Opinião

Cessar Fogo mental precisa-se!

Uma crónica de Isabel de Almeida

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Hoje não me faltaria assunto para reflexões pesadas sobre o estado do país, do mundo e da sociedade em geral, mas elas seriam isso mesmo “pesadas” e a bem da nossa saúde mental há momentos em que o corpo e a mente nos transmitem os sinais de que é hora de abrandar, mudar de registo, reduzir o ritmo, fazer um detox de factores potenciadores de stress e ansiedade em tempos de pandemia e de que são exemplo: as redes sociais e o seu ambiente tóxico cheio de hostilidade, informação dúbia e muita toxicidade e também as notícias (sim, os jornalistas também são seres humanos e têm momentos em que eles próprios precisam de se afastar das notícias sobre a realidade pandémica).

Concedi a mim mesma um cessar fogo mental, e obriguei-me a um exercício onde recupero o que aprendi há uns anos na Unidade Curricular de Psicologia Positiva durante o curso de Psicologia: enumerar coisas positivas, determinar metas positivas e benéficas e valorizar o que nos possa fazer sentir bem com vista a fazer incidir o foco no bem estar e numa redução da ansiedade.

Os sinais de alerta que nos mostram que, como sucedeu comigo, é preciso desligar são, designadamente e a título de exemplo não exaustivo: dificuldade de concentração na leitura, escrita e atenção a estímulos externos; perturbações do sono (insónia ou hipersónia), manifestações somáticas de stress e ansiedade como dores de cabeça fortes ou moderadas; pressão ou mesmo sensação de dor física ou “aperto no peito”; dificuldades em organizar agendas pessoais e profissionais; tendência para excessos ou restrições alimentares.

O que podemos começar por fazer para alcançar o reequilíbrio: desligarmos o acesso a redes sociais, televisão e outros media que possam conter informação que gere ansiedade, mormente que diga respeito à pandemia, é o primeiro passo e corresponde a criarmos uma cápsula de isolamento mental, uma espécie de bunker psicológico onde nos sintamos protegidos, que seja uma zona de conforto.

Importa também sabermos encontrar tempo para nós próprios e tentar recuperar actividades saudáveis que tenham andado em pausa nos últimos tempos: leia um livro, escreva um livro, crie um álbum de recortes e anote citações famosas e inspiradoras, descubra novos autores e tente ler novos géneros literários. Ouvir música, fazer uma playlist nova, criar um blog para partilhar com o mundo os seus interesses, gostos e reflexões pode ajudar também pois a expressão pessoal ajuda a desanuviar e corresponde a uma válvula de escape mental.

Se tem crianças porque não fazer com elas uma sessão de leitura conjunta de uma obra? (sem meios digitais, familiarize as crianças com os livros em suporte papel, pois as tecnologias em excesso podem ser contraproducentes para os mais jovens e geram potencialmente um uso viciante). Se tem acesso a espaço no exterior (jardim ou quintal) procure encontrar uma actividade física que ajude a desligar e que pode ser feita em família, se não tem quintal mas tem, por exemplo, uma varanda sempre que o tempo o permitir crie um espaço confortável, escolha uma poltrona, coloque uma música a tocar, desfrute de uma bebida a gosto, feche os olhos e pense em coisas positivas e em projectos que gostaria de concretizar.

As possibilidades são infinitas embora possa não parecer, aprender meditação, costura, inscrever-se numa formação online numa área do seu interesse ao nível de entretenimento, expressão artística ou artesanal ou mesmo para valorização pessoal pode marcar toda a diferença no seu estado de alma.

Costura, pintura, artesanato, crochet, livros para colorir para adultos são possíveis alternativas de uma forma  personalizada de nos forçarmos a pensar em nós próprios e a desligar do mundo nem que seja por breves momentos em horas diversas do dia.

A ansiedade decorre de pressões externas, mas está relacionada com a forma como cada um  de nós percepciona o ambiente circundante (como ameaçador ou protector, por exemplo) e pode ser influenciada pela auto-imagem positiva ou negativa que, no momento, tenhamos como visão do nosso próprio “Self” (eu), sendo importante trabalhar os mecanismos de coping (a forma como cada ser humano considera o modo como aborda problemas, desafios, ameaças, dificuldades, são no fundo, e simplificando, ferramentas pessoais de superação e mesmo de resiliência).

Acima de tudo é muito importante a comunicação, saber que não estamos sozinhos e que podemos partilhar preocupações, pedir conselho e trocar ideias e opiniões com quem assuma uma posição de ajuda e não de hostilidade ou confronto naturalmente.

A meu ver, os sinais de necessidade de cessar fogo psicológico fazem-se sentir e não devemos ignorá-los. Importa aceitar que não temos super poderes e que há sempre um momento em que precisamos de abrandar e desintoxicar tanto mais neste mundo insano que nos coube em sorte.

Conceda a si próprio a oportunidade de criar energia positiva!

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