Opinião

Casino Royale

Uma crónica de Bruno Fialho.

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Para quem é fã de James Bond, tal como eu sou, sabe que “Casino Royale” é o primeiro livro, escrito por Ian Fleming, em 1953, que dá início às aventuras do mais famoso agente secreto do mundo e é também o 21.º dos filmes oficiais da saga cinematográfica de 007, tendo este apenas sido filmado em 2006.

Mas, “Casino Royale” é ainda o título de uma comédia produzida em 1967, que foi um desastre de bilheteira, que tentou fazer uma paródia ao James Bond, protagonizada por alguns dos maiores nomes do cinema, tais como: Peter Sellers, Ursula Andress, Orson Welles e Woddy Allen.

Mas caso não seja apreciador dos filmes ou dos livros do James Bond, o título deste artigo, possivelmente, irá fazê-lo recordar um programa televisivo de grande sucesso, emitido pela RTP 1, em 1990, criado e protagonizado pelo nosso maior humorista, Herman José.

Sucede que, este ano, António Costa e o seu “gang” de ministros decidiram fazer um novo remake de “Casino Royale”, desta vez em formato de filme sádico com uma pitada de humor negro, onde o Governo, literalmente, goza com todos os portugueses que têm feito sacrifícios atrás de sacrifícios para conseguirem sobreviver aos erros que foram cometidos pelo seu executivo ao longo do seu mandato.

Neste novo filme, realizado e interpretado pelo nosso Primeiro-ministro, o guião é sobre os Casinos que vão ficar isentos, até 2022, do pagamento das contrapartidas anuais sobre as receitas de jogo.

Recordo que quer no livro escrito por Ian Fleming quer no filme oficial, temos como vilões um banqueiro, um terrorista internacional, vários mercenários, um líder de um exército de resistência e uma agente dupla, ou seja, um cenário muito idêntico ao que se vive diariamente na política em Portugal.

Antes de abordar a temática dos vilões nacionais, chamo a vossa atenção para o facto de que nos filmes do James Bond, ao contrário do que se passa no nosso país, os criminosos raramente ficam em liberdade.

É por isso que vermos banqueiros que arruinaram milhares de portugueses continuarem em liberdade, tal como sucedeu a muitos dos terroristas do pós-25 de Abril que, mesmo tendo assassinado inocentes, nunca foram presos e alguns até foram condecorados por Presidentes da República, é profundamente humilhante para quem se levanta de manhã para ir trabalhar e ganhar uma miséria de ordenado para conseguir colocar comida na mesa.

É por isso que considero que uma das cerejas da falta de vergonha política que existe em Portugal é termos tido há alguns anos, numa festa de um certo partido político, a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que é uma organização terrorista e tem como principal objetivo a produção e venda de drogas.

Assim, penso que nem sequer é necessário ser muito criativo para conseguirmos imaginar neste remake português de “Casino Royale” um certo banqueiro português no papel de vilão principal, o nosso Primeiro-ministro, como líder supremo de um exército revolucionário (governo), que destrói o país com o apoio de ex-guerrilheiros da antiga U.R.S.S. (PCP e B.E.) e o Ministro da Economia, como um mercenário que “defende até à morte” que os efeitos da pandemia obrigam o executivo a ter de conceder contrapartidas financeiras aos Casinos, devido ao impacto das restrições que o Governo decretou, no funcionamento das salas de jogo, neste ano e no próximo.

Imagino ainda o Ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, no papel de “Mercenário”, a ter a seguinte fala neste filme: “dadas as circunstâncias inerentes à pandemia da doença covid-19 e às condições adversas de mercado, não houve objetivamente possibilidade de lançar concursos para novas concessões”, pelo que, “as atuais manter-se-ão, por isso, em vigor”.

Na verdade, por mais que nos pareça absurdo, o nosso Ministro da Economia proferiu mesmo esta frase durante uma entrevista dada em Dezembro de 2020, onde defendeu os apoios do Estado aos Casinos e os motivos porque decidiram prolongar as concessões, uma vez que estas terminariam a 31 de dezembro de 2020, daqueles que estão situados nas zonas de jogo do Estoril (Casinos de Lisboa e Estoril) e da Figueira da Foz.

Por tudo isto, como fã incondicional dos filmes de James Bond, tenho de dar nota negativa a este “remake” do Governo de António Costa, pois contraria tudo aquilo que serve como base à criação do agente secreto britânico, onde os vilões perdem sempre e onde os governos corruptos são depostos pelas forças do bem.

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E se o remake é mau, a opção de apoiar Casinos, mesmo em tempo de pandemia, é infame, começando a ser normal ver que quando os Casinos, Bancos, etc., perdem dinheiro, têm sempre o apoio do Estado, mas quando ganham, simplesmente ganham.

Portanto, a partir de agora, sempre que os Casinos tenham prejuízo devido ao surgimento de jogadores que consigam ganhar milhões de euros todos os meses, o que é altamente improvável, mas, ainda assim, será mais improvável do que surgir um novo covid-19, os donos do jogo ficarão completamente descansados, porque nunca mais terão de ter receio em ter prejuízos no futuro, pois foi esta solução que o governo lhes concedeu.

No entanto, considero altamente duvidoso que os Casinos tenham tido prejuízos durante a pandemia, pois o jogo online continuou a ser permitido e, com as pessoas fechadas em casa, acredito que a receita tenha sido extremamente positiva, tendo em consideração que o volume de apostas no jogo online disparou em 2020, tendo crescido em mais de 70%, o que, garantidamente colmatou as perdas resultantes das restrições que o Governo decretou para as salas de jogo.

Mas, para além dos prejuízos que, como referi, não terão acontecido, as despesas, essas, objectivamente, diminuíram, sobretudo devido aos apoios do Estado para o pagamento de salários através do recurso ao Lay-off e das salas de jogo não terem de pagar as contas astronómicas de electricidade para manterem as máquinas a funcionar.

Na minha opinião, a principal questão é percebermos que um Casino não pode ter direito a quaisquer apoios do Estado, mesmo em tempos de pandemia, pois a sua génese baseia-se no factor aleatório da sorte ou do azar, ou seja, não pode correr a pedir ajuda aos contribuintes quando há azar e quando tem sorte, que é em 99,9% das vezes, quem fica a ganhar é unicamente a “Casa”.

Infelizmente, mais uma vez, “quem se lixa é o mexilhão”, pois os trabalhadores dos Casinos, tal como todos os restantes trabalhadores portugueses, é que foram os verdadeiramente prejudicados, ao contrário de quem detem a concessão das salas de jogo.

Qualquer governante que tenha dois dedos de testa facilmente compreende que o dinheiro que será atribuído aos Casinos seria mais bem aplicado em apoios reais aos artistas, profissionais do sector e empresários portugueses que estão sem poder trabalhar há quase um ano, devido às restrições absurdas decretadas por um Governo incompetente.

A última questão que aqui deixo é ser preciso saber quantos “boys” do Governo estão nas Administrações ou direcções dos Casinos e empresas dos grupos e que interesses é que “obrigaram” o Governo a cometer mais um crime contra os portugueses.


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