Chuteiras da equipa do SL Benfica ajudam a pagar tratamentos de Catarina Santos

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Jacinto Lourenço, Carlos Fernandes e o filho, Filipe Abrantes e Luís Santos.
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Depois de uma campanha de rifas para uma camisola de Jardel assinada por todos os jogadores do Sport Lisboa e Benfica e um par de chuteiras deste jogador, seguiu-se o leilão das chuteiras de Sálvio, Ferro e André Almeida (um par novo e outro que o jogador usou no jogo contra o Vitória de Setúbal no estádio do SL Benfica), tudo para ajudar a jovem Catarina Santos e a sua família a pagar os tratamentos essenciais para que recupere alguma mobilidade após o acidente durante um treino em trampolim que deixou a atleta do Clube Recreativo Desportivo Brasileiro Rouxinol traplégica e com uma incapacidade de 91%.

Hoje foi o dia de entregar as chuteiras aos licitadores que ofereceram mais, numa singela cerimónia que teve lugar na Barbearia 35, na Charneca da Caparica, isto porque foi daqui que a ideia surgiu, por parte dos irmãos Jacinto Lourenço e Filipe Abrantes.

Proprietário da barbearia que alguns dos jogadores do SL Benfica frequentam, Jacinto Lourenço conta ao Diário do Distrito que “pediram-me se podia interceder junto dos jogadores, que são muito sensíveis a este tipo de causas e falei com o Capitão Jardel, que fez chegar o nosso pedido ao restante plantel. Cada um contribuiu da forma que achou que podia fazer e da minha parte limitei-me a fazer aquilo que gostaria que um dia, em caso de necessidade, alguém pudesse fazer por pelas minhas duas filhas. O que é preciso é entreajudar-nos.”

Para Filipe Abrantes “toda a situação da Catarina nos tocou o coração e fez-nos pensar um pouco sobre o que pode ser também o nosso ‘dia de amanhã’. Isso levou a um impulso para a tentar ajudar, e surgiu a hipótese de os jogadores ajudarem com as chuteiras e camisolas. O próprio Jardel ficou muito sensibilizado, porque pensava que era uma situação menos grave, até conhecer todo o caso e acabou por ceder mais umas chuteiras.”

O apoio contou com as participações de Jardel, “que doou uma camisola e um par de chuteiras, que alcançaram os 1750 euros”, de Sálvio, Ferro e André Almeida, “com chuteiras que foram leiloadas, este último doou dois pares e tudo junto chegou aos 2.350 euros” e segue-se agora a venda de rifas da camisola assinada por todos os jogadores da equipa principal do SL Benfica e ainda das chuteiras de João Félix.

Assumido benfiquista, “a cem por cento” Carlos Fernandes obteve as chuteiras de Sálvio e Ferro e explicou que “a minha licitação nos dois pares de botas teve a ver com o ter conhecido a história da Catarina e achar que podia ajudar de alguma forma. Infelizmente não pude ajudar mais, mas foi o que pude fazer.”

Os dois pares de chuteiras já têm “um sítio especial que será bem à vista de todos, não apenas por serem algo do Benfica, mas também em nome da solidariedade que significam”.

Os dois pares de chuteiras de André Almeida serão entregues posteriormente porque o licitador não conseguiu estar presente hoje.

Carlos Fernandes e o filho com as chuteiras de Sálvio e Ferro, acompanhados por Luís Santos.

Garantia de qualidade de vida para Catarina custa cerca de 13 mil euros/ano

Luís Santos, pai da jovem, esteve também presente no momento da entrega das chuteiras, e agradeceu a todos os que ajudaram assim a pagar o tratamento de Catarina em Florença.

“Para mim e para a mãe dela é impossível conseguirmos pagar sozinhos esses valores que rondam os 13 a 14 mil euros. Os tratamentos são cerca de 8 mil euros, mas depois há que contar a estadia durante quatro semanas, e ainda o aluguer de um carro para a transportar até ao Centro de Tratamentos, que ainda fica distante de Florença, e os transportes públicos não estão preparados para utentes em cadeira de rodas” explicou ao Diário do Distrito.

Após o acidente, foi o Estado que assumiu os tratamentos em Alcoitão, “uma vez que se tratou de um acidente desportivo, e nem eram obrigados a isso, só que este Centro tem muita boa fama, mas ali preparam-nos sempre para o pior e não era isso que queríamos para a nossa filha. Foi vista por vários neurocirurgiões e todos foram unânimes em dizer que o melhor centro de reabilitação era este em Florença ou em Cuba, o que era impossível para nós, porque é um valor astronómico.”

Os tratamentos de Catarina Santos em Florença “servem para manter a parte muscular viva e forte, notamos melhorias significativas nela quando regressa, porque vem de lá com 100% da capacidade física a que a lesão lhe permite chegar e essas melhorias mantêm-se por alguns meses, mas que depois vão-se perdendo, daí a necessidade de repetir os tratamentos anualmente. Basicamente são onze meses de perda de capacidades, para um mês de ganhos, mas esse mês ajuda-a de forma fulcral quer física quer psicologicamente, até porque já a conhecem lá e são uma equipa fantástica que a tem acompanhado nestes cinco anos.”

Um dos aspectos em que a jovem Catarina Santos se focou após o acidente foi a escola. “Os objectivos da Catarina são obter as melhores notas que puder, e tem tido resultados avassaladores. A nota mais baixa que teve na última série de testes foi de 18.3 e já nos disse que quer subir a nota para 19. E quando ela diz que vai fazer, agarra-se com toda a força.”

A família de Catarina Santos não tem contado com muitos apoios ao nível estatal. “O único apoio que temos é uma pensão que a minha esposa recebe como cuidadora, de 200 euros mensais e mais cerca de 71 euros, a título de abono específico para este tipo de situações até completar 18 anos, quando passará a receber uma pensão de invalidez.

A Catarina tem necessidades especiais e precisa de ter sempre com ela uma terceira pessoa, porque sofre de espasmos, pode cair a qualquer momento e não tem depois meios de aceder ao telemóvel para pedir ajuda, por isso eu, a mãe, a minha cunhada ou a minha sobrinha, temos de estar sempre em casa quando ela lá está.”

 

 

 

 

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