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Celebração do 25 de Abril na Moita: ‘A nossa história não é propriedade de ninguém’

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O concelho da Moita assinalou esta segunda-feira mais um aniversário do 25 de Abril, com uma sessão solene que decorreu na Praça da República e onde “todas as forças políticas representadas na Assembleia Municipal terão direito à palavra, tal como foi uma das nossas promessas agora cumprida”, frisou António Duro, presidente da Mesa deste órgão.

Muitos foram os que assistiram ao momento solene das celebrações, que teve a arruada pelas Banda Filarmónica da Moita e pela Banda Musical do Rosário, e a interpretação do ‘Grândola Vila Morena‘ que o Diário do Distrito acompanhou, e ainda a actuação de Afonso Ribeiro, aluno da Escola Secundária da Moita, e de Tony Costa.

Ao mesmo tempo que as Filarmónicas chegavam ao local, uma manifestação descia a Avenida Dr. Teófilo Braga, entoando palavras de ordem como ‘Fascismo nunca Mais’.

Num discurso em que focou a importância do órgão Assembleia Municipal e o desprendimento dos mais jovens nas questões políticas, António Duro salientou o papel “dos heroicos heróis de Abril que derrotaram a ditadura fascista, e os outros construtores da democracia que Abril nos trouxe, dos quais destaco todos os autarcas”.

Destacando o “aparente retrocesso da pandemia”, deixou uma palavra de solidariedade “neste dia para o povo ucraniano, privado das suas liberdades num pais invadido, e em que as vidas e bens são destruídas diariamente sem um fim à vista”, desejando que “as armas sejam trocadas pela diplomacia”.

E de jovens também se fez a celebração, com a presença de quatro alunas representando o ‘Parlamento dos Jovens’, iniciativa da Câmara Municipal da Moita.

Mariana Fonseca, Rafaela Carrilho e Carolina Lopes, alunas da Escola Secundária da Moita destacaram “a importância de viver em liberdade e a consciência que hoje temos da luta que existiu para a obter. Não conseguimos imaginar um cenário sem democracia e de ditadura.”

Joana Oliveira, membro da Direção de Alunos da Escola Técnica Profissional da Moita, agradeceu a iniciativa “que faz chegar a nossa voz junto de quem decide” e destacou as comemorações “das liberdades e da participação livre, em que a educação é a chave deste novo mundo”.

Seguiram-se as intervenções dos eleitos na Assembleia Municipal, iniciadas por Isilda Letras, do CDS-PP, invocando “a liberdade, que hoje sabemos nunca poder dar como direito adquirido”.

A deputada municipal também abordou a questão da “crise humanitária causada pela pandemia, e a crise económico-financeira causada pela guerra na Ucrânia” e a necessidade de intervir com urgência num país sufocado com taxas e impostos, em que os idosos não têm acesso a medicamento e a lares, a falta de médicos no SNS, falta de emprego qualificado para os jovens, a falta de professores, as crianças em risco e os sem-abrigo e a perda de autoridade pelas forças policiais”.

Sabine Buchel, PSD, também referiu a “fragilidade da liberdade, que pode ser perdida de um momento para o outro, e é por isso que insistimos em celebrar o 25 de Abril, que trouxe a Portugal a liberdade que tanto custou a conquistar. Mas a liberdade também requer o acesso à educação, à saúde e ao emprego. E a liberdade exige igualdade.”

Também a guerra na Ucrânia foi abordada pela deputada municipal. “Esta liberdade é colocada em causa todos os restantes dias, como quando não temos coragem de nos colocar ao lado de um povo que foi invadido. Ou quando os alunos chegam ao terceiro período sem uma única aula de uma disciplina por falta de professores.”

Pelo BE, discursou o deputado António Chora, recordando os principais pontos “de uma revolução iniciada pelos capitães de Abril e reforçada pelo povo nas ruas, que terminou com a ditadura fascista e que institucionalizou eleições livres e uma Constituição onde estão consagrados todos os direitos recusados pelo regime fascista.”

