Opinião

Estamos à rasca com a “Geração Google”!

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Eu ainda sou do tempo onde Sócrates era ainda um modelo, que todos respeitavam e reconheciam como um sábio. A sua frase “eu só sei que nada sei” era o nosso ponto de partida para reconhecermos a necessidade de uma aprendizagem permanente. O conhecimento não era algo estanque mas sim um processo evolutivo e muitas vezes correctivo. Confesso que me tem perturbado ver que este ensinamento de Sócrates está, cada vez mais, caído no esquecimento.

Nos dias de hoje se perguntarmos às novas gerações quem foi Sócrates, muitos respondem que é um antigo Primeiro-ministro conhecido pelas frases “eu não sei” ou “não me lembro”, que tem uma “super” mãe e amigos que todos desejamos.

E a culpa é da Globalização! Foram a Globalização dos Mercados e a “Democratização” da Comunicação ou, como é conhecida, a Era da Informação Global, que deram inicio a esta nova Geração.

A Geração que tem o Mundo ao alcance de um clique!

É o que chamo “Geração Google” (e atenção que atribuo este nome a uma grande empresa não de forma inocente mas porque pretendo tirar dividendos financeiros e ser reconhecido como um “Influencer”!!!)

A frase que pode ficar conhecida como caracterizadora desta Geração é “eu sei tudo”.

O papel dos pais foi relegado para uma posição subalterna com a classificação de desinteressante e desnecessário. Se fossemos um banco estaríamos classificados pela agência de ‘rating’ Moody’s como “lixo”. A Globalização foi a nossa crise de “subprime” e cada um de nós teve um “Bernard Madoff” para nos mostrar que a pirâmide onde reinávamos ruiu.

Como pai assisto atónito às discussões nas redes sociais, onde 80% são adolescentes, a digladiarem-se sobre os vícios e virtudes de ideologias politicas, descriminação, xenofobia, racismo, violência doméstica, feminismo, ou mesmo a influencia dos arrotos das vacas nórdicas no aquecimento global. Com Greta Thunberg percebemos que eles não estão a brincar. Confesso que no final de cada pesadelo ainda ouço o grito “How dare you!” e acordo encharcado em suor e com os olhos lacrimejantes a dizer “Desculpa! A culpa é minha, só minha!”

Com essa idade nós queríamos ser jogadores da bola, polícias, bombeiros, engenheiros… A profissão dos nossos pais era a nossa perfeição e eles eram os nossos maiores ídolos. Agora o sonho é ser Youtuber e o sentimento pelos pais podem ser analisados em curvas como o ciclo da vida dos produtos “Introdução (0 – 4 anos) – Deuses; Crescimento (5 – 15 anos) – Ídolos; Maturidade (15-16 anos) – Bons; Declínio (a partir dos 17 anos), a fase How dare you! Depois a curva só volta a crescer quando os filhos passam a pais e normalmente nunca mais decresce.

Ainda me lembro dos meus dias de infância e adolescência onde dizia aos meus pais “posso ir jogar à bola com os meus amigos?”, e a resposta era sempre a mesma “claro, mas não demores muito, olha que tens de pensar no futuro” (e confesso que também “não partas mais nenhuma montra”, mas isso não interessa para o meu brilhante raciocínio). Ou perante “o que estás a fazer meu filho?”, “a ver um bocado de televisão”, “vai estudar filho, olha o teu futuro”.

O futuro… o nosso dia-a-dia era sempre encarado como uma preparação do futuro. Aprendemos a viver acelerados no tempo, o hoje não era mais do que o passado do amanhã. Mas mesmo assim tínhamos a noção que para chegar lá tínhamos de aproveitar cada dia para crescer mas nunca abdicando de ser “crianças”. As “etapas” não eram saltadas pois não tínhamos pressa de ter responsabilidades que ainda não eram nossas.

A conversão de uma parte significativa da adolescência à “Igreja Universal do Reino da Net” aumentou o nível de literacia da sociedade, mas isso, por si só, não é sinonimo de aumento de conhecimento real e inteligência.

