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Encíclica sobre a Fraternidade Humana a caminho? Tema divide católicos

O Pontífice não publica uma encíclica desde Lumen Fidei (2013) e Laudato Si (2015).

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O bispo italiano Dominico Pompili disse ontem que existem “rumores de que o Papa Francisco publicará em breve uma encíclica sobre o tema da fraternidade humana”. Contudo, a Santa Sé não se pronunciou sobre esta informação, mesmo depois de questionada pela imprensa local.

Dominico Pompili, bispo de Rieti, uma diocese perto de Roma, interveio por ocasião da assinatura da Carta de Intenções que institui a Comissão Organizadora do 800º aniversário da Regra Franciscana de São Francisco de Assis, data que será celebrada em 2023.

Se a carta encíclica vier a ser escrita, espera-se que o Papa desenvolva os princípios do Documento da Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Coexistência Comum, assinado em 4 de fevereiro de 2019 em Abu Dhabi em conjunto com o líder muçulmano Al-Azhar Ahmad Al-Tayyeb.

No passado sábado, o Papa citou expressamente uma linha desse documento no Twitter, ao dizer que “Deus não precisa de ser defendido por ninguém e não quer que o Seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas”, o que dá força à tese de uma nova encíclica.

O documento, conhecido simplesmente como Declaração de Abu Dhabi, foi escrito com uma finalidade pacífica mas acabou por ser polémico e criticado por sectores mais conservadores da Igreja Católica, por dar a entender que a diversidade de religiões era querida por Deus.

De facto, no documento pode ler-se que “o pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente.”

Alguns ramos católicos classificaram mesmo a declaração como “uma traição” à doutrina católica e até “maçónica”, principalmente devido ao motivo da sua elaboração: “em nome da «fraternidade humana», que abraça todos os homens, une-os e torna-os iguais”.

Recorde-se que um dos dogmas (verdades de fé que os católicos têm de acreditar) da Igreja Católica continua a ser “extra Ecclesiam nulla salus” – Fora da Igreja não há salvação (cf. Catecismo da Igreja Católica, 846). Apesar desta verdade estar explícita no atual Catecismo, a ala mais progressista diz que o dogma tem um significado mais extensivo e subjetivo do que objetivo e que por “Igreja” deve entender-se “Cristo”. A ser levado à letra, dizem que seria contraditório com a universalidade da Igreja Católica.

Por outro lado, os católicos mais fiéis à Tradição continuam a considerar que é necessário pertencer à Igreja Católica pelo batismo e acreditar em todas as suas verdades, sendo o ecumenismo e o diálogo inter-religioso “infrutíferos” se não tiverem em vista a pertença, pelo menos em desejo, à Igreja de Roma.

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