e Secretários de Estado?

Ventura criticou e Rio perguntou. E Costa devia ter respondido.

Mas não. Devolveu ao líder do PSD com um “preocupe-se com o tamanho da sua bancada”.

Desculpem, os portugueses querem perceber esta e outras questões e rematar com frases que em nada contribuem para o esclarecimento da causa é, no mínimo, pouco sério.

Sobre Rio, já o escrevi, estrategicamente vai aproveitar o tempo de antena para fazer campanha interna. Será o deputado mais interventivo, mais filmado e isto não é acaso. Bem sabia o líder do PSD quão protagonismo retiraria da liderança da bancada parlamentar. Alimentar a ideia de “animal feroz” conferiu-lhe uma recuperação nas eleições e Rio terá percebido que esse era o caminho.

O Rui Rio da campanha eleitoral veio para ficar até… às eleições internas do PSD. Se as vencer, voltará a ser um Rio moderado.

Pergunta final. O que estão a fazer a Centeno?

 

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