Opinião

E as escolas, Senhor Primeiro Ministro?

Crónica de Miguel Nunes

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Portugal assistiu, com alguma espectativa e ansiedade ao desfecho do conselho de ministros extraordinário, do passado dia 31 de Outubro. O Primeiro Ministro brindou o país, com gráficos, análises, num longo discurso, que pecava por tardio.

Do conselho de ministros, resultou a renovação do estado de calamidade em todo o território nacional continental até ao próximo dia 15 de Novembro de 2020 e uma série de medidas especiais, com vista a evitar a propagação do vírus Sars Cov 2 entre a população. Para tal, o governo determinou o dever de permanência no domicílio a todos os cidadãos que se encontram a residir nos 120 concelhos, abrangidos por estas medidas especiais. Atenção que se trata apenas de um dever, e não de uma obrigação, basicamente é como quem diz: Podes ir ao café, mas deves ficar em casa! Nada de chocante, por enquanto.

Decidiu ainda, o conselho de ministros, fechar os estabelecimentos, bem como os restaurantes, por volta das 22:00h e 22:00h, respectivamente e ainda determinar a obrigatoriedade do regime de teletrabalho, independentemente do vínculo laboral, sempre que as funções em causa o permitam.

Aqui, meus senhores, e perdoem-me tal expressão, é que a “porca torce o rabo”. É que na vasta lista de medidas excepcionais, o governo nada disse acerca das escolas.

Como pode o conselho de Ministros não ter tomado qualquer medida em relação às escolas? A Fenprof já veio a público, quase que a implorar por medidas, que deveriam serem essenciais, pois trata-se de saúde pública também a protecção das crianças, jovens, professores, entre outros.

 Já se somam, mais de 500 estabelecimentos de ensino com contágios activos em Portugal, crianças, professores e auxiliares infectados, em locais onde o distanciamento social é praticamente impossível de concretizar, dadas as fracas condições de que muitas vezes as nossas escolas têm, conjugando com a falta de assistentes operacionais, que impede o bom cumprimento das regras de limpeza e desinfecção.

O governo fecha os olhos a esta situação, que é de facto preocupante. O mais irónico no meio disto tudo, é que quando é descoberta uma infecção proveniente de uma determinada sala de aula ou espaço educativo, a resposta dos delegados de saúde é tão rápida que os restantes alunos ficam à espera de “notícias”, 2, 3 dias senão mais, de quais os procedimentos a adoptar, não se procedendo à testagem imediata de todas as crianças, professores e auxiliares que estiveram em contacto com o(s) infectado(s).

É, pois, preocupante, como conseguirão as famílias portuguesas, gerir o seu teletrabalho com a gestão da escolaridade das crianças. A médio longo prazo, temo que um dos principais focos de contágio, sejam de facto as escolas, se nada for feito, entretanto.

Obviamente que a solução ideal, não passaria seguramente por manter as crianças em casa, visto o fracasso que foi o recurso à telescola, nos moldes em que foi feito. Contudo tem de haver mais protecção para as escolas e seus alunos, funcionários e professores, estes últimos, que continuam a leccionar, muitas vezes pertencendo a grupos de risco elevado. Façam-se mais divisões de turma, contratando mais professores, caso seja necessário. Contratem-se mais funcionários, auxiliares para assegurar os níveis indispensáveis de limpeza, desinfecção e segurança.

Esperemos que o governo tome em atenção ao que foi proposto pela Fenprof, sob pena de qualquer dia, os professores e todo os organismos de ensino começarem a reivindicar os seus direitos.

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