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Desconfinar os afetos

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Vírus, confinamento, máscara, desinfeção, número de casos, número de mortes, distanciamento social. Há mais de um ano que estas palavras invadiram a nossa vida.

Desde essa altura fomos forçados a aprender novos códigos, novas saudações e formas de nos (re)conhecermos.

O olhar ganhou nova dimensão e importância. Não é que os olhos falam mesmo?

O  medo  tomou  conta  da  mente  de  muitos  de  nós, a par  da ansiedade, insegurança e de um enorme sofrimento.

A solidão deu a mão ao medo e, para outros tantos, a sensação de vazio tornou-se insuportável.

Os afetos não foram proibidos, mas a expressão dos mesmos foi confinada. Limitada a uma rede muito restrita, a do agregado familiar. Perderam-se redes e sinergias que as tecnologias não conseguiram ligar.

Adiaram-se os abraços, os beijos, as festas. Perderam-se os rituais de passagem e  os  rituais  da  morte.  Perderam-se  amores.  Ganharam-se revoltas, dúvidas e injustiças.

Agora que se recomeça, mais um, desconfinamento fala-se, e bem, em serviços, escolas,  economia,  emprego,  moratórias.  Mas  não  se  fala  do  valor  da  vida humana, que se perdeu nas contagens do número de mortos, não se fala das famílias  por  trás  de cada  óbito,  muitas  vezes  com  lutos  dificultados  e comprometidos   por  estas  mortes  súbitas,  inesperadas,  solitárias  e  sem despedida.

Não se fala no medo deste novo normal. Não se fala nas novas cicatrizes que muitos carregarão, agora, consigo. Não se fala, o suficiente, em saúde mental.

O  desconfinamento  mais  importante, provavelmente o último a ser realizado, serão da expressão dos afetos. Até lá, cada um de nós, terá de aprender dentro de si, novas formas de encontro com o outro.

Desconfinem-se os afetos!

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