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‘Crise dos contentores’ pode causar falha no fornecimento de papel higiénico

Uma das imagens que todos ainda temos do início da pandemia e do confinamento foi o desaparecimento das prateleiras dos supermercados de vários produtos, entre estes o papel higiénico.

Como forma de garantir que o produto não iria escassear, alguns distribuidores até exibiam torres do dito produto à entrada dos seus retails.


No entanto, agora a escassez deste produto pode vir a ser uma realidade, devido à já denominada «crise global de contentores», iniciada pela China, quando este país retomou a sua actividade económica em 2020, quando muitos países entravam em confinamento.

Com as economias europeias paradas, a circulação de carga entre portos diminuiu bastante, com as empresas de transporte marítimo a pararem os navios.

O percurso normal dos contentores era serem carregados no ponto de origem, descarregados e novamente carregados com produtos para regressarem, lucrando assim as empresas com as taxas de envio em ambas as direções.

No entanto, a China começou uma verdadeira corrida às exportações e com isso aos contentores de metal que transportam os seus produtos, pagando elevados prémios por estes, o que torna às empresas muito mais lucrativo mandá-los de volta vazios do que recarregá-los, uma vez que o custo de transportar mercadorias da China para os EUA é quase 10 vezes maior do que na viagem oposta, favorecendo o envio de caixas vazias em vez de carregadas.

Isso impede vários países de acederem aos contentores para exportarem produtos como o arroz (Tailândia), ervilhas (Canadá), soja (EUA), café robusta (Vietname) e açúcar (Índia).

E é aqui que entra a questão do papel higiénico.

A Suzano, a maior produtora mundial de celulose sedeada em São Paulo, também já alertou para que esta crise poderá criar obstáculos no fornecimento, precisamente numa altura em que a procura aumentou.

A celulose é a matéria-prima para produtos que incluem papel higiénico, e o Brasil é o maior fornecedor mundial de celulose, sendo a Suzano responsável por um terço do fornecimento global de celulose de fibra curta – o tipo usado para produzir papel higiénico.


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