Demito-me das funções de idoso neste país!

Esta semana abordo um tema que parece ser ainda tabu na sociedade civil portuguesa e que está a passar ao lado de toda a população deste cantinho à beira mar plantado. Será que é benéfico ser idoso em Portugal?

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O editorial desta semana vai abordar um dos temas que poucos tocam neste país, os idosos e as suas benesses. Será que ser idoso em Portugal nos dias de hoje é benéfico para essa população que vai envelhecendo dia após dia?

Nos últimos tempos tenho estado mais atento a este tema e também por questões pessoais por causa de uma idosa que tenho em casa, deparei-me com a realidade que me passava um pouco ao lado.

Infelizmente somos uma sociedade civil em que apenas damos importância às coisas quando o mal nos acontece e nos bate à porta, pois os problemas dos nossos vizinhos são deles e nós muitas das vezes nem nos damos conta que também poderemos passar pelo mesmo, só quando temos o problema em casa é que começamos a ficar mais atentos.

Portugal tem uma mitologia do deixa andar e deixa para último momento, a população está a envelhecer rapidamente e com esse fenómeno têm aparecido as oportunidades de negócio para acolher os idosos, aqueles a quem os familiares não tem tempo ou capacidade para cuidar e são obrigados a coloca-los à guarda dos famosos lares, que muitas das vezes não passam senão de um qualquer depósito de idosos.

A oportunidade de negócio chega a esse setor como uma máquina de fazer dinheiro, antigamente, os lares seriam para todas as bolsas, atualmente, esses lares são unicamente para famílias com posses.

E então os mais pobres, como ficam? Talvez à mercê da sua sorte, pois filhos, irmãos, maridos ou esposas, são obrigados a deixá-los sozinhos, porque a vida não está propriamente favorável para deixar o emprego e estar em casa a cuidar do seu familiar que está acamado ou a precisar de cuidados continuados.

Fiz uma pesquisa nestes últimos dias e deparo-me com lares a pedirem dois mil euros de mensalidade para acolher um idoso, e se o mesmo tiver dependente dos serviços, ao valor da mensalidade acresce mais 402 euros por cada grau de dependência, ainda não percebi como fazer essas contas dos graus de dependência.

Mais lares foram contactados e digo-vos, é uma vergonha nacional estarem a solicitar aos familiares preços acima dos mil euros, chegando a valores como esses dois mil euros. Será que as famílias estão preparadas para pagar por um lar os ‘rios’ de dinheiro que são solicitados?

Tive a oportunidade de ter um ‘achado’ porque, numa consulta de 22 lares, houve só um lar que solicitou 800 euros mensais. Sabemos todos, que um idoso dá o seu trabalho, é levantar, é alimentar, é trocar fraldas, mas os preços são exagerados quando na hora da consulta nos apresentam valores que mais parecem ser vindos de um qualquer planeta onde a vida deve de estar favorável aos habitantes desse universo.

Depois temos um sistema de Segurança Social que a nível de apoios é deficiente, apoios esses que deveriam de ser para ajudar mais quem descontou uma vida, e que na hora da sua velhice terá toda a legitimidade de a fazer com calma e com todo o respeito, mas nem mesmo o Estado respeita os seus idosos, infelizmente!

Isto é caso para dizer mesmo que me “Demito de ser idoso neste país”.

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