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Convento dos Capuchos volta a receber Festival de Música

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O Convento dos Capuchos vai voltar a receber o Festival a que deu nome, entre os dias 11 de Junho e 2 de Julho, e o programa foi apresentado publicamente esta manhã, e que entre outros convidados, irá contar com a Orquestra de Câmara de São Petersburgo.

A cumprir isolamento profilático, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, acompanhou o momento através da via tecnológica, e lamentou “perder esta oportunidade de estar nesse jardim maravilhoso, num momento tão importante para Almada”.

A presidente frisou ainda que “desde o início deste mandato que tivemos intenção de fazer ‘renascer’ este Festival, com uma nova versão, porque a história nunca se repete, mas com a importância que um evento destes tem para todos, mantendo a união entre a música, a cultura e este espaço extraordinário”.

Agradeceu também aos intervenientes, “pelo trabalho exemplar que têm feito, porque todos têm consciência da qualidade e da diversidade da programação que o Festival apresenta”.

A apresentação do Festival de Música dos Capuchos esteve a cargo de diretor artístico do Festival, Filipe Pinto-Ribeiro e do compositor Sérgio Azevedo, além do jornalista Carlos Vaz Marques, que irá moderar os momentos de ‘Conversas’ que vão decorrer durante o Festival, dedicados a Dante, Baudelaire e Dostoievski.

Filipe Pinto-Ribeiro agradeceu “a todos os parceiros, aos artistas e aos funcionários da Câmara Municipal, que tornaram este Festival possível.

Trata-se de um evento que marcou a memória colectiva, e mais marcante por se realizar num ano de retoma das actividades, após vinte anos de interregno que nos deixaram sedentos de voltar ao Convento para fruir da música num espaço único.”

Relembrando os 500 anos de história do Convento, construído no séc. XVI, “a época do Renascimento português, muito eclética, que serviu para o programa deste Festival, onde iremos destacar os compositores portugueses e Bach, quer em textos, quer em obras corais.”

Outro aspecto do Festival será o de homenagens a três grandes figuras da cultura: Astor Piazzolla, Alfred Brendel, e Stephen Kovacevich, “e através destes, também homenageamos José Adelino Tacanho, que dirigiu o Festival durante anos e nos deixou em 2004”.

“Este é um Festival de música que parte para outros horizontes”, referiu Carlos Vaz Marques, mostrando a satisfação “de retomarmos este evento após a longa paragem”.

Acerca das ‘Conversas’ em redor de três grandes nomes da literatura internacional, “vamos abordar três efemérides de três génios incontornáveis da literatura, que vão ser celebrados num registo de tertúlia, e não fazendo, como em muitos outros eventos do género, a ligação entre estes e a música. Não quisemos ‘casar’ a música com a literatura, mas antes criar um contínuo de fusão que estará presente em todo o Festival.”

O compositor Sérgio Azevedo também mostrou a sua satisfação “porque o trabalho de organização deste Festival quase que se consolidou por ajuste ‘das estrelas’, de tal forma tudo se juntou de uma forma feliz”.

Recordou a sua ligação com Almada “quer ao nível pessoal, onde cresci com o meu pai, quer ligado à música, por ter trabalhado também com José Adelino Tacanho, e por isso estou muito contente de poder voltar a fazer parte do renascimento de um Festival ímpar”.

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Sobre a programação, congratulou Filipe Pinto-Ribeiro “pela coragem de ter colocado uma peça minha no seguimento de uma interpretação de Brahms, ao contrário do que é habitual nos programas musicais, em que o ‘maior’ compositor termina a apresentação. Mas é preciso cada vez mais esta coragem para quebrar alguns hábitos na música clássica, que de outra forma corre o risco de se tornar «música de museu»”.

Em resposta ao Diário do Distrito, o único órgão de comunicação social presente, Filipe Pinto-Ribeiro explicou que “organizar um Festival destes, em situação de pandemia, foi difícil e complexo, mas também sentimos um enorme empenho e entusiasmo de todos e um trabalho de equipa extraordinário, sempre no cumprimento das medidas da DGS durante os espectáculos.

Quando dirigi o convite, muitos foram os que disseram imediatamente que sim e até apresentaram sugestões, como Alfred Brendel, que este ano completou 90 anos de idade, e que de imediato aceitou, e ainda sugeriu fazer uma conferência, o que para nós é motivo de júbilo e orgulho”.

Também Carlos Vaz Marques respondeu à questão, frisando que “quando contactei as pessoas para participarem nas ‘Conversas’ todos demonstraram uma enorme alegria por estas serem feitas presencialmente, em vez de via zoom”.

Inês de Medeiros relembrou ainda que “já o ano passado quisemos manter estes eventos ao público, com o Festival de Teatro, cumprindo todas as regras de segurança, porque é importante mantermos, mesmo em contexto de pandemia, estes eventos culturais, com programas culturais ambiciosos e diversificados, de forma a não descurar o acesso das pessoas à cultura”.

A apresentação terminou com um momento musical pelo clarinetista Telmo Costa.


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