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Degradação do SNS causou mortes que podiam ter sido ‘evitadas’

Eugénio Rosa publicou um estudo onde refere a degradação do SNS antes da pandemia

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A conclusão é de um estudo do economista Eugénio Rosa, que considera o estado de ‘fragilização’ em que se encontrava o SNS no início da pandemia causou mortes que podiam ter sido evitadas.

De acordo com Eugénio Rosa, se o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não fosse submetido a um subfinanciamento crónico, e se tivesse investido em equipamentos e profissionais, as consequências em vidas perdidas, sociais e económicas certamente não teriam sido tão duras.

Além disso, esse estado de ‘degradação’ causou também a «a destruição enorme» da economia por ter obrigado aos sucessivos confinamentos.

O estudo foi hoje divulgado e com este, Eugénio Rosa pretendeu analisar a diminuição da esperança de vida em Portugal e a redução do número de anos vida com saúde, quando na maioria dos países da União Europeia se verificava precisamente o contrário, «mostrando que isso é uma consequência da degradação crescente do SNS devido ao desinvestimento e à falta de meios», refere a Lusa.

Eugénio Rosa acusa ainda o Governo, e nomeadamente a ministra da Saúde, de «se esforçarem para convencer os portugueses que a culpa das elevadas perdas de vida e do colapso de muitos hospitais é apenas da pandemia, e que era impossível evitar isso, a verdade é outra».

De acordo com o economista, «a degradação do SNS por falta de investimento em equipamentos e em profissionais estava a determinar que os cuidados de saúde a que a população tinha acesso eram cada mais difíceis e escassos» apontando como exemplo a ‘missão impossível’ de utentes sem médico de família para obterem uma simples consulta, e a ‘tortura’ em marcar «uma consulta de especialidade ou realizar uma cirurgia».

Segundo Eugénio Rosa, tudo isto tem «consequências dramáticas» para os portugueses a nível de esperança de vida que, entre 2006 e 2017 tinha aumentado de uma forma continua, de 79 anos para 81,6 anos, e a partir de 2017 inverteu-se com «uma diminuição cada vez mais acentuada».

Enquanto se verifica em Portugal uma diminuição de anos de vida com saúde (de 63,6 anos em 2012 para 59,2 anos em 2019), nos países da UE aumentou de 61 anos para 64,6 anos.

Para o autor do estudo, «a pandemia tornou visível a situação grave em que se encontrava o SNS como consequência do subfinanciamento crónico, da falta de profissionais de saúde devido à ausência de carreiras, de remunerações e condições de trabalho dignas, o que promoveu a promiscuidade público-privada (profissionais de saúde a trabalharem simultaneamente no SNS e em hospitais privados), a baixa produtividade no SNS, e a deficiente cobertura da população de cuidados de saúde».

Por outro lado, a antiga ministra da Saúde, Ana Jorge, considerou que o Serviço Nacional de Saúde vai sair reforçado da pandemia, em declarações recolhidas pelo Diário do Distrito, aquando da homenagem que lhe foi prestada no Hospital Garcia de Orta.


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