Opinião

Escapes: barulho ou segurança?

 Os escapes são o acessório motard que mais discórdia causa na sociedade. Principalmente entre motociclistas e não motociclistas.

De um lado da equação os adeptos das duas rodas querem ouvir e ser ouvidos. Mas, referem também que se trata de um mecanismo de segurança, que permite que os automobilistas os identifiquem mais facilmente. Do outro lado, as autoridades e a comunidade não motociclista que passaria bem sem os mesmos, chegando inclusive a queixar-se do seu “barulho”.


Nos Estados Unidos chegou mesmo a existir uma campanha, divulgada sobretudo em tshirts e autocolantes, e que ainda nos dias de hoje se vê, que dizia simplesmente: “Escapes barulhentos salvam vidas”.

Não podemos deixar de assentir que a presença destes escapes constitui uma clara vantagem no que toca a assinalar a presença de um motociclista.

Da realidade que temos conhecido desde o nascimento da APAVAM by Patrícia Tenreiro, quer de sinistros posteriores ao nascimento da mesma, quer dos que ocorreram antes e cujos intervenientes têm vindo a partilhar connosco, a larga maioria dos sinistros que envolvem motas, diria que 90% (sendo simpática) são provocados por automobilistas. Além disso, a maioria acaba com a frase: “não vi a mota”.

Pelo que, é claro, há inúmeras vantagens de ser ouvido ao longe, ainda antes de ser visto.

Digam lá: Quem nunca passou por um susto e teve a perceção clara de não ter sido visto!? Todos nós passámos!

Contudo, não chega! Olhemos para mim que, não ouvi por não ter ficado capaz de tal, mas posteriormente li “vinha lá uma mota”. O automobilista viu e ouviu, mas… ainda assim não foi o suficiente.

Certo que, para aqueles que não têm de todo gosto pelas motas, tampouco são capazes de entender aquilo que se vive e sente em cima de uma, estes escapes serão única e exclusivamente uma fonte de ruído.  

Certo é que, um escape dito audível faz anunciar à distância a aproximação e presença de um veículo de duas rodas, levando a que os condutores automóveis, cada vez mais agarrados aos seus smartphones e com os rádios elevados, se apercebam da presença destes veículos.

Mas, a segurança não se aplica apenas aos motociclistas mas também aos peões. Já todos nós, independentemente do veículo que usemos, fomos confrontados com o tipo de peão mais “distraído”. Aquele que vê a passadeira e imediatamente se colocar na mesma, inobservado a presença de veículos em circulação. Também para estes, quer as motas silenciosas, quer os veículos elétricos, passariam facilmente despercebidos. E, como bem sabemos, não se imobiliza uma mota com a mesma facilidade e rapidez com que se imobiliza um veículo automóvel. Pelo que, em caso de colisão sempre teríamos duas vítimas no verdadeiro sentido da palavra.

Não, não defendo que se desafiem os limites dos decibéis, tampouco as pessoas (que as há) que acham que andar de mota tem como intuito fazer barulho e acelerar bastante para dizer “estou aqui, olhem para mim”. E dirijo-me a estes como pessoas, no geral, e não como motociclistas pois, claramente com esse comportamento e atitude não o serão. Mas, tudo quanto possa contribuir para salvar vidas na estrada deve ser utilizado.

 Sim, o barulho de alguns escapes é demasiado e incomoda muita gente. Mas há demasiadas coisas que são incómodas para muita gente. E esta, sem dúvida, pode salvar vidas!


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