A internet faz-me lembrar os supermercados e a regra básica da sua utilização: não vá às compras com fome! Quando esquecemos esta premissa simples o carro das compras não chega e quase tudo nas prateleiras se atira para o mesmo. Os produtos ganham “vida própria” e passa de um processo de adquirir bens essenciais e em falta, para a um processo similar a “adopção em massa”, onde queremos “tomar conta” deles todos e estamos ansiosos para os levar para casa.

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A internet enferma do mesmo vício e defeito. Se não usada para pesquisa específica (e com a compreensão que é apenas mais um canal de transmissão, que como todos os outros tem de ser validado), quando damos conta já enchemos a mente com todo o tipo de informação, muitas vezes contraditória.

E como reagem os adolescentes? Para continuarem a manter a sua imagem “cool”, têm de ter uma opinião sobre tudo. Para eles é impossível assumirem que ainda não formaram uma ideia sobre as temáticas “quentes” sociais. Afinal, é só pesquisar na internet e tem lá tudo… Quem se “atrasa” já não tem lugar nos inúmeros “grupos de certezas absolutas” que esta Geração dissemina pelas redes. Neste caso nem estão sozinhas pois as gerações logo anteriores, se não foram afectadas pela Globalização, tiveram contacto com o que chamo Síndrome Cavaco Silva e também elas acreditam que “nunca se enganam e raramente têm dúvidas”.

O raro tornou-se a diferença e claro, num Mundo que se quer igualitário, as diferenças são vistas como nefastas e, por isso, é preferível nunca terem dúvidas. São Gerações separadas pela “nascença” mas unidas por um “ideal”.

Um dia ouvi o filho de um amigo meu a dizer-lhe, quando ia passar uns dias a casa dos avós, “agora não te posso ajudar. O que não souberes fazer vai à net pois está lá tudo”. O meu amigo olhou para mim envergonhado e eu descansei-o “olha que o puto pode ter razão. Não desdenhes uma ciência que não dominas”. “Vamos fazer um teste, traz ai o computador”. E lá fomos nós navegar no Google (2 citação) e escrevi “fórmula para a inteligência”… “Olha! É com Ginkgo Biloba…” (reparem que ignorei a marca Cerebrum pois não devemos dispersar a atenção dos receptores).

Como falar com esta Geração é por vezes uma “Missão Impossível”, e até o Tom Cruise se teve de render à Cientologia, a minha proposta foi esse meu amigo fazer um Blog com o titulo “Fórmula para a Inteligência”, mas usando um heterónimo. Esse Blog teria apenas a imagem de Albert Einstein com a sua citação “Duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao Universo, ainda não tenho a certeza absoluta” e ter fé que o puto perceba…

E deste fenómeno de “necessidade de aceitação social a qualquer preço” cresce o flagelo da intolerância. O seu conhecimento é feito de textos dispersos, de chavões, de raciocínios “sem fio condutor” que não sejam apenas o do autor. E os motores de busca da internet são “evolutivos”, isto é, aprendem com as pesquisas de cada um. Se estivermos a informar-nos nos “textos errados”, o motor de busca, na sua “inteligência artificial”, cria um “fio condutor” de pesquisa que nos enviesa totalmente o pensamento. E estes “miúdos” nem percebem isso.

A “Geração Google” (3 citação) navega para um futuro de extremismos de posições. É manipulada diariamente para acreditar em coisas que muitas vezes nem seriam os seus caminhos “escolhidos”. Acham que a sua afirmação pessoal passa por assumir posições sociais com uma responsabilidade que ainda não é deles. Não analisam nem criticam o seu conhecimento “fast-food”.

Leem, percebem o “sentimento” dos grupos que as rodeiam e a partir desse momento debitam as suas opiniões como se do fim do Mundo se tratasse. E cada temática leva a dois grupos completamente antagónicos de intervenção. Cada um acusa o outro de desconhecimento. Cada um acusa o outro de intolerância. Cada um ataca o outro com uma violência assustadora. E o que se procura com este tipo de posições? Fazer com que a outra parte reflita e analise a questão em causa? Promover a mudança de opiniões ou comportamentos? Não. Procuram a descredibilização e o “extermínio” da parte contrária.

Cabe a todos nós contrariar este crescimento exponencial da “Geração Google” (4 citação com bónus de marketing). Como? Com inteligência, humildade, sentido de autocritica e capacidade de reforma.


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