Opinião

Deixe-os em paz!

Esta questão dos animais, ao estilo, quem és, para que serves e para onde vais data de há centenas de anos. Sim, não pense que é coisa nova. E o busílis da questão é este – será que alguns daqueles que defendem a existência dos direitos dos animais estão, na verdade, a camuflar um verdadeiro interesse do ser humano sobre os animais? Ainda que inconscientemente? Certo é que os animais não são todos iguais, não perante o homem, e é por isso que alguns foram domesticados e outros não.

- publicidade -

Na verdade, os potenciais direitos dos animais, quando existirem, apenas ficarão garantidos se deixarmos os bichos em paz. Utopia? Sozinhos, sem interferência humana nas vidas diferenciadas e próprias de cada um. Chama-se a isto respeito pelos outros, um respeito que é superior a qualquer empatia que possa estabelecer-se. Mas o que aconteceria aos animais que precisam do ser humano para sobreviver? Aqueles que o Homem chamou a si há milhares de anos e que dele dependem, provavelmente extinguir-se-iam…

Mas para os animais silvestres, seria fundamental a criação de um espaço não humano dentro de um espaço ecológico, utilizando apenas o normativo jurídico para sua proteção. Mas só para isso. É que não sei se já reparou, mas os animais não têm especial interesse em assistir ao canal parlamento, apesar da importância da concessão de direitos para sua proteção.

tarot terapêutico

Basicamente, o que temos hoje é uma visão profundamente antropocentrista e perigosa, feita à imagem de quem a criou e de quem por ela continua a pugnar.  Com efeito, apenas com o nosso crescimento, enquanto indivíduos, vamos dando conta que não estamos sozinhos neste planeta – existem outras espécies de animais que insistimos em instrumentalizar, subjugar e utilizar critérios de seleção para alguns domesticar.

E por falar em domesticação, foi com ela que uma quantidade grande de animais ficaram livres dos seus predadores naturais. Os animais domesticados assumiram uma vida aparentemente mais serena, sem a “preocupação” de terem de procurar alimento ou água, com acesso a cuidados médico-veterinários. E pagaram um preço. Um pacto com o diabo? Querem os animais não ter a preocupação de procurar alimento quando é esse um dos seus básicos e principais instintos? Na verdade, deram-lhes uma vida desprovida da liberdade do seu crescimento espontâneo e muitas vezes, mais curta, porque a maior parte dos animais domésticos nasceram para entrarem na cadeia alimentar. É correto usar os outros desta maneira? Mas quem é que pensam que são para se considerarem superiores a outras espécies? São diferentes, isso sim. Não vamos comparar o que é incomparável!

Portanto, protegemos os animais por um lado e penalizamo-los por outro. Poupamos os animais de pecuária a muita violência, mas depois terminamos com a vida deles de forma violenta. A domesticação dá-nos o direito de sermos violentos com eles? E atenção que não é apenas o final da vida que é violento. Toda a sua vida é violenta? Não acredita? Sabe como vivem os suínos, bovinos, ovinos, galinhas, patos, perus? Um dia conto-lhe… vai ficar horrorizado, prometo!

Devemos criar um espaço onde os animais floresçam, independentes e à mercê dos seus apurados sentidos. É biológico, inato – eles sabem quando atacar, quando se defender, quando viver em grupo, quando se proteger, quando procriar… Os animais podem viver sem as nossas instruções, sem a nossa interferência.

O melhor era nunca nos termos envolvido com eles…

Voltarei, porque, afinal, “somos todos iguais”.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Permita anúncios

Detetámos que utiliza um bloqueador de anúncios.
Apoie o jornalismo sério e considere desativá-lo para o nosso site.
Saiba como desactivar: carregue aqui