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COVId-19: Cabeleireiros vendem ‘kits de tintas ilegais’ a clientes por ‘takeaway’

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A polémica estoirou nas redes sociais, isto depois da cabeleireira Carla Magalhães, em entrevista a Sónia Araújo na Praça da Alegria (RTP), promover ‘kits’ de tintas profissionais por takeway.

Da rubrica do programa da televisão do Estado, a cabeleireira justifica esta forma de negócio como uma “alternativa à quarentena” e “à quebra de faturação”. Acontece que a mesma, e segundo fontes da ASAE e INFARMED, escutadas pelo Diário do Distrito, “é ilegal, já que carece da identificação do produto e dos seus componentes químicos”, para além de que as “embalagens usadas não estão certificadas para o uso destes compostos químicos”, o que pode “alterar a composição”, colocando, deste modo, “a saúde e segurança das pessoas que usam estas misturas caseiras em risco”.

Sobre este assunto, estas duas entidades públicas dizem estar já “a identificar os empresários infratores” que “serão, num futuro próximo, notificados”.

O Diário do Distrito contatou a RTP, Carla Magalhães e a marca por detrás da cabeleireira, mas até ao momento, nenhum dos visados respondeu aos emails.

Cabeleireira do Porto não é a única a admitir esta prática ilegal.

Vários cabeleireiros, alguns reconhecidos pelo trabalho com figuras públicas da SIC e TVI, também estão a utilizar esta forma de negócio ilegal.

O Diário do Distrito tentou entrar em contacto com os cabeleireiros que promovem estes ‘kits’ nos espaços digitais, mas nenhum quis dar mais detalhes sobre o assunto.

Colegas de profissão revoltados

O mote da revolta foi dado pelo cabeleireiro David Xavier que, num longo texto partilhado nas suas redes sociais, lamenta a falta de lealdade, ética e profissionalismo dos demais colegas.

“A minha defesa é sempre a “classe de cabeleireiros”, isto é, o nosso profissionalismo, a nossa técnica e o nosso expertise em relação a trabalhos técnicos. Todos estes elementos [kits de cor] são um exclusivo nosso, dos cabeleireiros. “Vender” produtos profissionais, que requerem “know-how” de anos devido às reações químicas que daí advém a clientes só denigre e desvaloriza a nosso grupo profissional”, escreve o cabeleireiro que corta o cabelo aos BackstreetBoys.

Mas não se fica por aqui.

“Mais grave (e ilegal) ainda é colocar produtos, como tintas, oxidantes e descolorantes, em “frasquinhos de plástico” sem que haja uma rotulação dos mesmos, com a identificação do que está lá dentro e dos seus compostos”.

Esta publicação, que conta já com centenas de partilhas e comentários, recebeu vários elogios dos profissionais que concordam com a posição deste hairstylist.

“São desonestas”, “Estragam a nossa arte” ou “Tudo para conseguir fazer meia dúzia de tostões” são alguns dos comentários de apoio à posição de David Xavier.

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