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Desejo e depressão

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A depressão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), afetará mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Doença silenciosa, caraterizada por tristeza intensa e incapacitante, sentimentos de perda de valor, falta de um sentido de vida, insónia, alterações psicomotoras e do peso.

Ao longo de mais de 20 anos de prática clínica, têm sido muitos os pacientes com diagnóstico de depressão.  Tenho testemunhado o seu sofrimento e, ainda, a ignorância em relação a esta patologia.

Vivemos em uma sociedade que mantém uma atitude de desconfiança relativamente às doenças mentais. As pessoas que sofrem de depressão continuam a ser rotuladas de preguiçosas e manipuladoras. E por isso, muitas só procuram ajuda quando já se encontram numa fase avançada da doença, o que torna a sua recuperação mais morosa e complexa.

A depressão aniquila o desejo e o prazer. Para muitos pacientes, mulheres e homens, a diminuição da líbido é vivida com intenso sofrimento, frustração e angústia. Sentem-se desinteressantes e incapacitados. Temem pelo fim das suas relações amorosas e sofrem por acreditarem que não voltar a sentir prazer. Devido a este receio, muitos interrompem a toma da medicação, quando sentem que a mesma poderá estar a condicionar a sua vida sexual.

Esta diminuição de desejo sexual será temporária. Pode ser trabalhada em psicoterapia, individual ou de casal, sendo que a comunicação desempenha um papel fundamental na evolução positiva deste quadro.

O amor próprio, em primeiro lugar, e uma atitude empática, de não julgamento, por parte do parceiro serão duas ferramentas essenciais para ultrapassar esta situação.

Termino a crónica desta semana, com um apelo a todos os que sofrem de depressão: Não fique em silencio! Procure ajuda de um profissional e cuide da sua saúde mental e do seu desejo!

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