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Opinião

Carta Aberta a S. Exª o Presidente da República

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Exmo. Sr Presidente da República Portuguesa.

Mais uma vez o V. Exa. nos surpreende com o seu silencio sepulcral quando deveria falar à nação.

Morreu o Ten. Cor. Marcelino da Mata. E da sua boca nem uma palavra. Nem uma linha nem uma nota de pesar à família e a todos os militares no activo e na reserva.

Nem uma simples linha a todos os ex-combatentes.

O Ten. Cor. Marcelino da Mata é o militar mais agraciado da nação.

As medalhas que ganhou não foram ganhas num gabinete com ar condicionado como aquele que vossa Ex. ocupa actualmente.

O Ten. Cor. Marcelino da Mata foi um militar português. Escolheu servir Portugal e a causa portuguesa mesmo tendo origem guineense.

Serviu a causa que lhe pareceu justa. Serviu as FA portuguesas.

Merecia por isso um funeral digno de quem se sacrificou pela nação.

Foi um homem digno. Que terminada a guerra colonial rumou a Portugal. Integrou-se e continuou a ser um cidadão honrado. Isto apesar das sevícias que sofreu durante o período revolucionário.

Nunca pediu nada ao estado português. Nunca se colocou em bicos de pés. Nunca violou a lei.

Ao contrário de certos jovens com quem V. Exa. tirou retratos.

O senhor é presidente de todos os portugueses?

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Ou é apenas daqueles que falam no politicamente correcto do revisionismo histórico?

Ao contrário de muitos que dizem lutar contra o racismo. Este homem esteve ao serviço de todos os portugueses.

Segunda-feira, ao contrário de si estarei presente para a ultima e merecida homenagem a um militar português. Marcelino da Mata foi um militar português integro; humilde e honrado.

E ISSO PARA MIM BASTA-ME !!!

Já o senhor prefere esconder-se na tibiesa pouco corajosa de não afrontar os “fofinhos” do BE. Os mesmos que dizem ofensas à policia portuguesa. Os mesmos que aviltam a história desta nação.

Uma história que não é perfeita. Mas que merece ser assumida. Lamento mais uma vez a sua falta de coragem política.

A falta de saber ser o supremo comandante das Forças Armadas portuguesas.

Na esperança (talvez vã) de que o senhor se digne ao menos a comparecer no funeral de um dos bravos da nação. Despeço-me com a estima e respeito que me merece o cargo que o senhor ocupa.

Faça por merecer o respeito dos portugueses.

FRACO REI FAZ FRACA A FORTE GENTE.

Ass: Samuel António Pinto Marques


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