Opinião

Carris Metropolitana: saiu-nos pior a emenda que o soneto

Mal sabia o poeta Bocage que a sua frase continuaria a ecoar na sua amada cidade tantos séculos depois. De facto, embora possa parecer estranho a alguns membros com responsabilidades de gestão na Câmara, existem munícipes que usam os transportes públicos diariamente para se deslocarem dentro da cidade, sendo totalmente dependentes dos mesmos para poderem comparecer nos seus locais de trabalho.

A eterna transição para a nova concessão dos transportes públicos municipais e intermunicipais tem levado os setubalenses ao desespero, tendo este executivo conseguido o inédito e impressionante feito de que nem utentes, nem motoristas, nem os próprios executivos (?) estejam satisfeitos com o estado atual das concessões, continuando agarrados à mágica esperança socialista de que os problemas irão desparecer por si próprios. De resto seguem os avisados conselhos do timoneiro-mor dos destinos do país, quando diz “em 2024 logo se vê”.


Falta claramente uma estratégia de mobilidade para a nossa cidade, existiram várias medidas avulsas, e por sinal bastante erradas, mas não se consegue pensar uma solução integrada e sustentável, conjugando transportes públicos, transporte particular e meios de transporte suaves. Lembramo-nos de ver um caderno com umas ideias, mas como de costume não saíram do papel. Foram elaborados estudos, comissões que ficam a ganhar pó numa qualquer estante do edifício da Câmara enquanto os setubalenses ficam literalmente à espera de ver passar os autocarros.

Temos assistido a respostas da Câmara extremamente tímidas, incoerentes e que denotam falta de capacidade e decisão politica.

De que outra forma se entendem comunicados pífios assegurando que o problema está a ser seguido?

Para quem se voltarão os munícipes quando veem a sua qualidade de vida diminuir sempre que um autocarro não passa, ainda por cima quando um terminal foi inaugurado precocemente e a viagem inicial foi anunciada com pompa e circunstância nos jornais do costume, com a presença de tão altos dignatários locais, vangloriando-se da revolução dos transportes que aí vinha.

Quando começaram os problemas, reagiu o executivo como uma criança mimada, dizendo que não tinha nada a ver com isso que a culpa é do operador. Fraco consolo para quem precisa de se deslocar.

E concretizo o problema com situações que me foram reportadas por cidadãos nos limites das suas forças físicas e mentais. Os transportes de e para a Mitrena não funcionam, os setubalenses estão em pânico por não conseguirem deslocar-se para o emprego e, esgotada a possibilidade de continuar a ir de táxi pelos custos associados, temem agora perder o emprego. A CDU que tanto se vangloria de proteger os trabalhadores, não tem uma palavra de conforto, uma ação mais radical para estes munícipes?

E insiste a Câmara que não tem competência e a culpa é do operador privado, não usando os instrumentos políticos e jurídicos de que dispõe. Parece que, de facto, o operador não tem demonstrado qualidade suficiente para o desafio a que se propôs, mas perguntamos, talvez ingenuamente: Não é a Câmara acionista da TML? Não foi a Câmara parte das decisões tomadas até agora? Não prometeu a Câmara (com pompa e circunstancia) algo que não conseguiu cumprir?

Terá talvez embarcado em ilusões do administrador da TML replicando o sucesso do Barreiro?

Preocupa-nos também Azeitão e a falta de alternativas para os estudantes do 3º ciclo. Com o inicio, titubeante como os governos PS já nos habituaram, do novo ano letivo, o problema adensa-se e não vemos capacidade dos vários executivos e da direção da TML de nos tirarem deste denso nevoeiro politico e social que pode impedir os nossos jovens de realizarem o seu percurso escolar e académico em boas condições, algo inaceitável e que deve causar indignação a todos os munícipes.

Como bem se sabe, Azeitão não tem uma escola secundária pelo que os alunos terão de se deslocar diariamente para Setúbal ou Sesimbra. Tendo em conta o estado dos autocarros em Setúbal não é difícil perceber o pânico que se abate sobre as famílias setubalenses com o aproximar do próximo ano letivo. Que soluções tem a Câmara para esta situação? Assumindo que a construção de uma escola pode parecer atrativo para fins eleitorais, mas que só iria beneficiar os filhos destes alunos, terá de se acautelar devidamente este problema.

Os problemas da sociedade evoluem, é preciso que esta cidade se desligue de uma vez por todas de uma ideologia construída no século XIX sob pressupostos errados e que tantos problemas tem causado à nossa sociedade. É preciso um olhar fresco sobre os problemas, e não o temos visto, continuam-se a aplicar velhas soluções a novos problemas esperando que a Fortuna mexa o seu leme e nos traga a solução de bandeja.

Aproveitamos para reforçar: a concessão a privados especializados na atividade em causa trará sempre benefícios, mas como deveriam saber se conhecessem o pensamento liberal, com a liberdade virá sempre a responsabilidade, pelo que a Câmara não se poderá dirimir de executar aquilo que certamente diligenciou no contracto em caso de incumprimento.

O Núcleo da Iniciativa Liberal, alertado pela urgência do tema, reuniu-se na passada sexta-feira com todos os representantes liberais da AML para explorar soluções para este enorme problema, e fiquei ciente que existem alternativas, ideias inovadoras a serem exploradas e, enquanto deputado municipal, não hesitarei em apresenta-las e lutar diariamente para que os setubalenses tenham finalmente uma cidade à sua altura.

Flávio Lança, deputado municipal eleito pela Iniciativa Liberal na Assembleia Municipal de Setúbal

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