Esta Lisboa que eu amo!

Esta semana a crónica de Isabel de Almeida relembra a cidade de Lisboa nesta pandemia da Covid-19

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Lisboa, a nossa amada Capital, é hoje um pálido retrato do esplendor de há poucos meses atrás. Ruas quase vazias, tirando alguns grupos pequenos de pessoas mais corajosas que arriscam uma visita às zonas comerciais da baixa da cidade ou em Shoppings e alguma restauração.

Neste momento toda a área metropolitana de Lisboa (que abrange Concelhos e Freguesias a Norte e Sul do rio tejo) encontra-se a vivenciar uma situação especialmente complexa e diria mesmo assustadora devido ao crescente contágio com corona vírus, tendo já sido assumido publicamente pelas entidades competentes que não está a conseguir controlar-se os focos de infecção/contágio nesta região do pais, o que levou a um recuar nas medidas de desconfinamento, com a aplicação de normas mais restritivas (e temo seriamente que venham a agravar-se tais restrições num futuro muito próximo).

Devo confessar-me cada vez mais apreensiva com esta pandemia e com a sua evolução actual no nosso país, em especial onde a mesma se encontra mais problemática (até porque resido numa freguesia da área metropolitana de Lisboa e fui impedida por força das circunstâncias de trabalhar e de me deslocar a Lisboa, tendo aderido ao regime de teletrabalho).

Mea culpa, mas as máscaras, viseiras e normas de distanciamento social não me conferem sensação alguma de segurança, antes acentuam o meu desconforto (até mesmo em termos de respiração dificultada e cansaço físico associado ao seu uso se prolongado) em diversos contextos, e por mais tempo que passe, mea culpa novamente, não consigo sentir-me razoavelmente tranquila nos locais onde me desloco por necessidade pessoal ou dever de ofício, em especial espaços fechados onde tenha de permanecer algum tempo (por exemplo, Tribunais, serviços de saúde, estabelecimentos comerciais, correios).

Pessoalmente, como Lisboeta que sempre retirou um imenso prazer de voltar à sua cidade, foi uma total mudança de modo de vida, e mesmo em termos laborais, deixar de me deslocar à Capital. Naturalmente, equaciono como possível e até bastante previsível ter de, a todo o momento, deslocar-me a Lisboa, mas é assustador o sentimento de inquietação, ansiedade e mesmo medo que tal ideia me causa, em especial face à agudização da situação epidemiológica ali verificada e em toda a área metropolitana, com incidência agravada em algumas freguesias de Concelhos limítrofes à Capital.

Reflectindo sobre que medidas podemos tomar, individual e colectivamente, para resolver este problema e minorar os riscos e contágio efectivo, urge reconhecer que a responsabilidade é colectiva, é de cada indivíduo ou grupo (sempre que não se cumprem as normas individuais impostas) mas é também de operadores económicos e decisores políticos (que acredito que queiram dar o seu melhor, mas que reconheçamos, têm dado exemplos que reforçam a violação de normas pela população em geral, como a disparidade de critérios de tratamento de eventos onde existem e não existem limites: vejam-se os eventos políticos que acontecem quase normalmente e com elevado risco – aliás ainda hoje se avizinha mais uma manifestação em Lisboa, de cariz político, que não me parece de todo uma atitude de bom senso quanto a quem organiza e relativamente às autoridades que o permitem).

A cada um de nós exige-se a consciência de evitar o mais possível comportamentos de risco, aos governantes exige-se coerência, bom senso e bons exemplos pedagógicos, e aos operadores económicos exige-se sensatez, racionalidade e um esforço que, no fundo, é exigido a todos nós.

Se é certo que têm ocorrido fenómenos de irreverência social, com festas em massa organizadas contra as regras, concentrações imensas de indivíduos indiferentes à saúde pública e aos riscos ( e com repercussões já confirmadas em termos de contágios), há que parar para pensar de forma global e ponderar algo que, de tão óbvio, parece até ser esquecido: que medidas têm de ser forçosamente seguidas em termos de prevenção de contágio através das redes de transportes? (aéreos, terrestres e fluviais). Será sensato continuar a permitir a circulação de passageiros nos nossos aeroportos sem qualquer controlo sanitário (não seria razoável exigir a realização de teste prévio e apenas permitir a entrada a quem provar estar negativo em termos de testagem?) e os transportes públicos colectivos? Reconheça-se de uma vez que a rede de transportes públicos é de um potencial de contágio elevadíssimo, e admita-se de uma vez por todas que os operadores têm privilegiado o lucro (ou o menor prejuízo) ao invés de assegurar a satisfação das necessidades dos utentes em condições mínimas de segurança para a saúde (não pode aceitar-se a redução de frequência e uma consequente maior concentração de passageiros sem se conseguir cumprir o distanciamento social e a lotação reduzida dos transportes). Aliás, de que serve termos a população contida na sua maioria, impedida de beber café depois das oito da noite mas cientes de que na segunda feira essas mesmas pessoas para trabalhar têm de se deslocar num metro, autocarro ou comboio totalmente em sobrelotação perante o que seria recomendado e recomendável?

Todos temos visto nas redes sociais fotos ilustrativas daquilo que se passa nos transportes públicos, também já mereceu a questão alguma cobertura mediática, mas é preciso ir mais além, não basta assobiar para o lado e enterrar a cabeça na areia como a avestruz.

Outra questão, vários municípios prontamente repuseram as tarifas de estacionamento habituais, logo que cessou o estado de emergência, e questiono eu: não será mais seguro reduzir estes encargos para que os condutores possam dar uso preferencial ao transporte pessoal privado (reduzindo a necessidade de uso dos transportes públicos e permitindo alguma racionalização)?

Podem os leitores achar que estou a exagerar, mas acreditem, o uso de transportes públicos nestes tempos é das coisas que mais me assusta ( e que evitarei até quando e onde me for possível) mas temos de reconhecer que são imprescindíveis mesmo à retoma da economia, e ao dia a dia de tantas e tantas famílias, e é este um problema sério que tem de ser olhado de frente, pensado e resolvido!

O futuro é incerto, como tal, temos a responsabilidade de fazer do presente o melhor possível face às adversidades inegáveis e que vieram para ficar!

Não peço muito, peço apenas para poder visitar a minha amada Lisboa sem ter medo de por lá circular, eu e todos os visitantes que assim o desejem ou de tal tenham necessidade.

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