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Depressão Pós-Parto: a verdade escondida

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Como terapeuta familiar, tenho vindo a constatar que um dos maiores mitos do sistema família, será o da felicidade plena associada ao nascimento de uma criança. Tal sentimento surgirá ainda no período da gravidez, durante o qual será esperado que a mulher se sinta particularmente feliz, grata e atraente.

A investigação em psicologia e a minha prática clínica, evidenciam, no entanto, uma realidade escondida no que concerne à prevalência da depressão pós-parto.

Assim, muitas são as mulheres que apresentam sintomas, desde os ligeiros aos mais graves de depressão, mas que sofrem em silêncio, dado que, socialmente, se tornará inconfessável que, num período em que é esperada uma felicidade intensa, a tristeza se instale, o vazio, o choro e a ausência de motivação para o cuidado ao bebé.

Urge mudar o paradigma: a maternidade traz elevada gratificação e felicidade, mas também múltiplos desafios e para algumas mães, medo e vazio. Sentimentos que, negligenciados poderão desencadear quadros mais graves, nomeadamente com incapacidade para cuidar do bebé, risco para este e para a própria mãe.

Mais uma vez reforço o quanto o silêncio e o preconceito prejudicam a saúde mental.

Na depressão pós-parto torna-se evidente, a enorme pressão social relativamente ao materno, a expetativa de que uma mãe tem de estar feliz. Tal, muitas vezes, condiciona e até mesmo impossibilita o pedido de ajuda.

O adiar do mesmo potencia o aparecimento de perturbações graves, com comprometimento da construção do laço de vinculação com a criança.

Por nascer um bebé, não tem, necessariamente, de nascer uma mãe. Muitas mulheres experimentam um elevado sofrimento por dificuldades na construção do papel materno e sofrem em silêncio por medo da condenação social.

Não há relações perfeitas, assim a relação mãe- bebé também é repleta de desafios, maravilhas e dificuldades. Assumir esta realidade e a necessidade de pedir ajuda vai permitir a construção de laços de vinculação seguros, potenciadores de um saudável desenvolvimento do bebé.

Por si e pelo seu bebé, peça ajuda! Cuidar de si, é também cuidar dele.

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