Opinião

Em Defesa da Língua Portuguesa – Vamos ler? Venha daí!

Uma crónica de Isabel de Almeida.

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Celebrou-se a 5 de Maio o Dia Mundial da Língua Portuguesa e é tempo de recordar os nossos autores preferidos entre os clássicos da Literatura Portuguesa (Eça de Queirós, Júlio Dinis, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco,  Almeida Garrett, Camões, Gil Vicente, Bocage, Fernando Pessoa, Florbela Espanca só para citar alguns nomes) e é inevitável suscitar a reflexão acerca de autores contemporâneos que o nosso país tem para oferecer e que nos abre todo um novo caminho de oportunidades para novas leituras e novos estilos (Rita Ferro, João Tordo, Afonso Cruz, Nuno Nepomuceno, José Riço, João Pinto Coelho, Tânia Ganho,  Maria João Fialho Gouveia, Isabel Stilwell, Sara Rodi, Maria João Lopo de Carvalho, Tiago Rebelo, Sandra Carvalho, Lídia Jorge, MB Condado, Anita dos Santos, Célia Loureiro, Carla M. Soares, apenas a título de exemplo e para que possam pesquisar).

É tempo ainda de olhar para o ponto da situação do país em termos de hábitos de leitura, de escrita e da qualidade da forma como se escreve Português nos mais variados contextos.

Não se pode deixar de reconhecer que as gerações mais novas estão bem mais vocacionadas e predispostas para o uso de novas tecnologias do que propriamente para gastar parte do seu tempo livre (aproveitado ao milímetro porque também se torna escasso com o ritmo acelerado das rotinas “casa-escola-casa”) a ler um livro. Existem naturalmente excepções que confirmam a regra, mas os hábitos de leitura dos Portugueses andam pelas ruas da amargura, e facilmente se verifica entre os mais jovens a falta de interesse pela leitura que se repercute depois em dificuldades no sistema de ensino que se prendem com deficiências vocabulares acentuadas, dificuldades na interpretação de textos e de enunciados de provas de avaliação, dificuldade na expressão escrita, na exposição de ideias e na articulação de um texto bem estruturado e rico em significados e resistência à leitura de obras recomendadas pelos programas escolares sendo muitas vezes essa leitura substituída por resumos das obras disponíveis online ou mesmo, ironia das ironias, em livros de apoio ao estudo, e assim  ao invés de irmos colher as delícias da obra de Eça de Queirós directamente à fonte prefere-se ler um resumo de “Os Maias”.

Não devendo generalizar-se, a verdade é que a maioria dos alunos portugueses lê pouco ou nada, fala e escreve com dificuldades e a pressão sobre os estudantes, que vai aumentando à medida que avança o percurso escolar e que se alarga o grau de exigência dos programas lectivos (muitos deles a precisar de urgente revisão e adequação às diferenças individuais de cada pessoa, não sendo, por exemplo, a velocidade de leitura forçosamente igual para pessoas da mesma idade e no mesmo grau de ensino).

O que pode ser feito? Levar o Plano Nacional de Leitura ainda mais longe, dinamizar os hábitos de leitura dando alguma liberdade de escolha das obras, indo ao encontro dos interesses pessoais de cada potencial novo leitor, promovendo-se mais iniciativas nas escolas ( e note-se que tal pode ser bastante interessante mesmo nos  momentos em que forçosamente o ensino tenha de decorrer à distância) que passem por estratégias de motivação e estímulo da própria criatividade ( por exemplo, escrever um livro em conjunto na turma, em que sendo criado em conjunto o esboço inicial e as personagens, cada aluno seja convidado a escrever um capítulo dando continuidade e sequência lógica a toda a narrativa pré-elaborada – eis uma iniciativa que já vi decorrer este ano numa escola do Concelho de Alcochete e que incentivou os alunos a escrever e a imaginar a trama da narrativa de modo bastante envolvente).

Nos mais pequenos é de primordial importância familiarizar as crianças com o “objecto-livro” promovendo-se projectos de bibliotecas locais, regionais ou de turma com recolha de livros e incentivando a leitura realizando actividades lúdico-criativas à volta dos livros sem esquecer a importância de proporcionar troca de experiências e de opiniões, dramatização de textos das obras, realização de tarefas de artesanato/artes manuais inspiradas pelos livros escolhidos para leitura conjunta, conheço também professores que com imenso sucesso utilizam este tipo de estratégias e que, certamente, estão a formar futuros leitores convictos.

E os adultos? Bem, os adultos podem encontrar um novo hobbie bastante salutar, e tal pode ser incentivado por associações ou colectividades locais, porque não criar clubes de leitura? Junta-se um grupo de amigos, escolhe-se um tema, lê-se em conjunto e comenta-se. Pode ser interessante como estímulo à leitura, podemos contagiar mais pessoas com este vírus positivo e temos aqui o mote para conhecermos os nossos autores e porque não, para os convidar para tertúlias literárias online?

Continuo a ser uma idealista, mas acredito que se cada um de nós der um pequeno contributo é possível mudar o mundo para melhor, e que mais maravilhoso espaço de evasão do que as páginas de um livro? A palavra pode ser o que quisermos: uma arma, um vício, um sonho, uma viagem, uma terapia, uma fuga, um refúgio, uma zona de conforto, basta perdermos o medo dela! Venha daí! Vamos Ler!


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