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Apesar das conquistas, António Chora relembrou “que os mais jovens, que não viveram estas limitações, muitos não sabem identificar quais dos seus direitos são conquistas de Abril”, e criticou “o conformismo, em que as ideias do neoliberalismo são hoje como o ‘ouro do alquimista’, impossível de alcançar, encarando um futuro condenado devido ao capitalismo selvagem. A juventude de hoje é das mais preparadas de sempre, mas a política que reduz os direitos e os salários, leva à saída para o estrangeiro de milhares de futuros quadros.”

Terminou desejando que “os jovens saibam lutar pelo seu futuro” e pelo “fim imediato da guerra na Ucrânia”.

Mónica Ribeiro, CDU, frisou “os 48 anos passados em Liberdade. Abril faz parte da nossa essência e do nosso quotidiano, e os que nunca o quiseram, têm disso tanta certeza que o odeiam mortalmente”.

Relembrando o papel das Forças Armadas na Revolução dos Cravos “que com a força do povo a seu lado, derrubaram o velho e podre fascismo, e para com quem temos uma eterna dívida” e “a onda que em Maio seguinte varreu o país numa explosão de solidariedade nunca antes vivida”, a deputada exaltou também “o Poder Local Democrático, onde muitos deram o melhor de si, e no caso da Moita a CDU orgulha-se do trabalho efectuado, o qual desejamos que tenha continuidade”.

A intervenção dos eleitos da Assembleia Municipal terminou com Ana Rita Neto, PS, invocando “os heróis de Abril, a genialidade e a luta pela dignidade humana” da Revolução dos Cravos, “uma conquista histórica que nos permite estar hoje aqui, votar, sonhar, estudar e circular sem receio, ainda que haja sombras e caminhos cinzentos.

Vemos nos heróis de Abril a resiliência e a referência para quebrar muros noutros combates, como contra o ódio, a violência, a corrupção, a homofobia, o racismo, a poluição, contra todas as barreiras que se nos atravessam no caminho.”

Considerando que “seria utópico pensar num país perfeito, porque não existem sistemas perfeitos, mas Portugal nunca desistiu. Mas não deixemos que o pensamento do ‘eles contra eles’ nos levem por caminhos extremistas e populistas.”

‘Jamais devemos voltar a pensar viver em ditadura’

A sessão solene terminou com a intervenção de Carlos Albino, presidente da Câmara Municipal, destacando as celebrações realizadas no exterior “em que, tal como há 48 anos, em plena liberdade, voltamos a enaltecer todos aqueles que derrubaram o regime fascista e opressor. E é também aqui, honrando de forma clara a revolução de 25 de Abril, que damos voz a todas as forças políticas representadas na Assembleia Municipal porque a nossa história não é propriedade de ninguém. O 25 de Abril é pertença de todos. E é a todos nós que cabe honrá-lo e perpetuá-lo.

No entanto a liberdade que hoje vivemos não deve nunca ser dada como certa. Datas como a de hoje devem ser comemoradas porque a Liberdade tem de ser diariamente defendida de todos os que a querem sonegar.

Ultimamente temos ouvido vozes saudosistas do tempo em que a liberdade era apenas de alguns. E em que os direitos serviam apenas uma pequena parte da nossa população e que o autoritarismo calava o povo. Jamais devemos voltar a pensar viver em ditadura.”

O presidente criticou ainda “os discursos misóginos, racistas e de ódio contra quem quer que seja, não passarão.”

Também Carlos Albino referiu a questão europeia “sem cuja cooperação não conseguiríamos erguer-nos de uma situação como a produzida pela pandemia, nem estaríamos preparados para encarar os tempos difíceis que se avizinham por conta da ofensiva russa no território ucraniano.”

O presidente invocou ainda “a velha máxima de Salazar, do ‘orgulhosamente sós’, não nos serve nem um pouco. As portas que Abril abriu têm de permanecer escancaradas para que nenhum cadeado as possa cerrar e para que possamos seguir sempre com a Liberdade no nosso horizonte.”


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