Opinião

Chama-lhes tu antes que eles te chamem a ti…

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O PS acaba de abafar mais um escândalo na Junta de S. Francisco/Alcochete, branqueando as contas do seu anterior tesoureiro e agora Presidente da Assembleia de Freguesia, através de um pseudo-relatório por eles próprios elaborado, mandando arquivar processo disciplinar e readmitindo a funcionária suspeita de prevaricação, rejeitando uma auditoria externa e independente, mas investindo numa campanha indecorosa de diversão e de falsificação da realidade.

Durante o mandato passado (2013-17) a Junta de Freguesia de S. Francisco foi governada no contexto de uma maioria relativa e de um consequente acordo político entre a CDU e o PS que ditou um executivo de três elementos com um tesoureiro socialista.

Isto após um longo consulado de maioria absoluta do PS (entre 1989 e 2013), em que o quadro de funcionários da Junta era o que os socialistas contrataram e deixaram (recordando-se que já em 1993 se viveram na Junta de S. Francisco momentos delicados entre o seu Presidente e a então funcionária…).

Por conseguinte, em matéria de gestão administrativa e financeira, o anterior Presidente da Junta eleito pela CDU tinha o “terreno completamente minado”, não apenas porque o tesoureiro era do PS mas também e sobretudo porque a funcionária administrativa da Junta não apenas fora contratada pelos socialistas, como era reconhecidamente uma entusiástica ativista (chegando mesmo a ser candidata) do PS.

Neste contexto detetou o então Presidente eleito pela CDU, já no final do mandato anterior, para além dum completo caos organizativo na contabilidade da Junta, o desaparecimento paulatino do dinheiro de caixa feito ao balcão que, seguindo a prática dos mandatos anteriores, não era depositado pela funcionária no dia seguinte.

No seguimento destes factos, detetados casualmente pelo então Presidente, na ausência temporária da funcionária da Junta, com o apoio do técnico da empresa que dava assistência ao programa informático da contabilidade, e como o então tesoureiro da Junta eleito pelo PS também não soube explicar o sucedido, foi aberto um processo disciplinar e suspensa a referida funcionária da Junta, tendo-se para o efeito solicitado apoio à Câmara Municipal (através do seu sector jurídico).

Entretanto, com a mudança de mandato e das maiorias políticas em 2017, quer na Câmara quer na Junta de S. Francisco, agora governadas respetivamente por maiorias compostas entre o PS e o CDS e entre o PS e o PSD, o processo disciplinar foi arquivado e a funcionária sob suspeita readmitida nas suas funções.

Tudo foi abafado. Não se fez uma qualquer auditoria externa e independente, como foi exigido pela CDU, e o relatório e contas da gestão de 2017 foi apresentado e aprovado na Assembleia de Freguesia já em Abril de 2018, já no decorrer do presente mandato.

Não satisfeitos com esta “manigância” e não fosse ” o diabo” tecê-las, até porque em 2021 teremos novo ato eleitoral autárquico, lançaram-se os atuais eleitos do PS numa vergonhosa tentativa de difamação do anterior presidente da Junta da CDU, homem de inquestionável idoneidade, numa manobra de pura diversão política, tentando-lhe endossar a responsabilidade por algo que apenas ao tesoureiro e à funcionária do PS pode ser assacado.

Criaram mesmo uma Comissão, coordenada pelo atual Presidente da Assembleia de Freguesia, para analisar e justificar as contas da responsabilidade do anterior tesoureiro da Junta…sendo curioso, ou talvez não, que o Presidente da atual Assembleia de Freguesia e também coordenador da tal Comissão para análise dessas contas era precisamente o tesoureiro no mandato anterior, ou seja, uma e a mesma pessoa. Isto é, o mesmo Senhor que não soube explicar a discrepância descoberta na tesouraria da Junta em 2017, aceitou agora controlar, com a maior desfaçatez, a Comissão e o processo de análise às suas próprias contas…

O resultado dessa Comissão foi assim o esperado: um pseudo-relatório elaborado em Março e aprovado em Junho últimos, apenas pelos elementos do PS e do PSD, na verdade um arrazoado vago e inócuo, que apenas tenta justificar atabalhoadamente grande parte do valor não contabilizado e que nada esclarece quanto à discrepância detetada e denunciada pelo ex-Presidente da Junta da CDU.

À exigência reiterada pela CDU duma auditoria técnica e isenta, responderam os atuais senhores da maioria com a alegada falta de dinheiro para o efeito, quando se sabe que na Câmara tem havido dinheiro para tudo…

Preferem abafar a verdade e lançar-se numa campanha de insinuações difamatórias, jogando na desinformação de muitos e na ignorância doutros, fazendo de conta que o tesoureiro e a funcionária no mandato anterior não eram do PS.

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O PS no seu melhor, sempre a tentar passar as culpas das suas “tramoias” políticas, desenvolvendo uma estratégia do tipo “chama-lhes tu antes que eles te chamem a ti…”

Por isso a campanha suja e infame, liderada por alguns dirigentes do PS e particularmente pelos seus pivots nas redes sociais, no sentido de tentar sacudir desesperadamente a “água do capote”, empolando agora até a existência de um suposto passivo, quando esse era em finais de 2017 sensivelmente o mesmo que foi deixado pelo PS em 2013.

É este tipo de prática política que desacredita as instituições democráticas e que alimenta a “besta populista”.

Ao invés deste tipo de manobras manhosas e falaciosas, do que a população de S. Francisco verdadeiramente carece, especialmente em face da pandemia que enfrentamos, é de melhores e de mais acessíveis serviços públicos de saúde, da recuperação do seu posto médico, criado pela CDU mas entretanto deixado encerrar pelo PS, ou que, pelo menos, a unidade móvel de saúde possa servir igualmente a freguesia, evitando que a população, sobretudo a mais idosa, tenha que deslocar-se para Alcochete nos parcos transportes públicos existentes.

Do que a população de S. Francisco precisa, nestes tempos tão conturbados e nesta quadra natalícia tão difícil, é de paz e de verdade, duma Junta atuante que ajude a resolver os seus problemas e lhes confira um horizonte de esperança no futuro.

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