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Burlaram cinco famílias com casa alheia

GNR de Palmela investiga o caso. Moradia utilizada para burlas estava ao abandono há mais de 20 anos.

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Pelo menos cinco famílias foram burladas através de um arrendamento ao ano de uma moradia no Bairro dos Marinheiros, em Palmela, apurou o Diário do Distrito.

A burla aconteceu em julho mas a história tem contornos que ainda estão a ser investigados pelas autoridades.

Segundo os vizinhos, a moradia estava desabitada há mais de 20 anos quando os burlões se ocuparam da mesma, fazendo-se passar pelos novos proprietários da residência. A família era composta por, pelo menos, um casal e três crianças, todas menores de idade, e um cão.

Sabe o Diário do Distrito que os burlões contaram aos vizinhos que teriam comprado o lote com duas moradias germinadas. Seriam emigrantes da Holanda e alegaram o regresso a Portugal devido à pandemia. No entanto, o enredo da história ia sofrendo alterações consoante os moradores com quem conversavam.

De acordo com o que conseguimos apurar, começaram por ocupar a moradia no final de abril. Segundo os vizinhos terão feito a mudança durante a noite. De abril a julho viveram na habitação e apesar de terem feito algumas puxadas, entretanto já canceladas pelos serviços municipais, conseguiram instalar operadora de serviço de televisão.

No início de julho, foram vistos a mostrar uma das casas a várias famílias e foram questionados pelos vizinhos se iam vender novamente uma vez que eram recém-chegados ao bairro. Os burlões alegaram que iam regressar para o país onde trabalhavam e que iriam arrendar as moradias.

Colocaram um anúncio no OLX, em que anunciavam o arrendamento ao ano por 650€. Dias depois, toda a família desapareceu sem deixar rasto. Para trás ficaram, pelo menos, cinco famílias lesadas. Para algumas delas o prejuízo foi mais elevado, já que perderam o valor da caução e da renda. Ao todo, as burlas terão rendido perto de 5 mil euros.

Ao que o Diário do Distrito apurou, as vítimas só perceberam a dimensão da burla no dia em que teriam combinado com os burlões a entrega da chave. Várias famílias cruzaram-se na moradia à procura dos falsos senhorios.

Entre os lesados estão famílias portuguesas e estrangeiras. À GNR foram apresentadas pelo menos cinco queixas contra a burlona, que deu a cara pela burla.

Uma das vítimas expôs o caso nas redes sociais, mas não aceitou dar entrevista.

O caso está nas mãos da GNR, que em sua posse tem os dados pessoais dos burlões, ainda que alguns documentos que tenham sido entregues às vítimas sejam falsos. Dois meses depois, os burlões ainda não foram identificados. Ao que tudo indica serão naturais e residentes na Margem Sul do Tejo.

As autoridades investigam os contornos do caso. Entre as linhas de investigação está a ser analisado o envolvimento de consultores imobiliários no esquema e a ocupação de casas abandonadas para fins criminosos.

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