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Entrevista à mãe do jovem vítima de agressões: “O meu filho podia ter morrido…”

O Diário do Distrito entrevistou a mãe de Luís Santiago.

Luís Santiago, de 12 anos de idade, foi brutalmente agredido por colegas na escola e acabou no hospital. Depois de muito se especular e desesperar por uma queda ter deixado o jovem em tão mau estado, acabou por se saber que foram agressões de colegas que levaram o aluno do 5º ano do Agrupamento de Escolas Madeira Torres, em Torres Vedras, a temer pela vida.

O Diário do Distrito entrevistou a mãe da vítima, Marta Veloso, que deu a conhecer a situação ao detalhe.

“Ia para a aula de música e, agora com as normas, em vez de ser o professor a abrir a sala de aula, as crianças entram e esperam pelo docente, a fazerem o que quiserem, parvoíces, disparates, etc. O que o meu filho me disse, não admitindo ao início as agressões, é que tinha sido uma queda. Chega-me a casa a chorar…”, contextualizou.

O jovem não contou, ao início, o que realmente tinha acontecido porque “não queria prejudicar os outros meninos”.

O pior veio depois: “Há traumas que só se manifestam nos dias seguintes. O meu filho é asmático, acabou por ter um pneumomediastino e um enfisema subcutâneo. O primeiro é quando o oxigénio vai para um sítio nos pulmões onde não devia estar, que é o mediastino. E, a partir daí, o ar vai para a pele e pode ir para sítios onde não deve porque pode ser fatal.”

Sobre a gravidade da situação, Marta explicou que “as fugas de ar que ele tem, podem voltar a entrar e voltar ao estado inicial, e pode ser preciso que vá para os cuidados intensivos. Ele tem de estar o mais sossegado possível nos próximos tempos. Qualquer pancada pode ser fatal. Deram-lhe alta com a promessa de o mantermos em casa deitado e quieto, é um processo lento. Se sarar tudo, é com o tempo. Podem ficar sequelas”.

Luís Santiago acabou por confessar o que realmente aconteceu. “Pelo que ele me diz, foi agredido e depois tentaram-no puxar para cima, tinha sido mandado ao chão. Ficou chateadíssimo e tentou-se levantar sozinho e foi a chorar para o lugar dele. A professora perguntou se ele estava triste. Ele disse que sim, que lhe doía o braço. A professora deixou-o ir apanhar ar, ele nem foi porque era tanta a dor que parecia que não sabia andar.”.

Apontou o dedo à escola, “deixou-me preocupada esta abordagem da professora, de não querer saber mais. Ao ir embora, uma funcionária viu-o assim triste e ofereceu-lhe um chá, que passa. Sinto que não houve uma preocupação de ligar para os pais, já me contactaram por coisas mais ridículas. Ele queria ir embora. Agora começo a perceber as desculpas para não querer ir à escola. Sinto-me culpada, junto do pai dele, por ralharmos para ele ir”.

Sobre o historial de bullying, Marta explicou que a adaptação do filho à nova turma foi complicada. 

“No ano anterior, ele adorava a turma onde estava. Reprovou no 5º ano, não se adaptou às aulas de ensino à distância. Foi para outra turma e eu comecei a achar muito esquisito, ele vinha sempre muito triste. Agora é que me apercebo disso, nós ralhávamos com ele, não queria ir, fazia birras e inventavam desculpas. Os outros vêem no meu filho mil e um defeitos, é como se fosse um monstro para os outros, é um alvo fácil… Acham graça. É sempre o último a ser escolhido em educação física e para trabalhos, começou a ser excluído pelos outros. E isso afeta-lhe o psicológico”.

Ao relatar a situação à diretora de turma por e-mail, a mesma confessou que já tinha tomado conhecimento da situação, com os envolvidos a acusarem-se perante a docente. 

“A diretora de turma disse-me para ir dando notícias. Fui informando da situação de toda. Quando eu consegui puxar por ele, a minha primeira atitude foi enviar um email a expor a situação. Foi quando percebi, que me ligou, e que já sabia… ‘Eu falei com eles e disseram-me, o menino tal disse que foi ele a chorar’. A partir do momento em que recebi a resposta ao meu e-mail, o que fiz foi enviar, exatamente aquela publicação que fiz de carta aberta a uma professora (ver em baixo), e à diretora uma carta a dizer para assumirem a responsabilidade e que ativassem o seguro escolar. Nunca me responderam sobre isso, e fiquei muito chateada pelo facto de a professora já saber que tinha havido uma agressão, de não me contar, que isso podia mudar todo o diagnóstico e dar alguma calma aos médicos, e chegar mais depressa ao diagnóstico. Não entendo, custa-me a entender que as pessoas tenham este tipo de atitude, acho que isto se faz quando se tem algo a esconder”. 

Lamentou a falta de colaboração da escola, dizendo que “a única forma que tenho de chegar até eles é através de medidas legais. Fiz queixa na PSP, que por sua vez fez à escola segura, e à Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). O próprio hospital é obrigado quando é agressão, a enviar para o Ministério Público tudo o que se passa. Vai ser instaurado um processo, por parte da nossa advogada”.

Já com alta em casa, resta a Luís Santiago recuperar, uma recuperação que tem sido incomodada por mensagens de teor ofensivo e intimidatório. 

Começou a receber mensagens muito feias pelo Whatsapp. Não sei de quem são, dizem ‘vai mas é estudar’, ‘só dizes m*’, e outras tantas asneiras e de teor ofensivo. Estão a fazer perseguição, intimidação”.

Sobre o futuro do jovem, o regresso à escola é uma incógnita, com o cenário de transferência em cima da mesa.

“Ele sente-se perseguido, com medo, como vai voltar? Não pode levar embates na zona, de forma nenhuma. Pode voltar a ter aquilo que teve. Nós como pais não nos sentimos à vontade. A escola é muito importante, mas a vida dele é muito mais”.

Marta agradece as milhares de mensagens de apoio e salienta que a exposição do caso tem ajudado outros a encorajarem-se para a denúncia de semelhantes.

“Já recebi milhares de mensagens de apoio, a agradecer pela exposição do caso, mesmo de crianças que dizem que ganharam coragem para denunciar situações. Já que aconteceu uma coisa má, vamos usá-la para o bem… Vamos tentar que seja um exemplo do que deve ser denunciado. O meu filho podia ter morrido…”


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