Opinião

Envelhecimento ou População Envelhecida?

O Envelhecimento da população é um dos maiores desafios da Europa. A Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa avisou que o envelhecimento da população é um dos maiores desafios que o continente enfrenta.

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Aquela Comissão definiu quatro grandes eixos estratégicos de reflexão para os governos europeus:

O primeiro, consiste na integração do envelhecimento, que passa por uma prevenção ativa em matéria de saúde, uma adaptação da cidade às pessoas idosas, um acesso mais fácil destas à Internet e o aumento da sua participação no mundo associativo.

A desigualdade de género no domínio dos rendimentos dos reformados é o segundo desafio. As mulheres europeias ganham menos do que os homens e trabalham mais na economia informal. Vivem também mais tempo e, por conseguinte, as suas pensões são menos elevadas. As soluções recomendadas pela Comissão são que sejam autorizadas licenças parentais para o pai e a mãe bem como uma fiscalidade que incentive o trabalho feminino, tendo em vista alcançar a igualdade entre os sexos no que se refere às pensões.

O terceiro tema de reflexão é o desenvolvimento do consumo das pessoas idosas. Pelo que deverá haver uma adaptação dos produtos e serviços às pessoas com mais de 65 anos.

O quarto desafio é o acesso dos reformados à vida social. Recomenda-se, assim, soluções que visem simplificar os procedimentos administrativos, taxas preferenciais para os exames médicos e ajuda nas tarefas quotidianas

Porém, e associada ao envelhecimento da população, devemos fazer um paralelismo e não podemos nem devemos descurar que a reduzida taxa de natalidade é, também ela, um dos problemas mais estruturais da europa e de Portugal. O Eurostat divulgou estatísticas que mostram que Portugal é o segundo país da União Europeia com a taxa de natalidade mais baixa. Pior só a Itália, sendo que países como Espanha e Alemanha surgem pouco melhor do que Portugal.

Para além dos conceitos ou fenómenos do envelhecimento e da taxa de natalidade, não podemos excluir, também, a diminuição da taxa de mortalidade. São três temas que se correlacionam entre si! Ou melhor dizendo, a sua conjugação dos dois últimos representa e justifica a alteração do primeiro. A taxa de mortalidade diminuiu tendo em conta, entre outros, a melhoria dos hábitos de higiene pessoal, a melhoria das condições de trabalho, como a redução do número de horas diárias e as melhores condições de segurança, a diminuição da taxa de analfabetismo. Ou seja, temos três tendências que se articulam entre si, mas que ao mesmo tempo o decréscimo de umas promove a ascensão de outras! O que se disse sobre a diminuição da taxa de mortalidade não é nem mais, nem menos, do que a exemplificação de alguns fatores ou condições que contribuíram diretamente para o aumento da esperança de vida das sociedades contemporâneas e que, por essa via, veio introduzir não só novas expetativas, mas também outros valores e outras experimentações de vida ao longo da vida.

Contudo, importa salientar que envelhecimento não é sinónimo de população envelhecida. Na verdade, esta resulta inevitavelmente e em primeiro lugar de uma reduzida taxa de natalidade. Enquanto que o envelhecimento da população, não obstante depender da primeira, resulta em primeira mão das condições de vida que o promovem. Como por exemplo, mais e melhor saúde, assistência médica preventiva e curativa, aumento e divulgação da informação, maior integração da sociedade, alimentação mais saudável, entre outros!

É verdade que uma população envelhecida resulta do rácio entre taxa de natalidade e taxa de mortalidade. Enquanto que o envelhecimento, resulta de uma panóplia de fatores que o promovem. Designadamente, o aumento da esperança de vida. Mas tanto um como o outro, não deixam de estar intrinsecamente relacionados com a natalidade e a mortalidade. Na medida em que só se envelhece depois de nascer, e diminui-se a taxa de mortalidade falecendo-se mais tarde! Ou, dito de outra forma, envelhecendo-se mais tempo.

Por isso é que, quando a Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa afirma que o envelhecimento da população é um dos maiores desafios da Europa, é necessário perceber se se trata do envelhecimento resultante da diminuição da taxa de natalidade e do aumento da taxa de mortalidade ou se se refere ao problema endógeno da própria velhice!

Se no limitarmos, tão só, ao fenómeno do envelhecimento como resultado do aumento da esperança de vida nas sociedades contemporâneas, é notória uma alteração de atitude, vivência, experiências e expectativas dos visados. Se antes apontámos alguns fatores que influenciam o aumento da esperança de vida, este aumento irá também despertar no envelhecido, a procura de uma nova integração na sociedade à sua medida. Seja ela de âmbito do lazer, da educação ou até na continuidade da sua valorização pessoal interagindo, não obstante a idade, com novas situações e inovações que a própria sociedade lhe proporciona e, por essa via, tomar contacto não só com novas vivências, mas também com novas tecnologias, aumentando assim o seu ciclo social interativo. Pelo que sempre se poderá dizer que o aumento da esperança de vida tornará o envelhecido numa pessoa mais enriquecida tendo em conta as valências de que o mesmo dispõe. Para além de que o envelhecimento é sinónimo de experiência. Entenda-se, experiência de vida.

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