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Discurso ‘Estalinesco’ de Putin pode significar que guerra está a derrapar

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O mais recente discurso de Vladimir Putin aos russos, marcou uma mudança do tom e parece ser um sinal de que nem tudo está a correr conforme o líder da Federação Russa tinha planeado.

Considerada como ‘incendiária’ e ‘estalinista’ por especialistas de agências de segurança, a comunicação que Putin dirigiu aos russos está também a preocupar as várias nações, porque pode significar que o revés sofrido na Ucrânia o levará a tomar um rumo vingativo na sua própria casa, aumentando a repressão ao menor sinal de dissidência.

Nesse discurso, após apresentar as medidas governamentais de apoio às regiões da Federação aos quais o Governo irá atribuir poderes adicionais, Putin chamou ‘traidores’ aos que se opõem à guerra, palavras assustadoras num país onde a repressão política e o sistema dos Gulag ainda existem.

Enquanto alguns russos se manifestam a favor da guerra e da invasão, a ‘missão de paz’ como a Rússia a vende, outros têm vindo a protestar publicamente nas ruas, conscientes de que estão rodeados de polícias fortemente armados. E que muitos são imediatamente detidos.

Na Federação Russa são proibidos os protestos em massa, e agora insultar um agente da lei passou a ser ilegal.

Apesar disso, Putin sempre foi tido em grande consideração pelos russos, mas parece estar agora a mudar a estratégia, passando à intimidação directa para manter a população do seu lado.

No sombrio discurso de quarta-feira, Putin afirmou que «o Ocidente tentará confiar na ‘quinta coluna’, nos traidores nacionais, naqueles que ganham dinheiro aqui connosco, mas vivem lá. E quero dizer ‘viver lá’ não apenas no sentido geográfico da palavra, mas de acordo com os seus pensamentos, a sua consciência servil.

A referência à ‘quinta coluna’, refere-se geralmente aos simpatizantes do inimigo durante uma guerra.

«Essa gente que, pela sua própria natureza, está mentalmente localizada ‘lá’ e não aqui na Rússia, não são das nossas gentes, não estão com a Rússia. São o tipo de pessoas que não podem viver sem ostras e liberdade dos géneros» ridicularizou Putin.

«Mas qualquer povo, e ainda mais o povo russo, será sempre capaz de distinguir os verdadeiros patriotas da escória e dos traidores, e simplesmente cuspi-los como a um mosquito que acidentalmente entrou nas suas bocas.»

Para Tatiana Stanovaya, fundadora da empresa de análise política ‘R. Politik’, este discurso prova que os planos do líder russo foram gorados.

«Parece-me que tudo está a desmoronar-se para Putin, e neste discurso ele demonstra desespero, emoções fortes e também impotência», escreveu na sua conta de Telegram.

E para a especialista, o líder russo está também a perder a batalha da popularidade.

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«Isto pode ser o princípio do fim. Sim, podem torcer os braços ao seu próprio povo, encerrá-los em prisões, mas está a fazer isso sem ter já um futuro.»

Elisabeth Braw, membro do American Enterprise Institute, considera que o discurso de Putin reflectiu até que ponto o líder russo está isolado.

«O que vimos quando a guerra começou, e o que vimos agora, incluindo este discurso, é na realidade o resultado de um homem cujo mundo inteiro tem lugar dentro da sua cabeça», realçando ainda o isolamento a que se auto-submeteu durante a pandemia de covid19.

«Existe uma espécie de humilhação num país que vê fechar a McDonalds, e onde os cidadãos correm ao IKEA para comprar até ao último item. E é também aterrador para ele, se pensar na reação que terá uma população que se habituou a ter tudo disponível.»


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